"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2012/06/12

extraindo conceitos


O que é anarquismo?
Coletivo Anarquista de Piracicaba e Região



A maioria das pessoas possui uma concepção errada a respeito do que é anarquismo. Imaginam anarquistas como bagunceiros que fazem atentados a bomba e que se vestem de forma esquisita. Na verdade, estes são apenas estereótipos que foram disseminados por aqueles que não desejam que o povo saiba sobre o que realmente é a ideia anarquista. Ao contrário do que prega o senso comum, anarquia não tem nada a ver com caos, e sim com ordem. Somos pessoas normais, que trabalham, que estudam, que têm família, amigas e amigos, que amam e que sofrem, que lutam. A única coisa que nos diferencia é o nosso desejo de libertação.

O anarquismo, também conhecido como socialismo libertário, é um movimento de justiça social, que deseja acima de tudo a liberdade para os indivíduos, buscando, assim, o fim de todas as formas de autoridade, hierarquia e violência. Para isso, propõe a eliminação dos governos, da economia capitalista e de qualquer tipo de exploração, opressão e preconceito. Em seu lugar, deseja a criação de uma sociedade justa e igualitária baseada no respeito, na solidariedade e no apoio mútuo, onde os indivíduos sejam educados para agir de forma ética visando o bem-estar de toda a comunidade. Ao invés das pessoas serem obrigadas a trabalhar para um patrão, detentor das fábricas, das máquinas, dos escritórios e das matérias primas, elas trabalham para si mesmas, objetivando a satisfação das necessidades da comunidade ao invés do lucro. A propriedade privada dos meios de produção é abolida e são criados armazéns públicos, para os quais cada pessoa contribui de acordo com sua capacidade e deles recebe de acordo com sua necessidade.

Em uma sociedade anarquista, não há a falsa democracia representativa atual, onde o povo é obrigado a escolher um político como porta-voz. No anarquismo, há democracia direta, onde cada indivíduo representa a si mesmo com a sua própria voz, a qual é ouvida e respeitada em assembleias que reúnem toda a população. O anarquismo objetiva a autonomia do indivíduo e a autogestão da sociedade, com a própria comunidade coordenando sua vida social, política e econômica por meio de coletivos, livres da interferência de autoridades. Dessa forma, não há políticos, pois é o próprio povo quem toma as decisões e as executa coletivamente. Anarquistas, portanto, acreditam na ação direta, a atividade sem intermediadores.

O anarquismo não defende a criação de partidos para a tomada do poder, pois é tanto contra a ditadura do capital quanto contra a ditadura do proletariado marxista. Nós nos organizamos pelo federalismo, onde indivíduos se unem em grupos, estes grupos se unem em federações, as federações em confederações, e assim por diante. Somos internacionalistas e formamos grandes redes de solidariedade mundial que atravessam quaisquer linhas geográficas imaginárias, sem a necessidade de nenhuma posição de chefia. Milhões de pessoas espalhadas por todo o mundo lutaram pela implementação desta forma de organização social. Entretanto, a resistência anarquista foi enfraquecida no século XX devido principalmente à repressão vinda de regimes totalitários como o fascismo, o marxismo-leninismo e as ditaduras militares, além das severas punições sofridas nas mãos da burguesia capitalista. O movimento atualmente se encontra em fase de reorganização.




Algumas pessoas acreditam que esta seja apenas uma ideia bonita, um sonho muito difícil de ser posto em prática. Entretanto, ao longo da história moderna, esta forma de organização já foi posta em prática algumas vezes, atingindo em alguns casos a participação de até vários milhares de pessoas. No final do século XIX, a Comuna de Paris foi levantada sobre vários princípios anarquistas, como o federalismo. Algumas décadas depois, em 1919, no início da Revolução Russa, o povo camponês da Ucrânia combateu o governo soviético e coletivizou o campo, vivendo em autogestão por diversos meses. Pouco mais de uma década e meia mais tarde, em 1936, ocorreu a Revolução Espanhola, o ponto mais alto da história anarquista, em que, mesmo sob ataque dos exércitos nazifascistas, as fábricas e os campos foram coletivizados em larga escala. Nos dias atuais, o anarquismo é declarado na comunidade de Christiania [bairro localizado na cidade de Copenhagen], na Dinamarca, que sobrevive independentemente de qualquer Estado. O anarquismo também tem bastante influência sobre o movimento indígena zapatista e sobre a Comuna de Oaxaca, ambos no México. Foi conquistado até mesmo um feriado internacional, o primeiro de maio, um dia de luto pela execução de anarquistas de Chicago em 1886. Se no começo de sua história o anarquismo ainda poderia ser visualizado em um plano meramente teórico, hoje ele é o resultado de quase 2 séculos de experiência e aprimoramento da prática libertária.

