"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2009/09/15

seminário ferrer y guàrdia -- 100 anos

Francisco Ferrer (1859-1909) nasceu em Barcelona, numa família de camponeses católicos. A educação religiosa e autoritária que ele sofreu na escola de sua aldeia gera em seu coração uma revolta que permanecerá sempre vivaz: "Eu só tinha" diria posteriormente, "de fazer o contrário do que vivi".

É sucessivamente fazendeiro, empregado numa fábrica de tecidos em Barcelona – onde é tocado pelas idéias anarquistas disseminadas entre o proletariado da cidade catalã – e ferroviário; milita no movimento republicano e anticlerical. Tendo participado de uma manifestação contra a monarquia em 1886, é obrigado a expatriar-se e se junta em Paris aos meios anarquistas.

É ali que se afirma sua vocação pedagógica ao dar aulas particulares de espanhol para sustentar sua família. Publica inclusive um tratado de espanhol prático. Milita igualmente no movimento maçônico. Viaja pela Itália, Suíça e Bélgica interessando-se por todas as experiências de inovação pedagógica. Munido dessa bagagem e à frente de uma herança considerável deixada por uma admiradora, retorna à Espanha em 1901, e decide fundar a "Escola Moderna" com a qual sonha.

Para isso, deve vencer muitas prevenções e resistências; mas sua tenacidade supera todos os obstáculos. O sucesso ultrapassa todas as expectativas: em 1908 há dez "escolas modernas" em Barcelona, quase cento e cinqüenta na Catalunha, estabelecimentos em Madri, Sevilha, Granada, Cádis... Sua irradiação ultrapassa as fronteiras da Espanha e escolas Ferrer são fundadas em Portugal, no Brasil, Suíça e Holanda.

A escola moderna é mista e aberta a todos os meios (conquanto paga, o preço da pensão varia em função da renda dos pais); ela é laica e bane todo ensino religioso. Enfim, é também racional e científica.

Dotada de uma biblioteca, de uma tipografia, de um serviço de edição que publica manuais e obras pedagógicas, ela aparece como um foco intenso de cultura popular. Ferrer quer que ela seja um instrumento de emancipação e propagação das idéias libertárias diante do "adestramento" do ensino oficial de educação, "poderoso meio de subjugação nas mãos dos dirigentes", que habitua as crianças "a obedecer, a crer, a pensar segundo seus dogmas sociais que nos regem".

Para ele, o ensino deve ser uma força a serviço da mudança: "queremos homens capazes de evoluir incessantemente, capazes de destruir, renovar constantemente os meios e renovar-se a si mesmos".

Assim, o principio fundamental da Escola Moderna é a liberdade da criança; ela esforça-se para respeitar seu movimento natural, sua espontaneidade, as características de sua personalidade; quer desenvolver sua independência, seu juízo, seu espírito critico; "prefiro", diz Ferrer, "a espontaneidade livre de uma criança que não sabe nada, à instrução de palavras e à deformação intelectual de uma criança que sofreu a educação atual".

Inspirando-se na educação integral de Robin, dá um amplo espaço às atividades físicas e manuais. Sua pedagogia não apela nem para a coação, nem para a competição: "na escola moderna não há recompensa nem castigo" (...) também não há exames para inflar algumas crianças com o título lisonjeiro de "excelentes", distribuir a outros o título vulgar de "bons" e rejeitar o resto na consciência desafortunada da incapacidade e do fracasso.

Ao lado da experiência pedagógica da escola moderna, Ferrer esforça-se para dar uma vasta difusão às idéias que o animam e para coordenar os esforços conduzidos em diferentes países. Foi assim que em 1908 foi criada uma revista internacional L'École Rénovée, na qual são discutidas "todas as idéias e todas as tentativas que concernem à renovação da escola" e onde se encontra, além da assinatura de Ferrer, a de Kropotkin, Robin, Domela Nieuwenhuis, Ellen Key, Willian Heaford e a maioria dos pedagogos libertários da época.

Ao mesmo tempo, ele quer dar uma audiência internacional à liga da educação libertária de Robin e suscita a organização de uma liga para a educação racional da infância cujos objetivos são: dar ao ensino uma base científica e racional, defender a idéia de uma educação completa e harmoniosa, englobando "a formação da inteligência, o desenvolvimento do caráter, a cultura da vontade, a preparação de um ser moral e físico bem equilibrado" e assentar a pedagogia sobre um conhecimento da psicologia da criança.

Como a de Robin, a obra de de Ferrer chocou-se contra vivas resistências e sofreu ataques violentos. Ele próprio foi preso pela primeira vez em 1906, mas absolvido. Em 1909, momento de grande efervescência na Catalunha é novamente detido, julgado a portas fechadas por um conselho de guerra, condenado à morte e executado; seu ultimo grito é: "viva a escola moderna".

Sua morte provoca uma profunda emoção pelo mundo, em todos os meios da pedagogia libertária, na medida da influência que ele tinha exercido.


