"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2012/06/11

extraindo conceitos


 O novo consenso da direita financeira  
Bruno Lima Rocha

(Federação Anarquista Gaúcha)




Para a imprensa mundial, a chamada crise é resultado dos gastos públicos com direitos e garantias sociais. A revista The Economist tachou de perigosa a candidatura do socialista francês François Hollande. O agora presidente eleito representava, até então, o confronto entre o populismo e a austeridade. Em setembro de 2008 o mundo informado assistia catatônico ao fenômeno que, nas ruas de Madri, ganhara a alcunha de "farsa com nome de crise". Então, ao longo dos doze meses anteriores, o que era mais um produto de "risco" dos agentes do cassino financeiro, se transformara na "mãe de todas as bolhas". A ideia parafraseava a consigna e bravata de Saddam Hussein, quando disse ao ex-presidente George H. W. Bush e, uma dúzia de anos depois, repetira-a para seu filho, afirmando ter o poder de enfrentar a "mãe de todas as batalhas". Existe uma semelhança nos dois momentos históricos recentes. Na política externa, Bush Jr. e seu gabinete de falcões vinculados a indústria do petróleo (como Dick Cheney e Condoleezza Rice), ampliara o conceito de Guerra contra o Terror. Com a ofensiva militar em escala global, veio o período máximo da "exuberância irracional" dos apostadores financeiros. Deu no que deu e nesta senda Barack Obama ganhou as eleições de novembro de 2008.


Trata-se de dois consensos forjados na base do consentimento e através da forja de meias verdades. O primeiro e já deveras estudado foi o golpe midiático de Bush Jr. Manipulando o pânico dos EUA pós-11 de setembro, conseguiu a autorização para a guerra atropelando ritos parlamentares (fast track), aprovando o Patriot Act (Ato Patriótico) e criando o Ministério do Interior (DHS, Department of Homeland Security). A lista dos absurdos rendeu pérolas do cinema, como Farenheit 9/11 (Michael Moore, 2004, EUA) e um livro já clássico em português, A Desintegração Americana (Record, 2006), do Nobel de Economia Paul Krugman, sendo ele próprio colunista do New York Times e um quase arrependido da globalização a todo custo. Após oito anos de Bush Jr. o Império estava com uma em cada três brigadas operando no exterior, uma crise sem precedentes e os reflexos agudos da infra-estrutura produtiva parasitária baseada em capital fictício.



Esta conta seria paga com a "mãe de todas as bolhas". Para sair desta encruzilhada, os EUA foram beber em sua democracia multirracial (melting pot), parindo a versão de um Kennedy afro-descendente. Barack Hussein Obama fez campanha sentimental, organizou uma transição e os primeiros seis meses de governos baseados na cartilha pós-New Deal (2nd Bill of Rights, 2ª Carta de Direitos, de Franklin Delano Roosevelt, jamais executada) e pouco a pouco foi contemporizando com os agiotas e apostadores do cassino financeiro. Tal pacto é exemplarmente demonstrado no filme Trabalho Interno (Inside Job, de Charles Ferguson, 2010, EUA), dando carne ao conceito de teoria das portas giratórias, provando como grandes tubarões de Wall Street continuaram ocupando postos-chave. Um exemplo é a presença em seu governo do professor de economia de Harvard, Larry Summers, homem forte da desregulação promovida por Ronald Reagan. Pouco a pouco os níveis de lucro dos grandes operadores financeiros foram sendo retomados, sendo que a conta grande fora paga na rolagem da astronômica dívida interna do Império, e na bola de neve contaminante das instituições bancárias europeias.



