"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2012/05/07

extraindo conceitos

[...]
panfleto:
A luta contra o fascismo começa por um combate contra o capitalismo!

[...]
Com o desenvolvimento do capitalismo, a ameaça fascista se torna de novo real: cada ano [...] tem lugar assassinatos motivados pelo ódio racial, nacionalismo. Engendrando as desigualdades econômicas e sociais, o capitalismo, afim de se proteger, põe gente de diferentes nacionalidades uns contra os outros deslocando o descontentamento contra o poder e o capitalismo num terreno de ódio nacional. De certa forma, o sistema capitalista se protege contra a ira das populações que explora. As vítimas do terror nazi/fascista são igualmente vítimas no sistema capitalista: sindicalistas, militantes dos movimentos sociais e de partidos de oposição, antifascistas, ativistas sociais.
O fascismo mata e o capitalismo prospera!
Ao longo do século XXI, para toda pessoa sensata, tornar importante a luta contra a opressão e a exploração, contra a injustiça social e as desigualdades, contra o fascismo e o capitalismo!
Autogestão e Socialismo e Liberdade!
Tradução > TAZ
agência de notícias anarquistas-ana
Úmida gruta
desejo toma corpo
boca na fruta
Carlos Seabra

2012/04/09

extraindo conceitos

[Grécia]:









reafirmam-se os princípios libertário em 
manifestação contra o "estado de 
emergência"
"Consenso ou quebra"

A ofensiva da Dominação se expande e golpeia. Os patrões 
políticos e econômicos, tendo imposto há dois anos um 
"estado de emergência", semeia restos humanos para 
"reconstruir" a sociedade sobre novas bases, mais disciplinar, 
mais rentável e benéfica para eles. Seu objetivo é a 
escravização de todos nós. Com "golpes parlamentar" 
coalizões de governos que se juntam para impor o silêncio 
social com os novos memorandos de submissão e de saques 
que estão preparando. Com "diálogos sociais" dos "parceiros 
sociais", com a propaganda enganosa e intimidatória diária dos 
meios de comunicação e com a constante invocação da "Troika¹ 
que está exigindo" querer contornar a raiva social acumulada.

Nos declararam a guerra e nos pedem que mantenhamos 
a paz

Confronto e ruptura com o Estado, o Capital, os mecanismos 
supranacionais de Dominação. Agudização das lutas sociais de 
classes sem líderes, nas ruas, praças, em todos os campos da 
vida cotidiana. Comunidades auto-organizadas de resistência e 
solidariedade em todos os lugares, nos bairros, locais de 
trabalho e escolas, nas assembleias de desempregados. Detenção 
dos fenômenos degenerativos de fascistização social que estão se 
desenvolvendo nas antípodas da radicalização social. Sem falsa 
ilusão sobre as propostas (socialdemocratas ou de esquerdas) de 
embelezamento e maquiagem do sistema de exploração e 
submissão. Nenhuma Ilusão sobre o papel das eleições, os partidos, 
representação, a adjudicação [ato judicial ou administrativo, que 
dá a alguém a posse de determinados bens], as "brechas" parlamentar, 
as "alternativas" e "outros caminhos". A civilização da indigência 
material, de valores, espiritual e emocional não se melhora, é 
derrubada.

Revolta social generalizada

Para a perspectiva de uma sociedade auto-organizada de propriedade 
compartilhada, liberdade, igualdade, apoio mútuo. Sem poder e divisão
de classes, sem amos e escravos assalariados, sem patrões e 
empregados, sem líderes e seguidores, sem especialistas e ignorantes, 
sem hierarquia e discriminação baseada no sexo, raça, lugar de origem, 
preferência sexual. Tudo para todos, de cada um segundo suas 
capacidades, a cada um segundo suas necessidades.


Anarquistas dos bairros oeste de Atenas e Pireo
Thersitis (Ilion)
Sinialo (Egaleo)
Resalto (Keratsini)

[1] Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e União Européia.
agência de notícias anarquistas-ana
Um pingo de orvalho
vem rolando pela folha -
Vai-se a madrugada.
Alberto Murata

2011/09/15

extraindo conceitos

classe operária...

"[...]


A chamada classe operária não é uma realidade em si, como pensavam os marxistas e os leninistas. Se os trabalhadores aceitam como único horizonte de suas vidas a melhora da exploração salarial em troca de não questionar o sentido e o destino do que eles fazem para os outros gerenciarem, se aceitam como normal sua incapacidade atual de organizarem-se como produtores soberanos de suas vidas e, finalmente, que cada um se cuide como pode, a classe trabalhadora deixa de existir.