Referência Bibliográfica:

SAFÓN, Ramón. O racionalismo combatente de Francisco Ferrer Y Guardia. Imaginário. São Paulo. 2003.

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*16 de março de 2006.


http://www.faced.ufba.br/rascunho_digital/textos/548.htm

2009/04/18

seminário ferrer y guàrdia -- 100 anos


Está sendo gestado um seminário sobre os cem anos do fuzilamento pela Monarquia Espanhola do criador da Escola Moderna/ Racionalista. Portanto, reserve um espaço especial na sua agenda para outubro de 2009, na cidade de Salvador/ Bahia.
Falamos, pois, do espanhol Francisc Ferrer Y Guàrdia (1849-1909), que em muito influenciou a pedagogia atual com seus métodos racionalistas de ensino em que a razão é uma opção segura para se chegar ao saber, mas que deve ser apoiada no prazer da experimentação, pela procura por caminhos novos e ainda não trilhados.
Opõe-se, Ferrer, ao sistema educacional virgente onde imperava somente os dogmas e as convenções da igreja católica, e que asseguravam a doutrinação explicita dos indivíduos para a servidão; bem como a sujeição da sociedade aos interesses do Capital, da Igreja e do Estado.
Ferrer, eis uma figura que marcou de forma inquestionável os movimentos pedagógicos libertários que primam pela liberdade individual intermediada pela solidariedade construída na ação direta dos coletivos autogeridos e autônomos.

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FRANCISCO FERRER Y GUARDIA
por José Damiro de Moraes
Nasceu em Alella, uma pequena cidade próxima de Barcelona, a 11 de janeiro de 1849, filho de uma família católica de camponeses. Junto com sua mãe freqüentou a Igreja, participando do coro de crianças e recebendo uma educação religiosa.

Aos 14 anos foi trabalhar em uma loja em Barcelona onde seu patrão, um livre pensador, sofrera com o clericalismo. Este contato foi fundamental para tornar Ferrer um livre pensador anticlerical. Até os 20 anos dedicou-se ao trabalho a aos estudos.

Conseguiu trabalho na Companhia dos Caminhos de Ferro do Norte de Espanha e casou-se com Teresina Sanmarti. Em 1884, aos 35 anos, Ferrer entrou para a Maçonaria, iniciando-se na Loja La Verdad de Barcelona. Sua primeira filha foi batizada a pedido da sua esposa, recebendo o nome católico de Trinidad. Suas outras filhas receberam os nomes de Pax, Luz e Sol.

Em 1886, a tentativa revolucionária em implantar a república na Espanha fracassou. Ferrer, envolvido no movimento, escapou das investigações policiais, mas foi considerado suspeito. Sentindo-se ameaçado, fugiu para Paris com a sua família, vindo tornar-se secretário de Ruiz Zorrilla, chefe do partido republicano espanhol.

Em Paris, filiou-se a Loja Maçônica Francesa, manteve contato com exilados espanhóis – socialistas, republicanos e anarquistas. Também produziu e traduziu obras que criticavam a influência do clero espanhol, enviando-as para distribuição na Espanha.

Ainda na França morreram dois dos seus filhos. Em 1893, seu casamento chega ao fim. O Tribunal de Sena proferiu a separação, e as filhas ficam com a mãe. Posteriormente, Ferrer voltou a cuidar das meninas, até que uma delas volta para junto da mãe em S. Petersburgo. Então o educador encarrega-se da educação da outra filha, levando-a para a Austrália.

De volta a Paris em 1894, ganha a vida dando aulas de espanhol, primeiro de forma autônoma, depois junto a Associação Politécnica, a convite do seu diretor. Do ano seguinte até 1898 leciona também no Liceu Condorcet. Durante estes anos foi amadurecendo a idéia da criação da
Escola Moderna.

A concretização da escola foi possível pela herança deixada por uma ex-aluna, admiradora do seu pensamento, Srta. Ernestina Meunier. Conheceu Léopoldine Bonnard, jovem que era companheira e amiga da Sra. Meunier. Com ela teve um filho, Riego, nome de um revolucionário que Ferrer admirava. Inicia a escolha de professores e mestres para a Escola Moderna. Posteriormente separa-se de Léopoldine, que vai para Londres com o filho Riego.

Conheceu Soledad Villafranca, jovem professora da
Escola Moderna, que se tornou sua última companheira. Criou uma casa editorial para produzir os livros que seriam destinados às escolas, além de uma revista intitulada A Escola Renovada.

Finalmente, em Barcelona, foi fundada em agosto de 1901 a primeira
Escola Moderna, totalizando trinta alunos, doze meninas e dezoito meninos. Logo no final do primeiro ano de funcionamento, o número de alunos chegava a setenta, organizados em quatro sessões, segundo a idade: a primeira para crianças menores, a segunda elementar, a terceira elementar superior e a quarta normal para os adultos.

Aos domingo funcionava uma universidade popular acessível a todos.

leia mais, saiba mais:
http://www.histedbr.fae.unicamp.br/navegando/glossario/verb_b_francisco_ferrer_y_guardia1.htm