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| AULA ABERTA - Acesso limitado | ||||||||
| Com desigualdades econômicas tão profundas no país, o ensino médio de qualidade e universalizado ainda é um sonho | ||||||||
| por Lúcia Bruno | ||||||||
Em visita recente ao Brasil, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, ao afirmar que nosso país precisava expandir o acesso dos jovens ao ensino médio, mencionou um problema nevrálgico da educação brasileira que se arrasta há décadas sem solução efetiva. Segundo dados da Pnad publicados em 2008, a média da escolaridade dos jovens entre 15 e 29 anos, no Brasil, atingia 8,8 anos. Para ter uma ideia das disparidades regionais, abaixo dessa média estavam o Norte do país (8,1 anos) e o Nordeste (7,7 anos), enquanto o Sudeste (9,5 anos), o Sul (9,4 anos) e o Centro- Oeste (9,1 anos) situavam-se em patamar superior. Essa mesma pesquisa mostrou que, em 2008, quase 1,5 milhão de jovens entre 15 e 17 anos não freqüentava a escola; na faixa etária de 18 a 24, mais de 15,6 milhões estavam sem estudar e, entre 25 e 29 anos, eram 13,5 milhões. No Sudeste, Sul e Centro-Oeste, o percentual de jovens que encerraram o estudo no ensino médio ou o abandonaram era de 36,26%, 31,29% e 31,04%, respectivamente, estatística preocupante para regiões consideradas as mais dinâmicas e produtivas do país. Os dados da Pnad de 2009 mostram algumas variações nesse quadro, sem contudo indicar tendências de mudanças substantivas. Se em 2008 84% dos jovens com idade entre 15 e 17 anos frequentavam a escola, em 2009, esse índice subiu para 90,6%. Entre a faixa dos 18 aos 24 anos, em 2008, eram 34% dos jovens e, em 2009, 38,5%. Cabe ressaltar que, apesar do crescimento observado, permanece a redução significativa do percentual de jovens que deixam a escola na passagem de uma faixa etária para outra e de um nível de ensino para o seguinte. Além disso, temos de considerar que muitos jovens matriculados nas escolas estão em séries inadequadas para a idade, em decorrência da entrada tardia no sistema educacional ou da repetência ou, ainda, da evasão, o que significa que muitos nem sequer chegam a frequentar o ensino médio, embora tenham idade para tal. Se considerarmos que em 2009 o Brasil ainda apresentava uma taxa de analfabetismo em torno de 14 milhões de pessoas, ou seja, 9,7% da população com 15 anos ou mais, e que a taxa de analfabetismo funcional (pessoas de 15 anos ou mais de idade com menos de quatro anos de escolaridade) era de 20,3%, vemos quão ineficazes são as políticas educacionais em vigor para cumprir um dever do Estado que é prover educação básica para todos. Se cruzarmos esses dados com a renda segundo dados da Pnad, veremos que a relação entre pobreza e escolaridade ainda é um fator determinante, ou seja, quanto menor a renda das famílias menor a taxa de escolaridade de seus filhos, obrigados a se inserir precocemente no mercado de trabalho para complementar a renda familiar. De acordo com dados do Inep em 2008, cerca de 2,8 milhões de alunos do ensino médio trabalhavam, buscando conciliar atividade remunerada e educação. No mercado de trabalho, os jovens com baixa escolaridade só são capazes de desenvolver tarefas simples, mal remuneradas e precárias, alimentando o círculo de pobreza e sofrendo as consequências do desemprego, especialmente os situados na faixa etária entre 18 e 24 anos. No quadro de desigualdades econômicas profundas e tão arraigadas como as existentes no Brasil, ensino médio com qualidade para todos os jovens ainda é um sonho de uma noite de verão. | ||||||||
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"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."
emma goldman
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2012/02/06
extraindo conceitos
2011/08/22
e_mail
QUARTA – 24/08 – 19h
na EACH/USP-LESTE Auditório Vermelho/Verde
Av. Arlindo Béttio, 1000 – E. Matarazzo - São Paulo
(Estação USP-Leste - linha 12 CPTM)
Programação do Evento:
19h – Conferências:
José Carlos Brito Aguiar (ex-metalúrgico)
Lúcia Bruno (FE/USP)
Informações dos membros da Mesa:
Lúcia Bruno, possui graduação em Ciências Sociais pela PUC/SP (1976), mestrado em Ciência Política pela PPUC/SP (1982) e doutorado em Sociologia pela FFLCH/USP (1991). Atualmente é professora livre-docente da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Professora Visitante na École des Hautes Études en Sciences Socialis de Paris em 2006. Professora do Programa de pós-graduação em Integração da América Latina da USP. Tem diversos trabalhos publicados nas áreas de Sociologia Política e de Educação, trabalhando com os seguintes temas: educação e trabalho, ensino superior, Estado, políticas públicas, lutas sociais.