Quatro anos depois, o consenso da direita financeira é forjado no outro lado do Atlântico. Liderados por The Economist, replicado por dezenas de meios massivos e plataformas multimídia (como Bloomberg, CNN e o Grupo Prisa espanhol), a versão válida, a ideia pensável como nos explica Noam Chomsky é remodelada. No último trimestre de 2008 parecia que a face mais crua do capitalismo estaria exposta. Não, pois através dos acordos entre mídia, operadores financeiros e tomadores de decisão, a conta veio sendo paga pelo modelo mais sano dentro deste marco civilizatório de lucro e diferenciação social. O Estado de Bem Estar Social (ou o que dele restara) passa a ser o alvo. O argumento é simples. A conta dos direitos e garantias sociais para uma população que produz pouco e ganha relativamente bem, não fecha. A Europa não é competitiva diante dos BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia) é preciso um pacto supranacional, traçado pelo triunvirato da Comissão Econômica Européia, o Banco Central Europeu e o FMI, imposto ao Parlamento Europeu em Bruxelas.



Um bom exemplo está na França. Em 06 de maio deste corrente ano o "socialista" François Hollande vence na urna ao presidente Nicolas Sarkozy, da centro-direita UMP, pós-gaullista. Antes de Hollande se oficializar como candidato do PS francês, o então favorito era o ex-diretor geral do FMI Dominique Strauss Kahn (DSK). Ou seja, se o presidente eleito francês sucede o controverso DSK, perigo sistêmico algum estava à vista. Certo? Não para a revista The Economist, que fizera um alardeio, considerando um "risco" o fato de que o novo chefe do Poder Executivo da segunda economia da Zona Euro (França, atrás apenas da líder Alemanha) seria mais suscetível as pressões "populistas" vindas das ruas e dos sindicatos. A eleição francesa e a pulverização do parlamentarismo grego (cujo pleito também foi na mesma data) representavam, segundo a narrativa da revista, respectivamente, a quebra da "austeridade" vigiada por Angela Merkel (chanceler alemã) e a ingovernabilidade na periferia da Comunidade Européia.



Pura inversão dos fatos e responsabilidades. Após quatro anos, a "farsa com nome de crise" teria como causa alegada a elevação dos gastos públicos e o endividamento. O problema é que estes crescem na medida da destinação estatal dos recursos coletivos para salvar bancos e fundos de risco. Para quem vive de salário, a "austeridade" pública implica ganhar menos, tardar a aposentadoria e viver sem perspectiva. Eis o novo consenso da direita financeira e seus ideólogos midiáticos.



http://www.anarkismo.net

2012/02/21

extraindo conceitos









O EMPATE DOS MODELOS ECONÔMICOS
medo // terror
insegurança // desemprego

Na ideologia econômica do Ocidente durante muito tempo parecia que dois campos se confrontavam: o neo-liberal, ou radical de mercado, dos EUA, e o keynesiano, ou do Estado social e da política industrial, da Europa, também chamado "capitalismo renano". Os ideólogos do mercado apostam na política da oferta (corte de custos a qualquer preço, não em último lugar dos salários), os ideólogos do Estado apostam na política da procura (aumento do consumo através de despesas do sector público e aumentos salariais). Há mais de 30 anos que o modelo europeu foi considerado esgotado, porque o aumento do consumo público desencadeou a inflação e apesar disso o crescimento estagnou (estagflação). O colapso do socialismo de Estado parecia confirmar essa avaliação. Assim, a concepção ultra-liberal dos EUA começou a sua marcha triunfal global e os europeus tornaram-se bons alunos, não em último lugar os social-democratas com Schröder e Blair.
                                            
O "sucesso" da revolução neoliberal consistiu, como é sabido, na criação de bolhas financeiras sem precedentes, que alimentaram conjunturas globais de deficit durante mais de uma década. Quando o crash financeiro de 2008 pôs fim a essa época a ressaca foi grande. Os governos europeus, com a grande coligação alemã à frente, deleitaram-se descaradamente a passar as culpas aos EUA e à doutrina neoliberal, como se eles próprios não tivessem imposto essa política. Durante algum tempo parecia houver agora dos dois lados do Atlântico uma viragem para o modelo europeu, com pacotes de resgate públicos e programas de estímulo econômico. Mas rapidamente se revelaram os limites do financiamento estatal na forma de crises de dívida soberana. A velha disputa volta a entrar em ebulição, mas agora com os papéis trocados: pelo menos na aparência, os EUA e a sua elite econômica preferem apostar no estímulo estatal, a Europa liderada por Merkel prefere apostar em brutais programas de austeridade.

