"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."
emma goldman
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2012/05/07
extraindo conceitos
2012/04/09
extraindo conceitos
2011/09/15
extraindo conceitos
A chamada classe operária não é uma realidade em si, como pensavam os marxistas e os leninistas. Se os trabalhadores aceitam como único horizonte de suas vidas a melhora da exploração salarial em troca de não questionar o sentido e o destino do que eles fazem para os outros gerenciarem, se aceitam como normal sua incapacidade atual de organizarem-se como produtores soberanos de suas vidas e, finalmente, que cada um se cuide como pode, a classe trabalhadora deixa de existir.
[...]"
2010/12/17
anarco-sindical

2010/10/10
extraindo conceitos

O livro Anarquismo e educação, organizado por F.J. Cuevas, já pode ser baixado pela internet. Lançado originalmente em 2003, pela Fundação de Estudos Libertários Anselmo Lorenzo (FAL), a obra de Cuevas está dividida em quatro capítulos:
os dois primeiros resumem, de forma curta e precisa, os fundamentos teóricos e a prática revolucionária do anarquismo em tempos recentes; um terceiro que penetra nas teorias anarquistas da educação, e o quarto que se ocupa das experiências concretas de pedagogia libertária e antiautoritária.
Apresentação:
A proposta educativa anarquista não morreu, ainda está aí para quem quiser usá-la adaptando-a aos novos tempos, o que está morto (ou quase) são os desejos de utilizar as abordagens revolucionárias na educação.
Hoje há muito mais interesse pelos enfoques micro, psicologistas e tecnicistas na educação, do que por se fazer grandes perguntas acerca da finalidade e do sentido da formação humana.
Portanto, a partir deste pequeno estudo, o autor quer trazer um grão de areia para demonstrar as potencialidades que tem as idéias anarquistas na educação, com a idéia de ir amadurecendo uma proposta para o século XXI de pedagogia libertária que utilize a via dos movimentos sociais para expandir a sua ação cultural transformadora.
Para isso, nos adentramos nas bases teóricas e históricas do anarquismo, e conhecermos as teorias da educação e experiências de ensino de caráter libertário.
Baixe o livro aqui:
a.n.a.
(agência de notícias anarquistas)
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o arrozal lindo
por cima do mundo
no miolo da luz
Guimarães Rosa
2010/07/13
extraindo conceitos
Dicionário da Anarquia

Na Abadia de Thélème, imaginada por Rabelais, fazia-se o que se queria. Este constituiu um dos antecedentes daquilo que alguns séculos mais tarde se veio a designar por anarquia. As bases deste anti-sistema floresceu no lastro do iluminismo com William Godwin e Charles Fourier, mas o verdadeiro teorizador da anarquia foi, sem dúvida, Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), autor de uma doutrina política socialista que sempre se mostrou extremamente crítica em relação a outra corrente de pensamento, o socialismo de Karl Marx.
Enquanto movimento político propriamente dito, a anarquia só aparece por volta de 1880, pouco depois da morte do aristocrata Mikhail Bakunin (1814-1876), considerado o pai de todos os anarquismos, e que foi excluído por Marx da Internacional. A anarquia assume-se como um movimento exterior a todos os partidos, e agrega múltiplas variantes e tendências.
“O que há de comum entre o anarquismo individualista, de Stirner a E.Armand, e o comunismo libertário de Kropotkine senão a oposição mais completa ao aparelho estatal? Assim como, pouco ou nada há em comum entre o pacifismo integral do anarquista Louis Lecoin, e a sua defesa da objeção de consciência, e o niilismo terrorista, já sem falar do anarquismo cristão ou, até mesmo, do anarco-capitalismo”.
Michel Ragon acaba de editar na França um Dicionário da Anarquia destinado a esclarecer uma corrente de pensamento e um movimento social muito pouco conhecido pelas pessoas em geral. Um pensamento que Michel Ragon, filho de camponeses, e hoje octogenário (nasceu em 1924), sempre partilhou, e o marcou no seu percurso de autodidata, desde o tempo que era alfarrabista nas margens do Sena até se ter consagrado como crítico de arte e de arquitetura.
