"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2008/11/30

indicação de leitura


A IDÉIA DOS SOVIETES

Miguel Bakunin, antecipando-se as mazelas dos regimes/ sistemas totalitários (taylorismo, nazismo, fordismo, stalinismo, toyotismo, fascismo, bolchevismo, mayoísmo, castrismo, leninismo, maoismo e outros tantos de igual matiz) que permearam o século XX e se estende anacronicamente até ao atual, ponderou:
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"Liberdade sem socialismo é privilégio e injustiça; socialismo sem liberdade é escravatura e brutalidade."

Essas ponderações bakunianas levam-nos a um velho ditado popular que propõem a separação entre alhos e bugalhos. Faz-se, portanto, necessário recitá-lo sempre que ouvirmos falar da impossibilidade prática de comungarmos socialismo e liberdade...

Visto que o sistema de verdades absolutas – proposto pelos ideólogos do capitalismo – tenta a todo custo impor a impossibilidade de uma convivência harmoniosa entre ambos. E que em alguns momentos são tratados, pelos referidos 'senhores da verdade', como termos antagônicos na sua própria essência libertária.
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E por crer na possibilidade real de um passo à frente na construção de relações não-autoritárias, como nos incita a pensar a Hannah Arendt (in A Condição Humana): "Passava a haver certa diferença somente naqueles momentos, raros e decisivos, em que, no decorrer do processo revolucionário, ficava claro de repente que, se não fossem comandados por programas e ideologias partidárias oficiais, os operários desenvolveriam idéias próprias quanto às possibilidades do governo democrático em condições modernas. Em outras palavras, a linha divisória entre o econômico e o político não é uma questão de radicalidade das reivindicações econômicas e sociais, mas exclusivamente da proposição de nova forma de governo."
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É mais do que justa, portanto, a divulgação deste relesse sobre o livro de Pano Vassilev que foi recentemente publicado em consórcio firmado entre as editoras organizadas pelos compas Plínio/ IMAGINÁRIO e Raphael/ FAÍSCA:

"Neste livro, o autor búlgaro desenvolve a idéia dos sovietes, mostrando suas origens e distanciando-a daquilo que ficou conhecido no século XX com o desenvolvimento da União Soviética.
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Para Vassilev, a origem dos sovietes é libertária e possui raízes nas experiências libertárias dos séculos XIX e XX, não possuindo nada em comum com o “sistema soviético”, concretizado de maneira autoritária e centralista, que submeteu as diversas localidades da Rússia revolucionária a um poder central de Moscou.

Vassilev defende que a idéia dos sovietes, ao contrário, é uma nova organização social, 'livre e comunista, com a regulação da produção e da distribuição dos bens na futura sociedade por meio de encontros, reuniões de trabalho entre delegados diretos, sempre substituíveis e desprovidos de qualquer poder, das organizações profissionais e dos centros de distribuição.'

Ele continua: 'esta idéia nada tem em comum com o caráter próprio dos bolcheviques, sua tendência estatista e seu sistema ditatorial na regulamentação da vida social.' Vassilev trabalha a origem e o desenvolvimento histórico desta idéia dos sovietes, passa por seu surgimento, pela evolução da idéia dos conselhos na Rússia e das relações dos anarquistas russos com ela."

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saiba mais (vendasfaisca@riseup.net):

A IDÉIA DOS SOVIETES,

por Pano Vassilev;

Editora Imaginário & Faísca

2008/11/20

visões antropofágicas

Desde a tenra infância, a criança – alheia ao ritmo frenético da vida – é ‘colada’/ posta diante dos munitores/ tv(s)/ babás/ monitores...
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E deixa de se sentir incomodada com as suas necessidades fisiológicas, portanto mil e uns excrementos são tolerados/ absorvidos pelos seus sentidos, que ainda estão em processo de formatação. É um ‘conforto’ que se instala em seu viver, proveniente deste processo manipulatório das suas necessidades primarias.

Nada de chororó, pois sendo o choro/ a desobediência a virtude original do homem (Oscar Wilde) é premente que todos se calem/ acomodem-se diante do ‘controle’ da vida, vida esta que deve ser, para o sistema vigente, sem críticas, sem revoltas, sem autonomia!!

É o império do silêncio que se instala na sala de estar entre pais e filhos; na sala de aula diante de um professor que trava diálogos ideológicos com paredes revestidas em cores insossas e sem brilho; na sala de espera, digo, nas filas quilométricas do atendimento médico; no balcão de emprego, onde se busca uma modulação padrão para selecionar o mais obediente; no salão de oração, onde ouvimos repetidamente que o silêncio é – e sendo indicado como tal – o único caminho para galgar aos céus.