Mas, na verdade, não existe mais qualquer modelo econômico claro, estando ambos os lados a tentar fazer batota [trapaça]. Em primeiro lugar, em toda a parte se prosseguem programas de austeridade para o orçamento de Estado, um atrás do outro. Depois, tanto nos EUA como na Europa os bancos centrais prosseguem uma política de inundação monetária. Os Estados devem poupar, as empresas devem investir. Mas os bancos alimentados com dinheiro barato quase não dão crédito, voltando, pelo contrário, a guardar o dinheiro nos bancos centrais. Por sua vez, as empresas não procuram crédito para grandes investimentos, mas continuam a prosseguir a velha política de corte radical dos custos. Já nada funciona sem o consumo público, o qual apesar disso tem de ser simultaneamente reduzido. É verdade que os bancos centrais compram títulos das dívidas públicas, não porém para apoiar a procura real, mas apenas para impedir a queda do valor desses títulos e para salvar os bancos que não se conseguem livrar deles.

Esta política de enganos traz de volta uma versão agravada de estagflação, mas não vai ficar por aí. De momento, os EUA parecem favorecer a via inflacionária e a Europa-Merkel parece favorecer a via recessiva do terror do estado de exceção financeiro. Se por acaso um Presidente Romney fizesse uma reviravolta, ele teria de assumir a concepção de origem supostamente americana dos europeus insultados como "socialistas"; o mesmo se aplica inversamente à UE em caso de viragem para a política de Obama. Nem uma nem outra vão funcionar. Quem quer salvar o sistema financeiro tem de matar à fome a procura; quem quer salvar a procura tem de arruinar o sistema financeiro. A mistura absurdamente contraditória dos dois modelos econômicos, como resultado do empate entre eles, mostra que estão a desfazer-se os fundamentos capitalistas comuns a ambos.


Original TOTES RENNEN DER WIRTSCHAFTSMODELLE in www.exit-online.org. Publicado em Neues Deutschland, 06.02.2012.


assistam ao vídeo:

2011/08/15

e_mail

es más una crisis...
(mudança de sistema, não de clima!)

"O capitalismo é um sistema em crise. As emissões aumentam, as desigualdades sociais crescem, as multinacionais continuam a investir em energias fósseis. E o comércio de emissões de carbono não é uma solução. 

Malgrado tudo isso ainda há uma razão para se alegrar: a movimentação de ativistas pelo clima aumenta e o movimento se torna mais e mais ativo. 

Mudança de sistema, não de clima’ é uma mensagem que ressoa cada vez mais forte."

Climate Action Camp [Bélgica, julho/ 2011]

2010/05/10

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SEGUNDA-FEIRA, 10 DE MAIO DE 2010

Superpolução é sinônimo de miséria

Tony PACheco

Não é coincidência. Minhas simpatias pelas teorias de Malthus são simplesmente resultado de uma análise histórica que religiões, classes dominantes sequiosas de mão-de-obra barata e corruptos em geral não se interessam em fazer e, quando fazem, não divulgam, como a mídia amestrada.

Por isso, Internet livre e sem amarras legais é absolutamente vital para a evolução da Humanidade.

Vejamos: quais são as maiores Rendas Per Capita no planeta Terra. Renda Per Capita é o total de riquezas produzidas num ano por qualquer país dividido pelo total de habitantes deste mesmo país.

Na colocação número 1, Luxemburgo, com US$113,044 anuais. Número 2, Noruega, US$94,387. Número 3, Qatar, US$93,204. Número 4, Suiça, US$68,433. Número 5, Dinamarca, US$62,097. Número 6, Irlanda, US$60,510. Número 7, Emirados Árabes Unidos, US$55,028. Número 8, Islândia, US$53,058. Número 9, Holanda, US$52,500. Número 10, Suécia, US$52,181.