De Proudhon a Cohn-Bendit, de Brassens a Léo Ferré, de Mirbeau a Camus, de Breton a Sartre, de Henry Thoreau a Herbert Marcuse, do Surrealismo ao Situacionismo, sem esquecer desenhistas como o belga Frans Masereel ou o pintor impressionista Camille Pissarro, a família libertária é de uma espantosa riqueza e de uma enorme diversidade, o que constitui simultaneamente o seu ponto fraco, mas também a sua maior capacidade de atração.
Ora é todo este panorama que a obra de Michel Ragon, agora editada, pretende dar conta sob o ambicioso título, Dicionário da Anarquia.
Não falta sequer neste dicionário a menção do niilismo dos terroristas russos, referidos por Tourgueniev, Tchernychevski, Dostoïevski ou Nietzsche, ou os terroristas franceses, que se reivindicam anarquistas, desde Ravachol ao Bando de Bonnot, ou mesmo da Action Directe.
Figura tutelar em todo este movimento é, sem dúvida, Louise Michel (1830-1905), professora e conhecida figura da Comuna de Paris, a quem é reservada uma atenção especial nas múltiplas entradas de que é constituído este valioso dicionário da anarquia.
Editions Albin Michel, 2008. 665 págs.
agência de notícias anarquistas-ana
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mescalero
2010/03/03
por e-mail__14

"Como construir a anarquia hoje"
Colin Ward, o grande anarquista, acadêmico e jornalista britânico, morreu em 11 de fevereiro, aos 86 anos.
Ward foi sempre atento as formas de como a sociedade já funcionava cooperativamente, e nos incentivou a entender tais impulsos e experimentos como um potencial latente para o anarquismo.
Algumas das coisas que geralmente passa como abordagens do senso comum para a educação, arquitetura ou organização social são temas que Ward tocou em seu trabalho e desde então está em nossa consciência popular.
Muitos de nós temos sido tocados pela obra de Ward, às vezes sem sequer darmos conta.
Ward certamente acreditava que existem tempos e lugares onde se deve enfrentar ao Estado, mas seu anarquismo era ao mesmo tempo construtivo, criativo e imensamente prático. Conseguiu chamar a atenção de muita gente de fora do movimento anarquista.
Depois da II Guerra Mundial, Colin se aproximou do lendário semanário Freedon (criado por Kropotkin em fins do século XIX e que até hoje perdura: www.freedonpress.org.uk), onde contribuiu periodicamente.
Seus primeiros artigos jornalísticos se referiam ao movimento okupa britânico dos anos 40, que para desespero do governo trabalhista, milhares de trabalhadores responderam a escassez de moradia, tomando e adaptando as bases militares em desuso.
Ward os via como um exemplo do que posteriormente chamaria "anarquia em ação": autogestão direta e cooperativa.
Entre 1961-70, Colin Ward editou Anarchy, certamente a mais interessante revista teórica anarquista publicada no Reino Unido. Através da revista Colin amadureceu as idéias que culminariam em seu livro "Anarchy in action" (Anarquia em ação 1973), um dos fundamentais de sua obra.
Todas as sociedades, afirmava Colin Ward, são plurais, elas resolvem problemas e satisfazem necessidades, utilizando uma variedade de mecanismos. Usam técnicas comerciais e de mercados; usam a autoridade e técnicas burocráticas e gerenciais, e também técnicas mutualistas, de ajuda mútua e de cooperação autogestionaria.
"Anarquia" para Colin é simplesmente qualquer espaço social onde as técnicas de mutualidade predominam; um espaço social onde as pessoas entram (e saem) livremente; se relacionam como iguais; e fazem algo criativo para resolver um problema, satisfazer uma necessidade ou somente desfrutar da criatividade nela mesma.
E o objeto do anarquismo é tentar empurrar e impulsionar a sociedade na direção de maior anarquia neste sentido.
Assim, Colin salientou que a anarquia de fato já está em grande parte do nosso mundo social, incluindo as diversas formas associativas, mutualistas, igualitárias e de espaços sociais cooperativos.
Sua propaganda freqüêntemente estava orientada a mostrar como alguns problemas sociais relevantes poderiam ser melhor enfrentados com técnicas de apoio mútuo livre e cooperativa.
Sobre a questão de moradia, Ward foi crítico dos esforços estatais britânicos, liderados por especialistas em habitação provenientes da classe média, para prover moradia às classes trabalhadoras.
Neste contexto, apoiava as experiências da esquerda alternativa de cooperativas autogestionárias, como as cooperativas de inquilinos, assim como os projetos autoconstruídos e a "okupação".
Assinalou repetidamente a lógica dos governos locais, muitas vezes controlado pelo governo trabalhista, que preferiam destruir moradias sociais não utilizadas que permitir que fossem ocupadas pelos "okupas".
Por outro lado, Colin Ward se opunha fortemente ao perfeccionismo anarquista, a visão de que a anarquia deveria ser para “todos ou para ninguém”. Sua concepção de anarquia e do anarquismo lhe permitia apresentar a anarquia não como ”tudo ou nada”, senão em termos de "mais ou menos”.
Assim mesmo, esteve profundamente interessado na ciência social empírica. A possibilidade de técnicas anarquistas para atacar os problemas sociais, era para Ward, uma hipótese de trabalho, que devia ser validada pela investigação.
Sua própria pesquisa gradualmente tomou um caráter histórico, buscando documentar e explorar como as pessoas realizaram o uso "não oficial" de seu meio ambiente. Ward dava ênfase especial na criatividade das pessoas comuns e das formas em como usamos a energia criativa para transformar nossos ambientes.
Não tinha problemas em imaginar uma sociedade imersa na liberdade e na ordem espontânea, porque sabia que a liberdade e a ordem espontânea era o que sustentava a sociedade em primeiro lugar, mesmo que às vezes tomasse uma forma atrofiada.
Um dos seus livros mais influentes e lidos é "The child in the city" (O menino na cidade - 1978), onde expressa amorosamente a forma de como as crianças realizam seus próprios usos criativos dos ambientes urbanos com que são deparados.
Colin realmente apoiou a confluência de duas tradições; por um lado, ele foi formado por uma tradição teórica do anarquismo, conhecia os clássicos, especialmente o texto de P. Kropotkin "Campos, Fábricas e Oficinas".
Por outro, Ward estava também animado pelas difusas tradições das classes trabalhadoras e tradições autogestionárias para fazer com que as coisas funcionem, para fazer o mundo melhor de uma forma simples, mas realizável. Buscou levar estas tradições ao diálogo, para seu mútuo benefício.
Os temas sobre o qual Ward escrevia - "anarquismo, moradia, ambiente, transporte, arquitetura, uso não oficial do espaço, a educação das crianças" -, estavam sempre cheio de exemplos positivos atuais e a maneira de como podemos viver no futuro.
Muitos viam nele a evidência de que havia mais vida que o protesto permanente; como Gustave Landauer, Colin considerava que o estado é uma relação e que temos que tratar de construir outro tipo de relações sociais, e com Paul Goodman estava de acordo quando este observava que "uma sociedade livre não pode estar substituindo uma 'nova ordem' da velha ordem; ela deve ser a extensão da esfera do livre atuar, até que haja mudado a maior parte da vida social".
[Colin Ward, 14 de agosto de 1924 - 11 de fevereiro de 2010]
por Sociedade de amigos contra o Estado
Elaborado com base nos seguintes textos de homenagem:
NN (2010) Colin Ward: pioneer of mutualism: http://www.nextleft.org/2010/02/colin-ward-pioneer-of-mutualism.html
Walke, Jesser (2010) Colin Ward, RIP: http://reason.com/blog/2010/02/17/colin-ward-rip
agência de notícias anarquistas-ana
Rosa Clement




