"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2012/02/06

extraindo conceitos



Aula Aberta


edição 109 - Junho 2011
AULA ABERTA - Acesso limitado
Com desigualdades econômicas tão profundas no país, o ensino médio de qualidade e universalizado ainda é um sonho
por Lúcia Bruno
Em visita recente ao Brasil, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, ao afirmar que nosso país precisava expandir o acesso dos jovens ao ensino médio, mencionou um problema nevrálgico da educação brasileira que se arrasta há décadas sem solução efetiva. Segundo dados da Pnad publicados em 2008, a média da escolaridade dos jovens entre 15 e 29 anos, no Brasil, atingia 8,8 anos. Para ter uma ideia das disparidades regionais, abaixo dessa média estavam o Norte do país (8,1 anos) e o Nordeste (7,7 anos), enquanto o Sudeste (9,5 anos), o Sul (9,4 anos) e o Centro- Oeste (9,1 anos) situavam-se em patamar superior.



Essa mesma pesquisa mostrou que, em 2008, quase 1,5 milhão de jovens entre 15 e 17 anos não freqüentava a escola; na faixa etária de 18 a 24, mais de 15,6 milhões estavam sem estudar e, entre 25 e 29 anos, eram 13,5 milhões.

No Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o percentual de jovens que encerraram o estudo no ensino médio ou o abandonaram era de 36,26%, 31,29% e 31,04%, respectivamente, estatística preocupante para regiões consideradas as mais dinâmicas e produtivas do país.

Os dados da Pnad de 2009 mostram algumas variações nesse quadro, sem contudo indicar tendências de mudanças substantivas. Se em 2008 84% dos jovens com idade entre 15 e 17 anos frequentavam a escola, em 2009, esse índice subiu para 90,6%. Entre a faixa dos 18 aos 24 anos, em 2008, eram 34% dos jovens e, em 2009, 38,5%. Cabe ressaltar que, apesar do crescimento observado, permanece a redução significativa do percentual de jovens que deixam a escola na passagem de uma faixa etária para outra e de um nível de ensino para o seguinte.

Além disso, temos de considerar que muitos jovens matriculados nas escolas estão em séries inadequadas para a idade, em decorrência da entrada tardia no sistema educacional ou da repetência ou, ainda, da evasão, o que significa que muitos nem sequer chegam a frequentar o ensino médio, embora tenham idade para tal.

Se considerarmos que em 2009 o Brasil ainda apresentava uma taxa de analfabetismo em torno de 14 milhões de pessoas, ou seja, 9,7% da população com 15 anos ou mais, e que a taxa de analfabetismo funcional (pessoas de 15 anos ou mais de idade com menos de quatro anos de escolaridade) era de 20,3%, vemos quão ineficazes são as políticas educacionais em vigor para cumprir um dever do Estado que é prover educação básica para todos.

Se cruzarmos esses dados com a renda segundo dados da Pnad, veremos que a relação entre pobreza e escolaridade ainda é um fator determinante, ou seja, quanto menor a renda das famílias menor a taxa de escolaridade de seus filhos, obrigados a se inserir precocemente no mercado de trabalho para complementar a renda familiar. De acordo com dados do Inep em 2008, cerca de 2,8 milhões de alunos do ensino médio trabalhavam, buscando conciliar atividade remunerada e educação. 

No mercado de trabalho, os jovens com baixa escolaridade só são capazes de desenvolver tarefas simples, mal remuneradas e precárias, alimentando o círculo de pobreza e sofrendo as consequências do desemprego, especialmente os situados na faixa etária entre 18 e 24 anos. No quadro de desigualdades econômicas profundas e tão arraigadas como as existentes no Brasil, ensino médio com qualidade para todos os jovens ainda é um sonho de uma noite de verão.
Lúcia Bruno Lúcia Bruno é professora livre-docente da Faculdade de Educação da USP.


2010/10/10

extraindo conceitos

O livro Anarquismo e educação, organizado por F.J. Cuevas, já pode ser baixado pela internet. Lançado originalmente em 2003, pela Fundação de Estudos Libertários Anselmo Lorenzo (FAL), a obra de Cuevas está dividida em quatro capítulos:

os dois primeiros resumem, de forma curta e precisa, os fundamentos teóricos e a prática revolucionária do anarquismo em tempos recentes; um terceiro que penetra nas teorias anarquistas da educação, e o quarto que se ocupa das experiências concretas de pedagogia libertária e antiautoritária.