Nesta categoria de Renda Per Capita aferida pelo FMI em 2008, a França está em décimo sexto lugar, com US$46,037. O Canadá, em décimo oitavo, com US$45,085. A Alemanha, em décimo nono, com US$44,729. Portugal, trigésimo segundo, US$23,041. México, quinquagésimo sexto, US$10,200. O Brasil, com apenas US$8,295, em sexagésimo terceiro lugar.

Não vamos nos alongar mais, só lembrar, que Emirados Árabes Unidos e Qatar não devem ser levados em conta, pois a riqueza destes paises é centralizada nas famílias reais, com seus xeques, príncipes, princesas, uma coisa arcaica que só em país muçulmano ainda é possível.

A RELAÇÃO COM A POPULAÇÃO

Agora, vejamos o que aconteceu com a população dos países em relação à Renda Per Capita. Veremos, pelos dados estatísticos, que os países que oferecem a melhor distribuição de riquezas por seus povos são, justamente, aqueles que controlaram a natalidade com mão de ferro ou, então, por uma educação de alto nível, como é o caso da ditadura de Cuba, que, por mais execrável que seja, manteve a população sob controle para, justamente, a miséria generalizada não se instalar.
Vejamos o que aconteceu com a população dos países entre 1968 e 2010.

* Alemanha, tinha 76 milhões, 42 anos depois, tem 82 milhões. Aumento de apenas 6 milhões de habitantes.
* Argentina, tinha 23 milhões, 42 anos após, 46 milhões. Aumento de 23 milhões.
* Brasil, saltou de 90 para 200 milhões em apenas 42 anos. Com uma economia que ficou mais de 20 anos estagnada, com este acréscimo de 110 milhões de habitantes, o Pais cresceu muito, mas a miséria aumentou na mesma proporção.
* Canadá, de 20 milhões passou para apenas 33 milhões, embora seja o segundo maior pais do mundo em área.
* China, de 745 milhões pulou para 1,4 bilhão. Praticamente dobrou, o que revela os índices de desenvolvimento humano entre os piores do planeta.
* Cuba, tinha 9 milhões de habitantes em 1968 e só aumentou 2,4 milhões em 42 anos.
* Dinamarca, eram 5 milhões em 1968, e passaram a ser 5,489 milhões em 2010. Só 489 mil a mais.
* EUA, pularam de 202 milhões para 305 milhões em 42 anos, o que explica a existência de 50 milhões de pobres na maior economia do mundo.
* França, de 50 para 64 milhões.
* Índia, de 500 milhões em 1968, passou para 1,2 bilhão, mostrando o porquê de terem renda per capita em nível de Haiti, Uganda, por aí...
* Noruega, passou de 3,8 milhões para 4,6 milhões em 42 anos. Isto é, só 800 mil pessoas a mais.
* Portugal, de 9 para 10,6 milhões de habitantes.
* Suécia, de 7,9 milhões para 9 milhões.

Vamos parar por aqui. Dá para quem teve a paciência de ler até aqui, que os países que não controlaram a natalidade são, justamente, aqueles com menor Renda Per Capita no mundo, vale dizer, paises com miséria pra todo lado.

RESUMO DA ÓPERA

O que se quer dizer é que com aumento da população acima da capacidade de gerar bem-estar para esta mesma população, não adianta os mais fortes candidatos à Presidência do Brasil, José Serra e Dilma Rousseff, ficarem apregoando que farão nosso PIB ser duplicado, pois isto não é suficiente para nos tornar não um Pais Rico, mas um Povo Rico, que é o que interessa a mim, a D. Raimunda dos Alagados, ao Sr. Vitalino do Raso da Catarina, no sertão castigado do Nordeste.

2010/05/09

extraindo conceitos__51b

SEGUNDA-FEIRA, 3 DE MAIO DE 2010

Receita de paises ricos,

povos pobres e planeta destruído

O discurso dos dois principais candidatos à Presidência do Brasil, Serra e Dilma, apontam na mesma direção: construir a quinta maior economia do planeta (hoje, patinamos entre a oitava e a nona posições).