[...]"

tradução de a.n.a.  (agência de notí­cias anarquistas) diretamente do red protagónica observatorio crítico


2010/12/17

anarco-sindical


Após uma longa caminhada no deserto, a central anarcosindicalista espanhola comemora o seu centenário em um contexto marcado pelo crescimento e pela mudança de gerações.

"Para conseguir a sua independência a mulher precisa do trabalho, embora este seja penoso e mal remunerado. Propomos que o seu salário corresponda ao seu trabalho e com idêntica remuneração à do homem".

A declaração, que sem dúvida poderia pertencer ao manifesto do último 8 de Março, foi emitida em 1 de novembro de 1910. Juntamente as demandas que hoje pareceriam elementares, como a jornada de 8 horas ou o fim do trabalho infantil, faziam parte das resoluções do congresso de fundação da Confederação Nacional do Trabalho (CNT), um sindicato que anos mais tarde se tornaria na organização mais poderosa da classe trabalhadora espanhola.

Porém, longe se vão os "gloriosos anos" onde autênticos visionários como Juan Peiró ou Federica Montseny, atravessados por idéias comunistas libertárias, antimilitaristas, laicas e naturistas, deram lugar à chamada Revolução Social de 1936.

Longe de uma época na qual, com mais de um milhão e meio de filiados e em plena Guerra Civil, a CNT conseguiu coletivizar centenas de posses agrícolas e amplos setores industriais de Aragão e Catalunha.

Embora implantada em todo o país, com cerca de 10.000 militantes, a CNT, que está comemorando seu centenário, é um sindicato modesto, mas com grande projeção de futuro.

De acordo com o seu responsável de Comunicação, Miguel Á. Fernández, "após a travessia no deserto que se deu em meados dos anos 80, com o virar do século produziu-se um aumento significativo no número de filiados, algo que vem se consolidando e até mesmo aumentado exponencialmente nos últimos três anos".

Para trás ficou um período marcado por divisões e conflitos internos, um dos quais que levou ao surgimento da atual CGT.

O auge de algumas confederações regionais, como a da Galiza, da Catalunha ou da Andaluzia, "que atualmente estão imprimindo um ritmo frenético", e a criação de novos sindicatos (Santander, Gandía, Las Palmas...), atestam uma revitalização na qual a juventude é a protagonista.

Enquanto "a idade média de outros sindicatos é muito alta", na CNT "é uma nova geração de militantes, que têm uns 30 anos e estão assumindo tarefas de responsabilidade", conta Ana Sigüenza, secretária-geral da central de 2000 a 2003.

Para esta professora madrilenha, a primeira mulher no Estado espanhol que ocupou este cargo num sindicato de âmbito estatal, a atração que exerce a organização em muitos jovens têm sua origem em seu modelo sindical particular:

"Se defendes um sindicalismo tradicional eleitoralista haverão setores, muito desregulados e onde trabalha muita gente jovem, que vão ficar de fora, como a hotelaria, comércio, transporte ou comunicação".

Ao contrário das centrais majoritárias, a CNT, que tampouco aceita subvenções nem liberados, se opõe frontalmente à participar nas eleições sindicais e rejeita os comitês de empresa. Como alternativa, propõe a assembléia de trabalhadores e as seções sindicais.

Com estes princípios, não é de estranhar que, como afirma Miguel A. Fernandez, "a maior causa de conflito da nossa organização está nas médias empresas, onde há maior protagonismo, e logros sindicais estão sendo obtidos através de pactos extra-estatutários; em novos setores como arqueologia e florestais e, claro, no setor do trabalho temporário e precário que, por não se basear em eleições sindicais, foi abandonado pelos sindicatos majoritários".

Neste contexto e com a crise como tela de fundo, a confederação tem agora duas prioridades: a luta contra o desemprego e o fomento da auto-organização dos desempregados e a oposição às "reformas laborais".

Suso Garcia, da CNT de Betanzos, um sindicato que em dois anos conseguiu uma notável implantação na localidade corunhesa, observa a atual recessão econômica em termos de oportunidade:

"a CNT deve aproveitar este momento para fazer muita ação sindical, trabalhar pelos trabalhadores e se tornar uma referência de luta".

Para isso, continua, "devemos ser generosos, não-sectários e ter uma mentalidade aberta". Com esta receita, o sindicato de outra cidade pequena, Lebrija (Sevilha), conseguiu há pouco mais de um ano que 90% dos estabelecimentos do povoado fechassem em uma greve geral contra o desemprego e pela "distribuição justa do trabalho" (veja abaixo).

Para muitos, Lebrija marca o caminho de uma organização que, após oito anos de espera, celebrará em dezembro o seu X Congresso Confederal.