No Brasil, uma das primeiras manifestações do espírito libertário pode ser encontrada no Quilombo dos Palmares, o qual apresentou diversos pontos de acordo com os princípios anarquistas. Mais tarde, foi experimentado na Colônia Cecília, a qual reuniu várias famílias imigrantes italianas para uma vida livre e igualitária em uma região camponesa do Paraná. Nas primeiras décadas do século XX, o movimento libertário brasileiro alcançou diversas melhorias trabalhistas para o operariado. A greve geral de 1917 em São Paulo foi mobilizada por militantes anarquistas e permanece como a maior da história brasileira. A ditadura militar não nos enfraqueceu e o movimento perdura até os dias atuais, encontrando-se em ascensão.

* Organizemo-nos pela liberdade, pela justiça e pela igualdade!

* Organizemo-nos pela anarquia!

2012/06/11

extraindo conceitos


 O novo consenso da direita financeira  
Bruno Lima Rocha

(Federação Anarquista Gaúcha)




Para a imprensa mundial, a chamada crise é resultado dos gastos públicos com direitos e garantias sociais. A revista The Economist tachou de perigosa a candidatura do socialista francês François Hollande. O agora presidente eleito representava, até então, o confronto entre o populismo e a austeridade. Em setembro de 2008 o mundo informado assistia catatônico ao fenômeno que, nas ruas de Madri, ganhara a alcunha de "farsa com nome de crise". Então, ao longo dos doze meses anteriores, o que era mais um produto de "risco" dos agentes do cassino financeiro, se transformara na "mãe de todas as bolhas". A ideia parafraseava a consigna e bravata de Saddam Hussein, quando disse ao ex-presidente George H. W. Bush e, uma dúzia de anos depois, repetira-a para seu filho, afirmando ter o poder de enfrentar a "mãe de todas as batalhas". Existe uma semelhança nos dois momentos históricos recentes. Na política externa, Bush Jr. e seu gabinete de falcões vinculados a indústria do petróleo (como Dick Cheney e Condoleezza Rice), ampliara o conceito de Guerra contra o Terror. Com a ofensiva militar em escala global, veio o período máximo da "exuberância irracional" dos apostadores financeiros. Deu no que deu e nesta senda Barack Obama ganhou as eleições de novembro de 2008.


Trata-se de dois consensos forjados na base do consentimento e através da forja de meias verdades. O primeiro e já deveras estudado foi o golpe midiático de Bush Jr. Manipulando o pânico dos EUA pós-11 de setembro, conseguiu a autorização para a guerra atropelando ritos parlamentares (fast track), aprovando o Patriot Act (Ato Patriótico) e criando o Ministério do Interior (DHS, Department of Homeland Security). A lista dos absurdos rendeu pérolas do cinema, como Farenheit 9/11 (Michael Moore, 2004, EUA) e um livro já clássico em português, A Desintegração Americana (Record, 2006), do Nobel de Economia Paul Krugman, sendo ele próprio colunista do New York Times e um quase arrependido da globalização a todo custo. Após oito anos de Bush Jr. o Império estava com uma em cada três brigadas operando no exterior, uma crise sem precedentes e os reflexos agudos da infra-estrutura produtiva parasitária baseada em capital fictício.



Esta conta seria paga com a "mãe de todas as bolhas". Para sair desta encruzilhada, os EUA foram beber em sua democracia multirracial (melting pot), parindo a versão de um Kennedy afro-descendente. Barack Hussein Obama fez campanha sentimental, organizou uma transição e os primeiros seis meses de governos baseados na cartilha pós-New Deal (2nd Bill of Rights, 2ª Carta de Direitos, de Franklin Delano Roosevelt, jamais executada) e pouco a pouco foi contemporizando com os agiotas e apostadores do cassino financeiro. Tal pacto é exemplarmente demonstrado no filme Trabalho Interno (Inside Job, de Charles Ferguson, 2010, EUA), dando carne ao conceito de teoria das portas giratórias, provando como grandes tubarões de Wall Street continuaram ocupando postos-chave. Um exemplo é a presença em seu governo do professor de economia de Harvard, Larry Summers, homem forte da desregulação promovida por Ronald Reagan. Pouco a pouco os níveis de lucro dos grandes operadores financeiros foram sendo retomados, sendo que a conta grande fora paga na rolagem da astronômica dívida interna do Império, e na bola de neve contaminante das instituições bancárias europeias.