E também nas salas da vida, onde realiza-se como lei, constata-se que impere o silêncio de uma servidão voluntária, servidão esta imposta pela melhor babá do mundo: a eletrônica com cores e sons acalentadores das necessidades/ inseguranças/ medos determinados por padrões exógenos a uma vida solidária, e em coletividade.

2008/11/16

visões antropofágicas

Lúcia Bruno escreveu: A classe operária não é uma realidade moral, mas social. Ela não tem qualquer realidade além da forma como se organiza

... noutro dia tropecei em um excelente texto (Sindicalismo e Movimentos Sociais – Breve histórico do sindicalismo contemporâneo) do ‘compa’ Samis [Alexandre], no qual se traça uma rápida trajetória sobre a construção dos instrumentos de combate ao estado, ao capital e a igreja pelos trabalhadores nas suas organizações específicas de resistência de classe.

Trata-se, pois, de um belo artigo/ panfleto militante sobre “a questão sindical e o movimento social”, isto numa perspectiva libertária das lutas. Neste sucinto artigo o Samis faz uma leitura interessante, sobre a possível – necessária e desejada – transformação radical nesta sociedade capitalista de exploração do trabalho alheio...

Isto através de um sindicalismo de resistência/ combate, que na sua essência doutrinaria é uma organização revolucionária, expropriadora, autonomista, autogestionária e, claro, libertária. Em resumo, na construção ­– via ação direta nas lutas cotidianas – de uma outra relação societária:

sem deus, sem pátria, sem patrão!!!

Seguem, para nosso deleite imediato, dois pequeníssimos extratos do referido artigo:

1.º: “... os sindicatos de resistência, buscam sempre em seus programas estratégicos salientar as questões de médio e longo prazo. Tal preocupação deve-se a já terem os sindicalistas, vinculados a esta concepção, entendido que aquelas entidades que lutam apenas pelas questões imediatas, o que fazem, no mais das vezes, é garantir ao governo um certo grau de legitimidade. Se por um lado, as reivindicações podem parecer contestatórias, e algumas vezes o são, elas induzem, por outro, subliminarmente, o coletivo da categoria a acreditar que a resolução depende sempre da aquiescência do governo. O que retira do trabalhador boa parte de seu princípio decisório e reforça as teses reformistas. É, portanto, nas projeções mais de fundo, aquelas que irão possibilitar o contato com um universo mais amplo de explorados e, a partir daí, consolidar a luta ideológica contra o capital, que se encontra a real estratégia para o desmonte de toda a estrutura que garante a manutenção do atual sistema. Não apenas isso, mas também, a elaboração deste programa auxilia no acúmulo de valores que, por ser de fato o resultado das experiências de luta e das reflexões extraídas a partir delas, constitui-se na essência de uma dimensão de mundo genuinamente de classe.”

2.º: A questão da autonomia, portanto, é fundamental para manter um órgão de classe fiel aos postulados emancipatórios sem afastar deste, por uma conveniência político-partidária, alheia quase sempre às necessidades dos trabalhadores, os objetivos de médio e longo prazo resultantes da experiência da classe. Neste sentido, os movimentos sociais hoje podem servir de horizonte para o reforço de algumas práticas de autonomia; a despeito da participação de militantes com o duplo vínculo, partidário e ativista de classe, a dinâmica organizativa e mesmo setores hostis ao atrelamento partidário contribuem sobremaneira para dificultar o processo de burocratização. Com base em tais reflexões, e certamente não serão estas as únicas ponderações a serem feitas sobre o assunto, é fundamental hoje para os sindicatos a construção de uma agenda que possa articular seus interesses mais imediatos às lutas dos trabalhadores em geral, não apenas os formalmente admitidos no mercado de trabalho, mas todo aquele que estiver disposto a lutar e se organizar em favor de uma transformação radical e efetiva da sociedade rumo ao socialismo.”

leia mais:

pensamento pragmático


2008/11/13

visões antropofágicas

... através do cinismo debochado de Calígula – obra da dramaturgia de Albert Camus –, descortina-se com transparência uma pertinente assertiva sobre o ato de governar, qual seja ela:

“Governar é roubar, toda a gente sabe. Mas há maneiras e maneiras. Por mim, roubarei francamente”


Se é para falar com franqueza, é preciso que se diga mais sobre este assunto: eles – os governantes – roubam, SIM!! E não é pouco e nem de hoje. Mas está claro que é um roubo consentido, pois conta com a anuência dos governados, que por medo ou por preguiça, se mantém na posição cômoda da subserviência.