Movimento libertário

Ainda que não seja raro encontrá-la em mobilizações sociais, como nas lutas contra o TAV (Trem de Alta Velocidade) em Euskadi ou contra a refinaria de Tierra de Barros, na Extremadura, para citar dois exemplos atuais, no chamado movimento libertário, a CNT sempre se centrou na atividade sindical, deixando a Mulheres Livres as questões de gênero e a Federação Anarquista Ibérica (FAI) e as Juventudes Libertárias (hoje Federação Ibérica de Juventudes Anarquistas) o trabalho mais político ou ideológico.

Junto a estas três entidades, cuja presença é atualmente escassa, a Fundação Anselmo Lorenzo é responsável, através de investigações e da custódia de documentos, de
preservar a memória do movimento.


Lebrija marca o caminho

Victoriano Vela, que em 2003 botou em marcha a CNT de Lebrija (Sevilla), juntamente com outros trabalhadores provenientes da SOC, assegura que desde 18 de fevereiro de 2009 é freqüente cruzar na sede do sindicato com pessoas que perguntam:

"É este o local aonde ajudam os trabalhadores?". Nesse dia, depois de "quatro meses de estudo, preparação e trabalho duro", recorda Vela, o sindicato conseguiu um marco:

a paralisação de 90% do tecido produtivo da cidade (26.500 habitantes) numa greve geral convocada contra o "compadrio" promovido pela Prefeitura Municipal (PSOE-IU) e pela "repartição justa do trabalho".

Assim, apesar do boicote da UGT e da CO e com a ajuda de 30 mil folhetos distribuídos nos dias anteriores, o sindicato conseguiu que 2.500 pessoas apoiassem uma manifestação convocada em solitário.

Depois da greve, a CNT de Lebrija passou de 70 para 120 filiados. Acima de tudo, salienta Vela, "nós ganhamos o respeito das pessoas. Todo mundo entendeu que a CNT é um lugar com honestidade, um espaço aonde se ajuda 'os que menos têm'".

Fonte: Diagonal, Nº 125

agência de notícias anarquistas - ana

2010/10/10

extraindo conceitos

O livro Anarquismo e educação, organizado por F.J. Cuevas, já pode ser baixado pela internet. Lançado originalmente em 2003, pela Fundação de Estudos Libertários Anselmo Lorenzo (FAL), a obra de Cuevas está dividida em quatro capítulos:

os dois primeiros resumem, de forma curta e precisa, os fundamentos teóricos e a prática revolucionária do anarquismo em tempos recentes; um terceiro que penetra nas teorias anarquistas da educação, e o quarto que se ocupa das experiências concretas de pedagogia libertária e antiautoritária.


Apresentação:

A proposta educativa anarquista não morreu, ainda está aí para quem quiser usá-la adaptando-a aos novos tempos, o que está morto (ou quase) são os desejos de utilizar as abordagens revolucionárias na educação.

Hoje há muito mais interesse pelos enfoques micro, psicologistas e tecnicistas na educação, do que por se fazer grandes perguntas acerca da finalidade e do sentido da formação humana.

Portanto, a partir deste pequeno estudo, o autor quer trazer um grão de areia para demonstrar as potencialidades que tem as idéias anarquistas na educação, com a idéia de ir amadurecendo uma proposta para o século XXI de pedagogia libertária que utilize a via dos movimentos sociais para expandir a sua ação cultural transformadora.

Para isso, nos adentramos nas bases teóricas e históricas do anarquismo, e conhecermos as teorias da educação e experiências de ensino de caráter libertário.

Baixe o livro aqui:

http://periodicohumanidad.files.wordpress.com/2009/01/francisco-cuevas-noa-anarquismo-y-educacion.pdf

*

a.n.a.

(agência de notícias anarquistas)

*

o arrozal lindo

por cima do mundo

no miolo da luz

Guimarães Rosa

2010/07/13

extraindo conceitos

Dicionário da Anarquia

Na Abadia de Thélème, imaginada por Rabelais, fazia-se o que se queria. Este constituiu um dos antecedentes daquilo que alguns séculos mais tarde se veio a designar por anarquia. As bases deste anti-sistema floresceu no lastro do iluminismo com William Godwin e Charles Fourier, mas o verdadeiro teorizador da anarquia foi, sem dúvida, Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), autor de uma doutrina política socialista que sempre se mostrou extremamente crítica em relação a outra corrente de pensamento, o socialismo de Karl Marx.

