"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

........

2010/02/19

extraindo conceito__26

O SUFRÁGIO UNIVERSAL

Francisco Trindade

Nunca me esqueci das palavras de Proudhon: "o sufrágio universal é a meu ver uma verdadeira loteria."

A democracia representativa é um sistema no qual as pessoas são espectadores e não atores. A intervalo regulares, têm o direito de colocar um boletim na urna, de escolher alguém dentro da classe dos chefes para os dirigir.

Depois, espera-se que voltem para casa e tratem dos seus assuntos, consumam, vejam televisão, cozinhem e, acima de tudo, não incomodem. É isso a democracia em que vivemos.

Este é o nosso ponto de vista. Este é o nosso ponto de partida.

A democracia que defendo é aquela em que toda a forma de autoridade, de hierarquia, deve ser posta em causa e deve provar o seu fundamento. Não há auto justificação que seja aceitável.

Isto é de igual modo válido para as relações entre os pais e os filhos, os homens e as mulheres, no mundo do trabalho ou entre os Estados. É necessário referenciar todas as formas de autoridade e fazer com que as mesmas justifiquem a sua existência.

Este é o nosso ponto de vista. Este é o nosso ponto de partida.

Algumas dessas formas de autoridade têm fundamento. Assim, as relações entre uma mãe e o seu filho são de natureza autoritária.

Mas toda a forma de autoridade que não pode provar o seu fundamento é ilegítima, e temos o direito de a derrubar. Isto é verdade a todos os níveis, desde as relações individuais até às relações internacionais.

Este é o nosso ponto de vista. Este é o nosso ponto de partida.

Ao contrário de alguns "livre pensadores" que advogam o voto em branco, vamos responder massivamente com a greve eleitoral, não pondo sequer os pés nos locais de voto, mostrando assim, que não pactuamos com este sistema injusto e caduco.

"o sufrágio universal é a contra-revolução" - Proudhon.

Este é o nosso ponto de vista. Este é o nosso ponto de partida.

Para que me serve todas estas eleições? Para que necessito eu de mandatários, assim como de representantes? E se é preciso explicar a minha vontade, não o poderei fazer sem o auxílio de ninguém?

O homem que solicita os meus sufrágios é um homem desonesto, porque em troca da situação e da fortuna a que o conduzo, promete-me uma série de coisas que não me vai dar e que além disso, nem sequer estaria em seu poder dá-las.

O homem que elevo não representa nem a minha miséria, nem as minhas aspirações, nem nada de mim; não representa senão as suas próprias paixões e os seus próprios interesses, que são contrários aos meus.

Não penso, nem para me reconfortar nem para me dar esperança que depressa seriam desiludidas, que o deplorável espetáculo a que assistimos hoje é particular de uma época ou de um regime e que isso passará.

Neste sentido todas as épocas se equivalem, tal como todos os regimes, ou seja, não, não valem nada.

Quando foi criada a democracia indireta, representativa, formal, nominal ou burguesa, ao fim e ao cabo tão indireta e tão pouco representativa como qualquer ditadura, indispensável, não obstante, à gestão e proteção corretas e correntes dos bens dos possidentes [grande proprietário de terras] não foi tido em conta o grande perigo que a ameaça: a abstenção ativa, consciente.

Numa palavra: a greve eleitoral, a fuga à delegação de poderes, que em si não basta, no entanto, e deve ser imediatamente seguida ou acompanhada da gestão generalizada e direta de todos os aspectos da vida social desalienada.

Este é o nosso ponto de vista. Este é o nosso ponto de partida.


texto integral in:

ANOVIS ANOPHELIS

(SÁBADO, JUNHO 06, 2009).



Um comentário:

Dan disse...

A charge representa inteiramente o que sinto quando voto, neste país de voto obrigatório.