Olhos colados ao chão e com um sorriso atabalhoado estampando na cara, os submissos defendem o direito dos algozes levantarem o acoite em direção aos céus... E, bem como, de deixá-lo descansar no lombo dos seus próprios aliados (vocês já devem suspeitar a quem me reporto, aos preguiçosos e/ ou medrosos!) que garantem com essa postura subalterna aos senhores donos dos anéis, manter-se encastelados nas estruturas verticais de poder.

Estes sistemas maniqueístas são organizados com o objetivo evidentemente prático de excluir a maioria dos entraves sociais (gente, estou falando de gente!) para o desenvolvimento dos sistemas de exploração econômica, isto pelo mero prazer de colecionar (acumular) coisas multicoloridas de significância simbólica/ utilidade duvidosa.

Primeiro a submissão aos poderes constituídos, e segundo a exclusão social na partilha do fruto do trabalho e/ ou botim, eis a dobradinha que permite a roda da acumulação capitalista seguir inexoravelmente seu curso em busca do derradeiro abismo que ainda hoje separa o prazer egoístico de alguns poucos e a grande massa dos despossuídos de bens materiais, e por osmose de quaisquer outros desejos lúdicos e/ ou prazeres mundanos...

2008/11/09

indicação de leitura


de

Achilles

para o mundo:

"Só um post micro-político... se me permite.


Publiquei crítica a um filósofo que banaliza a depressão:

O PARADOXO DA FILOSOFIA BANALIZANTE
(Crítica à filosofia banalizante de Ghiraldelli Jr)

Artigo meu, publicado n'A Tribuna do Povo de Umuarama,
contrapondo preconceitos propagados por Paulo Ghiraldelli Jr
no texto “Depressão e Filosofia” – no qual trata de modo
moralista quem, sem rigor conceitual, arbitra chamar de
"os depressivos".

http://www.4shared.com/file/70056189/673035b/O_paradoxo_da_filosofia_banalizante_-_crtica_a_Paulo_Ghiraldelli_Jr.html

Peço que leia e veja se é pertinente minha crítica, se for divulgue.

Abraço"

camarada

(tavarish),

A felicidade deixou de ser um ‘conceito’ para tornar-se uma ‘necessidade’ fisiológica, tal qual a fome, a sede etc.

É o império dos ‘bobos da corte’ com seus guizos barulhentos, fitilhos multicoloridas e um gélido sorriso porta fresca (cool & gate), que plasticamente está estampado ad infinitum, isto em rostos sem identidade coletiva e/ ou despersonalizado da sua individualidade.

Bobos acéfalos da corte do rei/deus/tio sol/javé/sam, que circulam enfileirados, tal qual escravos/estudantes/operários, por corredores multicoloridos em busca do preenchimento, via consumo de quiquinlharias, babilaques e balangandas demodês, do seu vazio existencial....

Em tempo, recomendo, aos diletos amigos, o

discurso sobre a servidão voluntária,

de
étienne de la boéttie:

é o povo que se sujeita, que se corta a garganta, que, podendo escolher entre ser subjugado ou ser livre, abandona a liberdade e toma o jugo, que consente no mal, ou antes, o persegue”.

É assim que os homens nascidos sob o jugo, depois alimentados e educados na servidão, sem olhar para a frente, contentam-se em viver como nasceram, sem pensar em ter outro bem, nem outro direito senão o que encontraram, tomando como natural sua condição de nascença”.

.: tavares:.

pensamento pragmático





contextualizando:


... vá a um estádio de futebol, isso em dia de final de campeonato;
ou até mesmo a uma igreja, dessas que clama pelos santos dos últimos dias.
onde verás então, num desses espaços, a plasticidade do êxtase estampada em vários rostos atabalhoados e desprovido da seiva fortificante da revolta...

primeira abordagem

... este é mais um espaço de expressão libertária, portanto vamos fazê-lo de forma que seja o mais anarquico possível, isto no sentido mais amplo que esse conceito ideológico propugna para o homem//mulher e as suas relações sociais.

Tentando, desta maneira, romper com as estruturas verticais de poder que estão embrincadas em nosso cotidiano.

Portanto, aqui neste espaço serão 'coladas' idéias & opiniões, novas e/ ou velhas, cumprindo assim uma máxima que diz:

"nada se cria, tudo se copia!"