Enquanto movimento político propriamente dito, a anarquia só aparece por volta de 1880, pouco depois da morte do aristocrata Mikhail Bakunin (1814-1876), considerado o pai de todos os anarquismos, e que foi excluído por Marx da Internacional. A anarquia assume-se como um movimento exterior a todos os partidos, e agrega múltiplas variantes e tendências.

“O que há de comum entre o anarquismo individualista, de Stirner a E.Armand, e o comunismo libertário de Kropotkine senão a oposição mais completa ao aparelho estatal? Assim como, pouco ou nada há em comum entre o pacifismo integral do anarquista Louis Lecoin, e a sua defesa da objeção de consciência, e o niilismo terrorista, já sem falar do anarquismo cristão ou, até mesmo, do anarco-capitalismo”.

Michel Ragon acaba de editar na França um Dicionário da Anarquia destinado a esclarecer uma corrente de pensamento e um movimento social muito pouco conhecido pelas pessoas em geral. Um pensamento que Michel Ragon, filho de camponeses, e hoje octogenário (nasceu em 1924), sempre partilhou, e o marcou no seu percurso de autodidata, desde o tempo que era alfarrabista nas margens do Sena até se ter consagrado como crítico de arte e de arquitetura.

De Proudhon a Cohn-Bendit, de Brassens a Léo Ferré, de Mirbeau a Camus, de Breton a Sartre, de Henry Thoreau a Herbert Marcuse, do Surrealismo ao Situacionismo, sem esquecer desenhistas como o belga Frans Masereel ou o pintor impressionista Camille Pissarro, a família libertária é de uma espantosa riqueza e de uma enorme diversidade, o que constitui simultaneamente o seu ponto fraco, mas também a sua maior capacidade de atração.

Ora é todo este panorama que a obra de Michel Ragon, agora editada, pretende dar conta sob o ambicioso título, Dicionário da Anarquia.

Não falta sequer neste dicionário a menção do niilismo dos terroristas russos, referidos por Tourgueniev, Tchernychevski, Dostoïevski ou Nietzsche, ou os terroristas franceses, que se reivindicam anarquistas, desde Ravachol ao Bando de Bonnot, ou mesmo da Action Directe.

Figura tutelar em todo este movimento é, sem dúvida, Louise Michel (1830-1905), professora e conhecida figura da Comuna de Paris, a quem é reservada uma atenção especial nas múltiplas entradas de que é constituído este valioso dicionário da anarquia.


Editions Albin Michel, 2008. 665 págs.

agência de notícias anarquistas-ana
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mescalero

2010/03/03

por e-mail__14

[Reino Unido] Colin Ward:

"Como construir a anarquia hoje"

Colin Ward, o grande anarquista, acadêmico e jornalista britânico, morreu em 11 de fevereiro, aos 86 anos.

Ward foi sempre atento as formas de como a sociedade já funcionava cooperativamente, e nos incentivou a entender tais impulsos e experimentos como um potencial latente para o anarquismo.

Algumas das coisas que geralmente passa como abordagens do senso comum para a educação, arquitetura ou organização social são temas que Ward tocou em seu trabalho e desde então está em nossa consciência popular.

Muitos de nós temos sido tocados pela obra de Ward, às vezes sem sequer darmos conta.

Ward certamente acreditava que existem tempos e lugares onde se deve enfrentar ao Estado, mas seu anarquismo era ao mesmo tempo construtivo, criativo e imensamente prático. Conseguiu chamar a atenção de muita gente de fora do movimento anarquista.

Depois da II Guerra Mundial, Colin se aproximou do lendário semanário Freedon (criado por Kropotkin em fins do século XIX e que até hoje perdura: www.freedonpress.org.uk), onde contribuiu periodicamente.

Seus primeiros artigos jornalísticos se referiam ao movimento okupa britânico dos anos 40, que para desespero do governo trabalhista, milhares de trabalhadores responderam a escassez de moradia, tomando e adaptando as bases militares em desuso.

Ward os via como um exemplo do que posteriormente chamaria "anarquia em ação": autogestão direta e cooperativa.

Entre 1961-70, Colin Ward editou Anarchy, certamente a mais interessante revista teórica anarquista publicada no Reino Unido. Através da revista Colin amadureceu as idéias que culminariam em seu livro "Anarchy in action" (Anarquia em ação 1973), um dos fundamentais de sua obra.

Todas as sociedades, afirmava Colin Ward, são plurais, elas resolvem problemas e satisfazem necessidades, utilizando uma variedade de mecanismos. Usam técnicas comerciais e de mercados; usam a autoridade e técnicas burocráticas e gerenciais, e também técnicas mutualistas, de ajuda mútua e de cooperação autogestionaria.