José Carlos Brito Aguiar, ex-metalúrgico, fundador do fundo de greve de SBC e membro de sua primeira diretoria; desde 1982 é Técnico Social, com inúmeros projetos de atuação nessa área. Autor do livro “A Tomada da Ford: O nascimento de um sindicato livre"
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SEMINÁRIOS ANARQUISMO E SINDICALISMO
Essa atividade é parte da série de seminários que a Biblioteca Terra Livre e o Grupo de Estudos Movimento Operário Autônomo vem realizando para tratar de temas relativos ao sindicalismo e anarquismo, bem como para socializar as discussões e reflexões realizadas nos encontros de leituras e estudos.
Em junho realizamos o I Seminário Anarquismo e Sindicalismo na FFLCH /USP. Houve conferências sobre Movimento operário na Primeira República e as concepções anarquistas de sindicato de Neno Vasco.
Todos estão convidados a participar dos seminários e debater conosco e com os palestrantes presentes.
2008/11/16
visões antropofágicas
Lúcia Bruno escreveu: “A classe operária não é uma realidade moral, mas social. Ela não tem qualquer realidade além da forma como se organiza”... noutro dia tropecei em um excelente texto (Sindicalismo e Movimentos Sociais – Breve histórico do sindicalismo contemporâneo) do ‘compa’ Samis [Alexandre], no qual se traça uma rápida trajetória sobre a construção dos instrumentos de combate ao estado, ao capital e a igreja pelos trabalhadores nas suas organizações específicas de resistência de classe.
Trata-se, pois, de um belo artigo/ panfleto militante sobre “a questão sindical e o movimento social”, isto numa perspectiva libertária das lutas. Neste sucinto artigo o Samis faz uma leitura interessante, sobre a possível – necessária e desejada – transformação radical nesta sociedade capitalista de exploração do trabalho alheio...
Isto através de um sindicalismo de resistência/ combate, que na sua essência doutrinaria é uma organização revolucionária, expropriadora, autonomista, autogestionária e, claro, libertária. Em resumo, na construção – via ação direta nas lutas cotidianas – de uma outra relação societária:
sem deus, sem pátria, sem patrão!!!
Seguem, para nosso deleite imediato, dois pequeníssimos extratos do referido artigo:
1.º: “... os sindicatos de resistência, buscam sempre em seus programas estratégicos salientar as questões de médio e longo prazo. Tal preocupação deve-se a já terem os sindicalistas, vinculados a esta concepção, entendido que aquelas entidades que lutam apenas pelas questões imediatas, o que fazem, no mais das vezes, é garantir ao governo um certo grau de legitimidade. Se por um lado, as reivindicações podem parecer contestatórias, e algumas vezes o são, elas induzem, por outro, subliminarmente, o coletivo da categoria a acreditar que a resolução depende sempre da aquiescência do governo. O que retira do trabalhador boa parte de seu princípio decisório e reforça as teses reformistas. É, portanto, nas projeções mais de fundo, aquelas que irão possibilitar o contato com um universo mais amplo de explorados e, a partir daí, consolidar a luta ideológica contra o capital, que se encontra a real estratégia para o desmonte de toda a estrutura que garante a manutenção do atual sistema. Não apenas isso, mas também, a elaboração deste programa auxilia no acúmulo de valores que, por ser de fato o resultado das experiências de luta e das reflexões extraídas a partir delas, constitui-se na essência de uma dimensão de mundo genuinamente de classe.”
2.º: “A questão da autonomia, portanto, é fundamental para manter um órgão de classe fiel aos postulados emancipatórios sem afastar deste, por uma conveniência político-partidária, alheia quase sempre às necessidades dos trabalhadores, os objetivos de médio e longo prazo resultantes da experiência da classe. Neste sentido, os movimentos sociais hoje podem servir de horizonte para o reforço de algumas práticas de autonomia; a despeito da participação de militantes com o duplo vínculo, partidário e ativista de classe, a dinâmica organizativa e mesmo setores hostis ao atrelamento partidário contribuem sobremaneira para dificultar o processo de burocratização. Com base em tais reflexões, e certamente não serão estas as únicas ponderações a serem feitas sobre o assunto, é fundamental hoje para os sindicatos a construção de uma agenda que possa articular seus interesses mais imediatos às lutas dos trabalhadores em geral, não apenas os formalmente admitidos no mercado de trabalho, mas todo aquele que estiver disposto a lutar e se organizar em favor de uma transformação radical e efetiva da sociedade rumo ao socialismo.”
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