No entanto, falta à nossa mídia amestrada a análise histórica desta pretensão.

A pergunta é: qual país superpopuloso que ofereceu ao seu povo um alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) misturando modo de produção capitalista e superpopulação?

Vejamos a China.

Desde o fim do poder do grupo de Mao Tsé-tung à frente do Partido Comunista Chinês e a ascensão do grupo de Deng Xiaoping, instalando um capitalismo misturado com o modo de produção asiático (como Max Weber define – autoritarismo político com controle dos meios de produção pelo Estado), que a China passou a ser de um dos países mais pobres do mundo (muito mais pobre que o próprio Brasil) à terceira economia mundial nos dias de hoje.

O PIB chinês está próximo de passar o do Japão e especialistas apontam que a China terá uma economia maior do que a dos EUA até 2025 ou, segundo outros, muito antes disso.

Contudo, a China tem 1,4 bilhão de habitantes e sem esgotar boa parte das fontes de matérias-primas do planeta, os dirigentes chineses jamais oferecerão a este mundaréu de gente um nível de vida igual ao da maior parte dos americanos.

Então, o que vemos, é uma China com cerca de 350 a 400 milhões de pessoas consumindo de forma parecida com os países desenvolvidos, e 1 bilhão vivendo pior que os brasileiros pobres, sendo que, pelo menos 400 milhões, em áreas rurais, vivendo na mesma miséria que viviam na época dos imperadores mandchus.

Segundo a CIA e o FMI, a China é a terceira maior economia do mundo. O Banco Mundial acha que é a quarta, mas, de um jeito ou de outro, a renda per capita dos chineses é de 3,2 mil dólares anuais, isto é, estão em centésimo quarto lugar no mundo. E em termos de IDH, o 0,77 deles os coloca em nonagésimo segundo lugar, no mesmo nível da África.

Outro caso importante é a Índia.

Os indianos ocupam a décima segunda posição entre os maiores PIBs do planeta, mas, com seus mais de 1,2 bilhão de habitantes, a renda per capita é de somente 1,017 dólares anuais, ou seja, centésimo quadragésimo terceiro lugar. E o IDH indiano é haitiano: 0,61, o que coloca a Índia em centésimo trigésimo quarto lugar.

Resumo: a Índia é um país rico para mais ou menos 200 milhões de indianos e paupérrimo para os outros 1 bilhão...

E para não ficarmos apenas nestes dois casos sem jeito, os Estados Unidos da América, segundo CIA, FMI e BIRD, são a maior economia da Terra, com 14,5 trilhões de dólares de PIB (quase quatro vezes a economia chinesa), mas o fato de ter 300 milhões de habitantes, coloca a sua renda per capita em sétimo lugar no mundo.

E o seu IDH em décimo quinto lugar, isto porque, há, pelo menos, 50 milhões de americanos que vivem na pobreza e, destes, cerca de 26 milhões não têm onde morar e 40 milhões não têm atendimento de saude pública nem tampouco têm dinheiro para pagar saúde particular.

Resumo: onde tem muita gente, mesmo quando se trata do país mais rico do mundo, há muita pobreza também.

A QUINTA MAIOR ECONOMIA

Em valores de hoje, o que Serra e Dilma querem é que o Brasil tenha um PIB do tamanho do francês, isto é, o dobro do nosso PIB atual de 1,481 trilhão de dólares.

Acontece, que com um PIB de 2,634 trilhões, os franceses, por controlarem a natalidade estritamente há um século, oferecem uma renda per capita aos seus 64 milhões de habitantes de 46 mil dólares anuais e um IDH “trés chic” de 0,96, o que torna os franceses o oitavo povo do mundo em qualidade de vida.

Mas, também, os franceses eram 50 milhões em 1968 e, hoje, 42 anos após, são apenas 64 milhões.

