"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2012/02/27

extraindo conceitos

servidão voluntária é a verdadeira escravidão



"Assim, a liberdade do trabalhador, tão exaltada pelos economistas, juristas e republicanos burgueses, é apenas uma liberdade teórica, sem quaisquer meios de realizar-se, e, consequentemente, é apenas uma liberdade fictícia, uma absoluta mentira. A verdade contínua é que toda a vida do trabalhador é simplesmente uma sucessão contínua e horrível de períodos de servidão - voluntária do ponto de vista jurídico, mas compulsória pela lógica econômica - interrompida por momentâneos e breves intervalos de liberdade acompanhados de fome; em outras palavras, é a verdadeira escravidão"

in: O Sistema Capitalista de Mikhail  Bakunin, 
pág. 16.  São Paulo: Editora Faísca, 2007.

2010/08/30

indicação de leitura


A publicação deste volume, para nós, é histórica. Há muitos anos o tradutor insistia que deveríamos publicar esta obra de Guillaume, de alguma maneira, pela importância da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), que ficou conhecida como Primeira Internacional, e pela importância para os anarquistas desta obra, que relata, de maneira detalhada, seus episódios.

Conseguimos operacionalizar sua publicação em diversos volumes, cujo primeiro fazemos agora o lançamento.

A obra, da qual extraímos parte para a publicação deste primeiro volume, foi impressa originalmente em quatro tomos, abrangendo o período de 1864 a 1878. Foi reeditada, nos anos 1980, na Suíça e na França, em dois grandes volumes, cada um com mais de 700 páginas.

O presente volume fundamenta um importante debate sobre a AIT que, sem dúvida, foi um dos grandes, senão o maior, dos acontecimentos envolvendo diretamente a classe trabalhadora no século XIX.

Os documentos contidos neste volume, e nos demais que completam a série, são por si só reveladores das relações que se estabeleceram entre aqueles que ousaram criar uma esfera política a partir das afinidades econômicas.

E que, no influxo dos acontecimentos, lograram redefinir as pautas políticas e estratégias das nações européias no contexto do capitalismo nascente. A AIT também possui uma importância central na história do anarquismo por ter sido em seu seio que o anarquismo, como prática política coletiva e organizada, passou a existir.

Neste primeiro volume de A Internacional: documentos e recordações, apresentamos o início desta monumental obra de James Guillaume.

Veja aqui o conteúdo da obra

editora Imaginário & Faísca

2009

2010/06/17

extraindo conceitos__63


Este texto de Bakunin é uma crítica clássica ao sistema capitalista. Excerto do clássico O Império Knuto-Germânico e a Revolução Social, incluído em The Complete Works of Michael Bakunin [As Obras Completas de Mikhail Bakunin] com o título de “Fragment” [“Fragmento”], O Sistema Capitalista traz um pouco mais deste, que foi um dos maiores anarquistas da história.

Sabemos que Bakunin, muito mais do que criticar o capitalismo, focou-se nas polêmicas em torno do Estado. Ao passo que a crítica do sistema capitalista era um consenso entre os socialistas da época, a polêmica girava em torno da questão do Estado.

Por isso, o Bakunin que conhecemos, é muito mais um crítico do Estado, e radical defensor do federalismo, do que um crítico do sistema capitalista. Bakunin, em Estatismo e Anarquia, por exemplo, não deixa pedra sobre pedra em sua crítica ao sistema estatista proposto por Marx no âmbito da AIT.

Neste livreto, que agora publicamos, conheceremos um Bakunin muito inspirado nas críticas de Proudhon à propriedade privada e com uma visão anticapitalista muito combativa, propiciando um pouco mais de conhecimento acerca de suas opiniões de economia política clássica.

O Sistema Capitalista é um ótimo texto para formação política:

como qualquer clássico, já não dá conta completamente do mundo de hoje, mas é fundamental para ser estudado e para entendermos as grandes críticas feitas pelos socialistas do século XIX ao sistema capitalista, que pode ter mudado significativamente, mas que continua sendo o “carro-chefe” do presente sistema de exclusão e opressão.


editora faísca

2010/04/29

1º. de maio

Primeiro de Maio

Anarquismo,

o Massacre de Haymarket e

os Mártires de Chicago

Felipe Corrêa -- f.a.r.j.

Todos os anos nos deparamos com as tais festas do Primeiro de Maio, promovidas pelas grandes centrais sindicais e que enchem praças e avenidas com milhares de pessoas. Com o objetivo de atrair o público, em meio aos shows de artistas famosos, sorteiam até carros e apartamentos.

Esquecemos, no entanto, que as origens dessa data tão importante marcam a luta dos trabalhadores contra as mazelas do capitalismo e suas brutais conseqüências sobre homens e mulheres.

Como sempre, a história é contada pelos vencedores, e assim também aconteceu com a história do Primeiro de Maio, que até hoje não é muito conhecida.

A mobilização dos operários de Chicago e de outros lugares do mundo aos fins do século XIX, reivindicando a jornada diária de oito horas de trabalho refletia uma luta contra o sistema capitalista e as péssimas condições a que estavam submetidos os trabalhadores.

A relevância atual desse tema é que os motivos que levaram a essa mobilização não mudaram tanto de lá para cá.

Continuamos a viver em uma sociedade em que reina o desemprego e que esse serve de base para que salários cada vez mais baixos sejam pagos aos trabalhadores, e que o medo da perda desse emprego seja um fator que muitas vezes impede o trabalhador de se mobilizar politicamente.

Continuamos a viver em uma sociedade em que impera a pobreza e a fome de muitos, para o benefício e a prosperidade de poucos. Ainda não temos o controle completo sobre nosso trabalho. As decisões sobre aquilo que nos afeta ainda estão conferidas a outros.

Ainda não recebemos todos os frutos de nosso trabalho, que são roubados pelos proprietários das empresas para as quais trabalhamos. E essas são apenas algumas semelhanças dos fins do século XIX e dos dias de hoje.

fonte:

Faísca Publicações Libertárias

2009/04/30

1º de maio


Todos os anos nos deparamos com as tais festas do Primeiro de Maio, promovidas pelas grandes centrais sindicais e que enchem praças e avenidas com milhares de pessoas. Com o objetivo de atrair o público, em meio aos shows de artistas famosos, sorteiam até carros e apartamentos.

Esquecemos, no entanto, que as origens dessa data tão importante marcam a luta dos trabalhadores contra as mazelas do capitalismo e suas brutais conseqüências sobre homens e mulheres.

Como sempre, a história é contada pelos vencedores, e assim também aconteceu com a história do Primeiro de Maio, que até hoje não é muito conhecida. A mobilização dos operários de Chicago e de outros lugares do mundo aos fins do século XIX, reivindicando a jornada diária de oito horas de trabalho refletia uma luta contra o sistema capitalista e as péssimas condições a que estavam submetidos os trabalhadores.

A relevância atual desse tema é que os motivos que levaram a essa mobilização não mudaram tanto de lá para cá. Continuamos a viver em uma sociedade em que reina o desemprego e que esse serve de base para que salários cada vez mais baixos sejam pagos aos trabalhadores, e que o medo da perda desse emprego seja um fator que muitas vezes impede o trabalhador de se mobilizar politicamente. Continuamos a viver em uma sociedade em que impera a pobreza e a fome de muitos, para o benefício e a prosperidade de poucos.

Ainda não temos o controle completo sobre nosso trabalho. As decisões sobre aquilo que nos afeta ainda estão conferidas a outros. Ainda não recebemos todos os frutos de nosso trabalho, que são roubados pelos proprietários das empresas para as quais trabalhamos. E essas são apenas algumas semelhanças dos fins do século XIX e dos dias de hoje.

Aos finais do século XIX, os Estados Unidos continuavam sua crescente onda de crescimento econômico, em grande medida, impulsionados pelos efeitos da Guerra de Secessão. A possibilidade de empregos nas fábricas, atraia estrangeiros e nativos. No entanto, as condições de trabalho eram precárias ao extremo.

Em nome do lucro, os líderes capitalistas faziam com que homens e mulheres trabalhassem 12, 14 e até 17 horas por dia, em ambientes sem qualquer condição para o trabalho: muitos não tinham ventilação e iluminação adequada, eram extremamente sujos, etc.. Nem as crianças e mulheres grávidas eram poupadas.

O desenvolvimento da crescente industrialização, das precárias condições de trabalho e das organizações operárias, criava um ambiente propício para a mobilização, com o objetivo de melhorar as condições de vida. Oscar Neebe, conhecido militante anarquista desse período, fez uma descrição do contexto da época em sua autobiografia:

“Eu trabalhava numa fábrica que fazia latas de óleo e caixas para chá. Foi o primeiro lugar em que vi crianças de 8 a 12 anos trabalharem como escravos nas máquinas. Quase todos os dias, acontecia de um dedo ser mutilado. Mas o que isso importa... Eles eram remunerados e mandados para casa, e outros tomariam seus lugares. Acredito que o trabalho infantil nas fábricas tenha feito, nos últimos vinte anos, mais vítimas do que a guerra com o sul, e que os dedos mutilados e os corpos destroçados trouxeram ouro aos monopólios e produtores.”

É dentro desse contexto que se dá o movimento reivindicativo que marcou na História essa importante data do Primeiro de Maio. Há anos, existia a idéia de que o dia dos trabalhadores deveria ser dividido em três partes: oito horas para o trabalho, oito horas de sono e oito horas para o lazer e o estudo.

No ano de 1884, a Federação dos Sindicatos Organizados dos Estados Unidos e do Canadá (precursora da Federação Americana do Trabalho - AFL) declarou que a partir do dia 1 de maio de 1886, a jornada de oito horas de trabalho passaria a vigorar, apesar dos capitalistas afirmarem que isso era impossível.

Esse movimento, na realidade, refletia uma das reivindicações centrais dos movimentos operários da época, e continuava a mobilização já iniciada anteriormente em países como Inglaterra, França e Austrália. As adesões para o movimento foram muito grandes, já que a reivindicação central era comum a todos os trabalhadores.

Um pouco antes do tão esperado Primeiro de Maio de 1886, milhares de trabalhadores haviam aderido a luta pela redução da jornada. “Brancos e negros, homens e mulheres, nativos e imigrantes, todos estavam envolvidos.”

No dia 01 de maio de 1886, as ruas de Chicago foram tomadas pelo povo, em protestos e greves cujo objetivo central estava na redução da jornada de trabalho. Chicago, na época, era o principal centro de agitação política dos EUA e os anarquistas exerciam a maior influência no movimento.

De acordo com o relato de um jornal da época “não saia qualquer fumaça das altas chaminés das fábricas e dos engenhos, e as coisas assumiam uma aparência de sabá (o sábado judeu)”. Entre 80 e 90 mil pessoas saíram às ruas em apoio ao crescente movimento somente na cidade de Chicago. Grandes manifestações com mais de 10 mil pessoas também aconteceram em Nova York e Detroit.

Aconteceram reuniões e comícios em Louisville, Kentucky, Baltimore e Maryland. Estima-se que por volta de meio milhão de pessoas tenha tomado parte nas manifestações do Primeiro de Maio nos EUA. Estima-se também, que por volta de 1200 fábricas entraram em greve em todo o país em apoio ao movimento.


texto completo in:

2008/11/30

indicação de leitura


A IDÉIA DOS SOVIETES

Miguel Bakunin, antecipando-se as mazelas dos regimes/ sistemas totalitários (taylorismo, nazismo, fordismo, stalinismo, toyotismo, fascismo, bolchevismo, mayoísmo, castrismo, leninismo, maoismo e outros tantos de igual matiz) que permearam o século XX e se estende anacronicamente até ao atual, ponderou:
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"Liberdade sem socialismo é privilégio e injustiça; socialismo sem liberdade é escravatura e brutalidade."

Essas ponderações bakunianas levam-nos a um velho ditado popular que propõem a separação entre alhos e bugalhos. Faz-se, portanto, necessário recitá-lo sempre que ouvirmos falar da impossibilidade prática de comungarmos socialismo e liberdade...

Visto que o sistema de verdades absolutas – proposto pelos ideólogos do capitalismo – tenta a todo custo impor a impossibilidade de uma convivência harmoniosa entre ambos. E que em alguns momentos são tratados, pelos referidos 'senhores da verdade', como termos antagônicos na sua própria essência libertária.
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E por crer na possibilidade real de um passo à frente na construção de relações não-autoritárias, como nos incita a pensar a Hannah Arendt (in A Condição Humana): "Passava a haver certa diferença somente naqueles momentos, raros e decisivos, em que, no decorrer do processo revolucionário, ficava claro de repente que, se não fossem comandados por programas e ideologias partidárias oficiais, os operários desenvolveriam idéias próprias quanto às possibilidades do governo democrático em condições modernas. Em outras palavras, a linha divisória entre o econômico e o político não é uma questão de radicalidade das reivindicações econômicas e sociais, mas exclusivamente da proposição de nova forma de governo."
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É mais do que justa, portanto, a divulgação deste relesse sobre o livro de Pano Vassilev que foi recentemente publicado em consórcio firmado entre as editoras organizadas pelos compas Plínio/ IMAGINÁRIO e Raphael/ FAÍSCA:

"Neste livro, o autor búlgaro desenvolve a idéia dos sovietes, mostrando suas origens e distanciando-a daquilo que ficou conhecido no século XX com o desenvolvimento da União Soviética.
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Para Vassilev, a origem dos sovietes é libertária e possui raízes nas experiências libertárias dos séculos XIX e XX, não possuindo nada em comum com o “sistema soviético”, concretizado de maneira autoritária e centralista, que submeteu as diversas localidades da Rússia revolucionária a um poder central de Moscou.

Vassilev defende que a idéia dos sovietes, ao contrário, é uma nova organização social, 'livre e comunista, com a regulação da produção e da distribuição dos bens na futura sociedade por meio de encontros, reuniões de trabalho entre delegados diretos, sempre substituíveis e desprovidos de qualquer poder, das organizações profissionais e dos centros de distribuição.'

Ele continua: 'esta idéia nada tem em comum com o caráter próprio dos bolcheviques, sua tendência estatista e seu sistema ditatorial na regulamentação da vida social.' Vassilev trabalha a origem e o desenvolvimento histórico desta idéia dos sovietes, passa por seu surgimento, pela evolução da idéia dos conselhos na Rússia e das relações dos anarquistas russos com ela."

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saiba mais (vendasfaisca@riseup.net):

A IDÉIA DOS SOVIETES,

por Pano Vassilev;

Editora Imaginário & Faísca