Quatro anos depois, o consenso da direita financeira é forjado no outro lado do Atlântico. Liderados por The Economist, replicado por dezenas de meios massivos e plataformas multimídia (como Bloomberg, CNN e o Grupo Prisa espanhol), a versão válida, a ideia pensável como nos explica Noam Chomsky é remodelada. No último trimestre de 2008 parecia que a face mais crua do capitalismo estaria exposta. Não, pois através dos acordos entre mídia, operadores financeiros e tomadores de decisão, a conta veio sendo paga pelo modelo mais sano dentro deste marco civilizatório de lucro e diferenciação social. O Estado de Bem Estar Social (ou o que dele restara) passa a ser o alvo. O argumento é simples. A conta dos direitos e garantias sociais para uma população que produz pouco e ganha relativamente bem, não fecha. A Europa não é competitiva diante dos BRICs (Brasil, Rússia, China e Índia) é preciso um pacto supranacional, traçado pelo triunvirato da Comissão Econômica Européia, o Banco Central Europeu e o FMI, imposto ao Parlamento Europeu em Bruxelas.



Um bom exemplo está na França. Em 06 de maio deste corrente ano o "socialista" François Hollande vence na urna ao presidente Nicolas Sarkozy, da centro-direita UMP, pós-gaullista. Antes de Hollande se oficializar como candidato do PS francês, o então favorito era o ex-diretor geral do FMI Dominique Strauss Kahn (DSK). Ou seja, se o presidente eleito francês sucede o controverso DSK, perigo sistêmico algum estava à vista. Certo? Não para a revista The Economist, que fizera um alardeio, considerando um "risco" o fato de que o novo chefe do Poder Executivo da segunda economia da Zona Euro (França, atrás apenas da líder Alemanha) seria mais suscetível as pressões "populistas" vindas das ruas e dos sindicatos. A eleição francesa e a pulverização do parlamentarismo grego (cujo pleito também foi na mesma data) representavam, segundo a narrativa da revista, respectivamente, a quebra da "austeridade" vigiada por Angela Merkel (chanceler alemã) e a ingovernabilidade na periferia da Comunidade Européia.



Pura inversão dos fatos e responsabilidades. Após quatro anos, a "farsa com nome de crise" teria como causa alegada a elevação dos gastos públicos e o endividamento. O problema é que estes crescem na medida da destinação estatal dos recursos coletivos para salvar bancos e fundos de risco. Para quem vive de salário, a "austeridade" pública implica ganhar menos, tardar a aposentadoria e viver sem perspectiva. Eis o novo consenso da direita financeira e seus ideólogos midiáticos.



http://www.anarkismo.net

2012/06/06

indicação de leitura



"Ideologia e Estratégia:


anarquismo, movimentos sociais e


 poder popular"




No início desse ano, a Faísca Publicações Libertárias lançou um novo livro:

"Ideologia e Estratégia: anarquismo, movimentos sociais e poder popular",
de Felipe Corrêa. 240 páginas, 14X21, R$ 40,00.

O livro pode ser adquirido pelo site da editora Imaginário: www.editoraimaginario.com.br, por meio do qual se pode comprar por cartão ou boleto bancário.

Em breve o livro entrará no site da cooperativa Faísca,
http://www.lojamais.com.br/faisca. Em caso de interesse, é possível escrever para vendasfaisca@gmail.com e fazer o pedido por e-mail, com a compra via depósito em conta.

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Os três artigos que compõem Ideologia e Estratégia articulam-se em torno de dois eixos: ideologia e estratégia. No que diz respeito à ideologia,
buscam pensar o anarquismo de maneira séria e honesta teoricamente, evidenciando teorias clássicas, trazendo discussões contemporâneas e refletindo criticamente sobre o material analisado.

Buscam apresentar ao público em geral, e também àqueles com afinidades ideológicas, um anarquismo que seja digno de respeito no campo da esquerda e do socialismo; um anarquismo que possa retomar sua intensa e honrosa história de lutas que tiveram grande influência nos mais distintos movimentos populares em todo o mundo; um anarquismo que possa ter relevância política e, incidindo sobre a realidade, impulsioná-la no sentido desejado, mudando a correlação de forças que hoje compõe a sociedade e, passo por passo, entre conquistas de curto prazo, poder chegar aos objetivos revolucionários e socialistas de mais longo prazo. No que diz respeito à estratégia, proporcionar aos libertários – anarquistas ou não, organizados politicamente ou não – plataformas possíveis para intervenção nos distintos campos da luta de classes. Ou seja, elementos programáticos que possam potencializar hoje a construção da sociedade que queremos amanhã.

Ideologia e Estratégia é um livro saído do calor das lutas, buscando, em
um movimento que se poderia chamar dialético, formalizar teoricamente uma série de conhecimentos que foram apreendidos tanto em teoria quanto em prática, de maneira que essa teoria agora produzida possa, em um futuro breve, retornar como contribuição às lutas e movimentos de nosso povo.