Já o Brasil, se conseguir o posto de quinta economia mundial, dividirá o mesmo PIB da França por 200 milhões de pessoas, o que nos dará uma renda per capita de pouco mais de 13 mil dólares anuais, pouco diferente dos 8 mil dólares atuais.

Hoje, somos a sexagésima renda per capita do mundo, passaríamos a ser, talvez, a quinquagésima.

Melhora, mas fica a anos-luz do nível de vida de países como Luxemburgo, com 113 mil dólares anuais. Noruega, com 94 mil dólares. Suiça, 68 mil. Dinamarca, 62 mil. EUA, 55 mil dólares anuais por pessoa. Suécia, 52 mil dólares anuais por habitante. Espanha, 35 mil dólares anuais por cabeça.

E, até o pequeno Portugal, teria seus habitantes duas vezes mais ricos que os brasileiros.

E mesmo os argentinos e os chilenos continuariam a ter um nível de vida mais alto que o nosso, mesmo a economia brasileira sendo maior que a deles.

Eles controlaram a natalidade há décadas. Nós, não.

O Brasil tinha 90 milhões de habitantes em 1968. Se mantivesse a população estável, aí sim, como quinta economia, seríamos um povo de alto nível de renda. Mas chegando perto dos 200 milhões de habitantes, nosso PIB teria que ser maior do que o do Japão para termos uma vida semelhante à dos japoneses.

Mas, aí, Serra e Dilma teriam que planejar quadruplicar nosso PIB e não duplicar. Só que exportando minério de ferro e suco de laranja, não dá, né não?

E MALTHUS ESTAVA CERTO

Quando o economista e biologo Thomas Robert Malthus lançou, em 1798, o livro “Ensaio sobre o princípio de população”, não foi bem aceito por religiosos e capitalistas que queriam muita mão-de-obra barata para a nascente indústria inglesa.

Durante o século passado, foi mais mal visto ainda, pois com os avanços tecnológicos, o capitalismo prometia o paraíso na Terra para breve.

Hoje, contudo, com o planeta à beira da exaustão, a natureza descontrolada e a miséria avançando sobre a África, Ásia e América Latina, Malthus volta a ser estudado com seriedade, pois o crescimento populacional do jeito que se vê no mundo nos últimos 200 anos, só levará à destruição do planeta e à miséria de bilhões de pessoas.

Aliás, como dissemos em artigo anterior, já levou..., pois quase 2 bilhões de pessoas hoje em dia têm dificuldade de conseguir um copo de água potável para beber por dia e, destes, 1 bilhão vivem na miséria absoluta.

Vivemos, nos países pobres como China, Índia, Brasil, Indonésia, Paquistão, Bangladesh, Nigéria, México, Egito, África do Sul, o que Malthus chamava de “praga biológica” – nasce muito mais gente do que morre e os meios de sobrevivência não crescem na proporção do crescimento da população.

Só políticos corruptos, capitalistas gananciosos e religiosos sem caráter ainda defendem a natalidade desenfreada que nos levará ao aterrorizante número de 7 bilhões de pessoas em setembro deste ano.

Cresça ou não a economia...

fonte:

http://osinimigosdorei.blogspot.com/2010/05/superpopulacao-capitalismo.html

2010/05/08

extraindo conceitos__51a

Os Inimigos do Rei

QUINTA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2010

Ecologia, Capitalismo e Superpopulação


Não se iluda com os ecologistas. Veja este rio de detritos na Índia: pobre destrói o planeta tanto quanto os ricos. Quanto mais gente, menos chance para o planeta.

tony PACheco

Acompanhei no Discovery Channel e no GNT, da TV fechada, as “comemorações” do Dia da Terra e fiquei sabendo, como outros milhões de brasileiros, as muitas desgraças pelas quais passa o planeta: só não teve, como era previsível na mídia amestrada, nenhuma alusão à explosão demográfica pela qual passa o planeta nos últimos 100 anos e tampouco ao capitalismo, que, como um câncer, avança sobre todo o tecido planetário - agricultura, pecuária, extrativismo mineral e vegetal etc. etc. etc.

