"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2010/02/17

extraindo conceitos__25

a alma do homem sobre o socialismo*


Oscar Wilde

[...] A escravidão humana é injusta, arriscada e desmoralizante. Da escravidão mecânica, da escravidão da máquina, depende o futuro do mundo.

[...] Um mapa-múndi que não inclua a Utopia não é digno de consulta, pois deixa de fora as terras a que a Humanidade está sempre aportando. E nelas aportando, sobe à gávea e, se divisa terras melhores, toma a içar velas. O progresso é a concretização de Utopias.

[...] quando o Socialismo tiver resolvido o problema da miséria e a ciência o da enfermidade, diminuirá o campo de ação dos sentimentalistas, e a solidariedade humana será ampla, sadia e espontânea. O homem terá alegria na contemplação da alegria de seu semelhante.

[...] o mundo moderno tem projetos. Propõe dar fim à pobreza e à dor que ela acarreta. Deseja livrar-se da dor e do sofrimento que a dor acarreta. Confia no Socialismo e na Ciência como seus métodos.

Visa a um Individualismo que se expresse através da alegria e que será mais vasto, pleno e encantador que qualquer outro tenha sido. A dor não é a forma suprema de perfeição. Meramente provisória, é um protesto.

Está presa aos meios iníquos, doentios e injustos. Quando a iniqüidade, a doença e a injustiça forem erradicadas, não haverá mais lugar para ela. Foi urna grande obra, mas já está quase finda. Sua esfera de ação reduz-se a cada dia.

Tampouco o homem dará por sua falta, pois o que se busca não é nem sofrimento nem prazer, mas a Vida. Busca viver de forma intensa, plena e perfeita.

Quando puder viver assim, sem sujeitar seu semelhante nem ser por ele sujeitado, e suas atividades lhe forem todas agradáveis - ele será mais sensato, sadio e civilizado, será mais ele próprio.

O Prazer é a medida da natureza, seu sinal de aprovação. Quando um homem está feliz, ele está em harmonia consigo mesmo e com seu meio. O novo Individualismo - a serviço do qual, quer queira, quer não, está o Socialismo - será a harmonia perfeita.

Será o que o Grego buscou, mas não pôde alcançar completamente, a não ser no plano das Idéias, porque tinha escravos, e os alimentava; será o que a Renascença buscou, mas não pôde alcançar completamente, a não ser no plano da Arte, porque tinha escravos e os entregava à fome.

Será completo e, por meio dele [o prazer], cada homem atingirá a perfeição. O novo Individualismo é o novo Helenismo.

* texto surrupiado do livro "a alma do homem sob o socialismo", de Oscar Wilde

2008/11/20

visões antropofágicas

Desde a tenra infância, a criança – alheia ao ritmo frenético da vida – é ‘colada’/ posta diante dos munitores/ tv(s)/ babás/ monitores...
a
E deixa de se sentir incomodada com as suas necessidades fisiológicas, portanto mil e uns excrementos são tolerados/ absorvidos pelos seus sentidos, que ainda estão em processo de formatação. É um ‘conforto’ que se instala em seu viver, proveniente deste processo manipulatório das suas necessidades primarias.

Nada de chororó, pois sendo o choro/ a desobediência a virtude original do homem (Oscar Wilde) é premente que todos se calem/ acomodem-se diante do ‘controle’ da vida, vida esta que deve ser, para o sistema vigente, sem críticas, sem revoltas, sem autonomia!!

É o império do silêncio que se instala na sala de estar entre pais e filhos; na sala de aula diante de um professor que trava diálogos ideológicos com paredes revestidas em cores insossas e sem brilho; na sala de espera, digo, nas filas quilométricas do atendimento médico; no balcão de emprego, onde se busca uma modulação padrão para selecionar o mais obediente; no salão de oração, onde ouvimos repetidamente que o silêncio é – e sendo indicado como tal – o único caminho para galgar aos céus.

E também nas salas da vida, onde realiza-se como lei, constata-se que impere o silêncio de uma servidão voluntária, servidão esta imposta pela melhor babá do mundo: a eletrônica com cores e sons acalentadores das necessidades/ inseguranças/ medos determinados por padrões exógenos a uma vida solidária, e em coletividade.