Apresentação:

A proposta educativa anarquista não morreu, ainda está aí para quem quiser usá-la adaptando-a aos novos tempos, o que está morto (ou quase) são os desejos de utilizar as abordagens revolucionárias na educação.

Hoje há muito mais interesse pelos enfoques micro, psicologistas e tecnicistas na educação, do que por se fazer grandes perguntas acerca da finalidade e do sentido da formação humana.

Portanto, a partir deste pequeno estudo, o autor quer trazer um grão de areia para demonstrar as potencialidades que tem as idéias anarquistas na educação, com a idéia de ir amadurecendo uma proposta para o século XXI de pedagogia libertária que utilize a via dos movimentos sociais para expandir a sua ação cultural transformadora.

Para isso, nos adentramos nas bases teóricas e históricas do anarquismo, e conhecermos as teorias da educação e experiências de ensino de caráter libertário.

Baixe o livro aqui:

http://periodicohumanidad.files.wordpress.com/2009/01/francisco-cuevas-noa-anarquismo-y-educacion.pdf

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a.n.a.

(agência de notícias anarquistas)

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o arrozal lindo

por cima do mundo

no miolo da luz

Guimarães Rosa

2009/01/18

extraindo conceitos


Maria Tereza Goudard Tavares

[...]

Com efeito, o crescimento vertiginoso da miséria humana, da degradação ambiental, da exclusão social e da violência em todos os campos do social, associado à descrença contemporânea na política – alimentada pelos mass media e pela indústria cultural – e somados ao declínio da esfera pública e mercantilização crescente da vida cotidiana, vêm acelerando a irrupção de sentimentos e práticas niilistas, que exarcebam o individualismo e o descompromisso com a vida coletiva, objeto fundamental da ética e da política.

Nesse sentido, as palavras de Boaventura de Souza Santos são definidoras da profunda crise do momento presente:

"Vivemos num tempo paradoxal. Um tempo de transformações vertiginosas produzidas pela globalização, a sociedade de consumo e a sociedade de informação. Nunca foi tão grande a discrepância ente a possibilidade técnica de uma sociedade melhor, mais justa e mais solidária e a sua impossibilidade política" (
Por uma pedagogia do conflito. Editora Sulina, 1996).

Para outros como François Dubet (
As desigualdades multiplicadas. Editora Unijuí, 2003), a atual crise civilizatória é muito mais aguda e complexa do que em outros períodos da história humana. Pois, a partir da modernidade no mundo ocidental, as desigualdades que sempre existiram, passam a ser consideradas não mais “naturais”. Portando, passam a constituir um problema social, que deve ser equacionado no campo político, econômico, cultural, jurídico, educacional etc.

Nesse sentido, complexificou-se em inúmeras dimensões a questão da consciência da “não-natureza” das desigualdades intra e inter sociedades. Isto é, o (re)conhecimento da produção histórico-social das desigualdades não vem sendo acompanhado de um desaparecimento e/ou supressão das mesmas. Pelo contrário, as desigualdades vêm vertiginosamente se ampliando, tornando a vida de uma imensa maioria no planeta ameaçada ao ponto da perda de sua humanidade. A sociedade humana e o próprio ecossistema vêm sofrendo ameaças de extinção em diferentes lugares do planeta.

Trazendo essas questões para a sociedade brasileira contemporânea, convivemos com índices sociais trágicos. De acordo com o IBGE (2004), tratando-se das somas dos rendimentos, os 10% mais ricos ganham 47 vezes mais do que os 10% mais pobres. Em 2003, havia mais de 40 milhões de pobres abaixo da linha de sobrevivência, ou seja, um em cada quatro brasileiros.

Assim, a existência de milhares de desempregados, analfabetos, trabalhadores rurais sem terra, trabalhadores urbanos sem-teto, pobreza e miséria no campo e na cidade, a perda da infância de meninos e meninas nas ruas, o crime organizado e a nossa perversa concentração de renda são problemas que nos empurram cada vez mais para uma “apartheid” social e nos questionam se, em alguns momentos de nossa história, fomos cidadãos.

[...]

leia mais, saiba mais:
http://www.asduerj.org.br/publica/publicacoes.asp#