"Anarquia" para Colin é simplesmente qualquer espaço social onde as técnicas de mutualidade predominam; um espaço social onde as pessoas entram (e saem) livremente; se relacionam como iguais; e fazem algo criativo para resolver um problema, satisfazer uma necessidade ou somente desfrutar da criatividade nela mesma.

E o objeto do anarquismo é tentar empurrar e impulsionar a sociedade na direção de maior anarquia neste sentido.

Assim, Colin salientou que a anarquia de fato já está em grande parte do nosso mundo social, incluindo as diversas formas associativas, mutualistas, igualitárias e de espaços sociais cooperativos.

Sua propaganda freqüêntemente estava orientada a mostrar como alguns problemas sociais relevantes poderiam ser melhor enfrentados com técnicas de apoio mútuo livre e cooperativa.

Sobre a questão de moradia, Ward foi crítico dos esforços estatais britânicos, liderados por especialistas em habitação provenientes da classe média, para prover moradia às classes trabalhadoras.

Neste contexto, apoiava as experiências da esquerda alternativa de cooperativas autogestionárias, como as cooperativas de inquilinos, assim como os projetos autoconstruídos e a "okupação".

Assinalou repetidamente a lógica dos governos locais, muitas vezes controlado pelo governo trabalhista, que preferiam destruir moradias sociais não utilizadas que permitir que fossem ocupadas pelos "okupas".

Por outro lado, Colin Ward se opunha fortemente ao perfeccionismo anarquista, a visão de que a anarquia deveria ser para “todos ou para ninguém”. Sua concepção de anarquia e do anarquismo lhe permitia apresentar a anarquia não como ”tudo ou nada”, senão em termos de "mais ou menos”.

Assim mesmo, esteve profundamente interessado na ciência social empírica. A possibilidade de técnicas anarquistas para atacar os problemas sociais, era para Ward, uma hipótese de trabalho, que devia ser validada pela investigação.

Sua própria pesquisa gradualmente tomou um caráter histórico, buscando documentar e explorar como as pessoas realizaram o uso "não oficial" de seu meio ambiente. Ward dava ênfase especial na criatividade das pessoas comuns e das formas em como usamos a energia criativa para transformar nossos ambientes.

Não tinha problemas em imaginar uma sociedade imersa na liberdade e na ordem espontânea, porque sabia que a liberdade e a ordem espontânea era o que sustentava a sociedade em primeiro lugar, mesmo que às vezes tomasse uma forma atrofiada.

Um dos seus livros mais influentes e lidos é "The child in the city" (O menino na cidade - 1978), onde expressa amorosamente a forma de como as crianças realizam seus próprios usos criativos dos ambientes urbanos com que são deparados.

Colin realmente apoiou a confluência de duas tradições; por um lado, ele foi formado por uma tradição teórica do anarquismo, conhecia os clássicos, especialmente o texto de P. Kropotkin "Campos, Fábricas e Oficinas".

Por outro, Ward estava também animado pelas difusas tradições das classes trabalhadoras e tradições autogestionárias para fazer com que as coisas funcionem, para fazer o mundo melhor de uma forma simples, mas realizável. Buscou levar estas tradições ao diálogo, para seu mútuo benefício.

Os temas sobre o qual Ward escrevia - "anarquismo, moradia, ambiente, transporte, arquitetura, uso não oficial do espaço, a educação das crianças" -, estavam sempre cheio de exemplos positivos atuais e a maneira de como podemos viver no futuro.

Muitos viam nele a evidência de que havia mais vida que o protesto permanente; como Gustave Landauer, Colin considerava que o estado é uma relação e que temos que tratar de construir outro tipo de relações sociais, e com Paul Goodman estava de acordo quando este observava que "uma sociedade livre não pode estar substituindo uma 'nova ordem' da velha ordem; ela deve ser a extensão da esfera do livre atuar, até que haja mudado a maior parte da vida social".

[Colin Ward, 14 de agosto de 1924 - 11 de fevereiro de 2010]

por Sociedade de amigos contra o Estado


Elaborado com base nos seguintes textos de homenagem:

NN (2010) Colin Ward: pioneer of mutualism: http://www.nextleft.org/2010/02/colin-ward-pioneer-of-mutualism.html

Walke, Jesser (2010) Colin Ward, RIP: http://reason.com/blog/2010/02/17/colin-ward-rip

Tonkin, Boyd (2010): The good life of a gentle anarchist: http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/books/features/boyd-tonkin-the-good-life-of-a-gentle-anarchist-1903818.html

agência de notícias anarquistas-ana

a lua deita seus
raios sobre a rosa caída.
beleza morta.

Rosa Clement