O mesmo tipo de visão propositalmente vesga está, agora, na campanha eleitoral de todos os candidatos postos para a Presidência do Brasil: José Serra, Dilma Rousseff e Marina Silva. Dilma e Serra chegarão ao clímax com a participação de ambos no seminário “Brasil – A Construção da Quinta Maior Economia do Mundo”, que acontecerá em São Paulo (só podia ser), no próximo 31 de maio.

Pelo que ambos estão falando Brasil afora, tudo será colocado em xeque, menos os problemas cruciais: a superpopulação do País e o capitalismo globalizante como estratégia de resolução dos problemas nacionais, afinal, ambos representam estes setores tão diferentes entre si - os capitalistas oligopolistas e os oligopolistas capitalistas.
Um país que é a oitava economia do mundo, mas está na posição 75 entre os de melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Isto é, estamos entre os oito mais ricos países do planeta, mas há 74 países com melhor condição de vida do que o povo brasileiro.
E somos a oitava economia da Terra, mas a renda do brasileiro (renda per capita) é a sexagésima terceira do mundo. Isto é, há 55 povos que têm economia menor que a do Brasil, mas que usufruem mais riquezas do que nós, brasileiros.
Isto você não lerá, não ouvirá nem verá nos programas do PT, PV, PCdoB ou PSDB, pois todos querem nos manter assim.

A MISÉRIA GLOBAL

Na TV fechada (na TV aberta, é aquilo mesmo: quem namora quem, que vai ter filho de quem, quem deu corno em quem e “quem quer dinheiro?”) ficamos sabendo que a Terra está à beira de um colapso por que:

a) 500 milhões dos 6,8 bilhões de habitantes do planeta vivem em desertos em situação de penúria;

b) Enquanto os habitantes de Los Angeles, nos EUA, gastam mil litros de água por dia, mais de 1 bilhão de habitantes da Terra não têm sequer um copo de água filtrada para beber POR DIA;

c) No ano 2025, isto é, daqui a apenas 15 anos, só 1 em cada 4 africanos terá o que comer e o que beber (água);

d) Quase 2 bilhões de habitantes do planeta nunca fizeram uma ligação telefônica em suas vidas;

e) Mais de 1 bilhão e 400 milhões de habitantes do planeta vivem com menos de 1 dólar por dia (1 real e 80 centavos), isto é, 20% da população mundial vivem na merda total, mendicância mesmo;

f) Dentro dos próximos 25 anos o planeta vai perder mais de 25% das espécies animais e vegetais;

g) E por aí vai...

Bem assustador, não é não? Mas nem por um minuto atribuem esta pequena parte do monstruoso total de misérias ao modo de produção capitalista nem tampouco à superpopulação mundial.

E por quê?

Porque quem produz estes programas pseudo-ambientalistas está eivado de interesses econômicos (as TVs pertencem a grandes corporações capitalistas) ou religiosos-econômicos (os padrecos, pastores, aiatolás, que incentivam o natalismo para produzir mais mão-de-obra barata para seus mantenedores, os capitalistas).

EXPLOSÃO QUE LEVARÁ AO EXTERMÍNIO

Para que se tenha uma idéia rasteira do que a superpopulação está fazendo com os recursos não-renováveis do planeta (como petróleo, ferro, manganês, carvão...), se todos os habitantes do planeta tiverem o mesmo padrão de vida dos habitantes dos Estados Unidos da América (EUA), que não é lá estes padrões todos, pois este país é o décimo quinto em Índice de Desenvolvimento Humano do mundo e apenas a sétima renda per capita mais alta, teremos que matar 5,4 bilhões de pessoas dos 6,8 bilhões atuais.

Pois todos os institutos de pesquisas de sustentabilidade do planeta dizem que para ter o padrão do “American way of life”, a população planetária tem que ser de apenas 1,4 bilhão de habitantes, isto é, a Terra só permite que a exata população da China atual viva no planeta.

O resto teria que ser deletado.



fonte: