quarta-feira, 29 de outubro de 2008
“O rei está por toda parte.
eviamente concebido como mais-que-perfeito."O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."
emma goldman
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“O rei está por toda parte.
eviamente concebido como mais-que-perfeito.
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Há alguns posts atrás algum de nossos visitantes comentou sobre o livro Discurso da Servidão Voluntária, de Étienne de La Boétie. Pedi a um dos nossos mais assíduos colaboradores (comentando em nossas postagens) que fizesse uma resenha sobre o livro, e ele aceitou a sugestão. Hoje trazemos aqui essa colaboração feita com exclusividade para este blog.
Vejam ai. E até a Quarta-Feira que vem.
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Os séculos XV e XVI são marcados pela expansão territorial; novas fronteiras são abertas e surgem novos ‘povos’ com perfis civilizatórios que colocam em xeque o modo de vida do mundo dito conhecido.
O mundo ocidental e a sua busca incansável pela autoridade referendada sempre no UM; seja ele o deus monoteista na religião, seja o estado absolutista na ciência política e/ ou a escritura como a única verdade crível no mundo do conhecimento (só vale o que está escrito, seja na lei secular, na fé ou na ciência).
Indo um pouco mais além, podemos afirmar que esses ‘mundos’ ao entreolharem-se se declararam – logo de imediato – como inconciliáveis e antagônicos nos seus desenvolvimentos civilizatórios...
Nesse instante o choque civilizatório se fez presente e perdurou pela opressão dos mercadores de especiarias (temperos aromáticos), sedas, chás, alucinógenos, metais e cristais preciosos etc.
Visto que a autoridade – tão querida aos ocidentais – não se permitia ao luxo do convívio com a liberdade sem adjetivações; fortalecendo, por isso, a ingerência protetora da lei, da fé e ou da ciência nas relações societárias.
Étienne de La Boétie (1º. de novembro de 1530 — 18 de agosto de 1563) escreve, entre os 16 ou 18 anos, seu panfleto/ ensaio sobre o ‘discurso da servidão voluntária’.
E nele tenta encontrar respostas para a questão da submissão a que o homem ocidental se submetia cega e voluntariamente, e que dessa submissão retirava para si prazeres e regozijos como súditos do rei, da lei e de deus.
Como nos esclarece La Boétie:
“Da razão que nasce conosco ou não, o que é uma questão debatida a fundo pelos acadêmicos e abordada por toda a escola dos filósofos, por ora não pensaria falhar ao dizer o seguinte:
há em nossa alma alguma semente natural de razão que, mantida por bom conselho e costume, floresce em virtude e, ao contrário, freqüentemente sufocada, aborta, não podendo enfrentar os vícios sobrevindos.”
Faz-se necessário, portanto, interrogarmos por que se aceitar prestimosamente a dominação do UM (deus, rei e/ ou a lei) contra todos (indivíduo ou coletivo)?
Visto que, nas palavras de La Boétie,
"É natural no homem o ser livre e o querer sê-lo; mas está igualmente na sua natureza ficar com certos hábitos que a educação lhe dá"
Isso se dá, portanto, através da negação/ servidão do indivíduo pela educação que lhe é imposta, que passa a comungar, idolatrar e referendar a concentração do poder político e, também, o financeiro nas mãos de alguns poucos.
E esses poucos beneficiários do poder concentrado tomam para si, como uso restrito, a função tecnológica de governamentalidade, isso através da normalização das relações de poder entre a autoridade constituída e a sociedade, e desta consigo mesma:
organizar, administrar e, portanto, dominar – disciplinar e controlar – a sociedade; perpetuando esta forma de exploração ad infinitum.
É premente que tentemos, como afirma o cientista político Edson Passetti (PUC - São Paulo), “...compreender o mal imanente à autoridade e recuperar a confiança na liberdade.”
Liberdade esta sem os adjetivos limitadores de sua expressão máxima, como nos indica o pensamento político do jovem estudante francês, La Boétie:
"Decidi-vos a não servir mais, e serei livres."
A anarquista russa Emma Goldma (Kaunas, 27 de julho de 1869 – Toronto, 14 de maio de 1940), ainda hoje, nos surpreende com suas palavras certeiras como uma flecha arremessada em busca do futuro:
“o estado e as instituições políticas e econômicas que ele instaurou não podem sobreviver senão modelando o indivíduo a fim de que ele sirva a seus interesses”.
Não estranhamos, portanto, quando vemos indivíduos que recusam a sua condição de criadores de riquezas para se prostarem de joelhos diante dos edifícios do consumo de quiquinlharias multicoloridas:
concessionárias de automóveis, shoppings center, templos de adoração ao absoluto, etc...
Este é o ‘presente’ em que as flechas (críticas) de Emma Goldman aportaram.
Vivemos, pois, como gado pacientemente ‘tangidos’ ora em direção ao pasto (acumular), ora em direção a um curral asséptico e labiríntico (consumir).
Neste processo de ir e vir somos ‘marcados’ como potenciais consumidores de bugingangas e balangandãs sem qualquer tipo de análise crítica – por nossa parte – ao que está posto por este sistema que nos oprime com seus controles mentais e corporais, e suas leis disciplinares, coercitivas.
E quando nos mostramos inaptos (não-adaptados) somos levados ao abatedouro (periferia)... E lá é sacralizada a nossa ‘merecida’ exclusão social, moral e psicológica.
As síndromes, que nos atormentam e campeiam soltas aos quatro ventos, são a prova cabal desta situação.
Esta nova realidade, que hora se apresenta, referenda alguns limites que são impostos pelo Estado e pela sociedade capitalista; limites que se impõem como uma encruzilhada, qual seja:
resignar-se a compartilhar da efêmera prosperidade econômica que uma parcela diminuta do ‘povo’, do mercado e do Estado gozam ou buscar encontrar caminhos não-autoritarios como opção de vida.
Isso para que a desejada sociedade federativa, igualitária e livre não fique em segundo plano na nossa relação de prioridades.
Comandado pela ganância do mercado – ou pela burocracia canhestra dos experts em planificação – o Estado invadiu e tomou posse de todas as áreas de atuação humana; não existe, portanto, mais a distinção entre o público e o privado.
Atente, pois, para os ‘milagres’ econômicos, educacionais, culturais, cientificos etc.:
está tudo dominado pelo senso comum e o Estado é apresentado como a única solução para equacionar todas as adversidades e contradições!
Restanto somente, aos excluídos, as míseras migalhas sobejadas pelo Estado ‘previdente’, isso através de planos assistenciais de política pública defendidos raivosamente pela direita retrógada e/ ou pela esquerda revisionista.
E tudo indica que pode ficar pior, pois estamos cada vez mais nos isolando do mundo real e perdendo a capacidade de agir coletivamente (onde se guarda o verdadeiro potencial transformador) para o bem-estar de toda a comunidade.
É preciso, portanto, que saímos dos nossos casulos e caminhemos em direção ao outro para agirmos coletivamente contra os nossos algozes, pois a prosperidade econômica – não podemos negar este feito do neo-liberalismo – que aí está é ancorada nas mazelas de muitos milhões para benefícios de alguns poucos...
Faz-se necessários que tomemos conhecimento da nossa condição de explorado (e/ ou alienado) neste processo de dominação político-econômico-social; e de posse dessas informações transformemos em nossos os desejos de resistência ao Leviatã e seus acólitos.
Sociabilizar-se com um maior número possível dos que se opõem contra este sistema de dominação pelo consumo de inutilidades, pois o mundo é feito também de pessoas e não apenas de máquinas inteligentes que nos abduz para as malhas do universo virtual da web.
Sociabilizar-se? Sim!
Eis a premissa primeira que se impõem nestes tempos sombrios de violências institucionais:
escolas, fábricas, igrejas, exércitos, sindicatos, partidos políticos etc.
Que contribuem ideologicamente para que a assertiva Di Lampedusa (tudo deve mudar para que tudo fique como está) se reproduza ad anfinitum...
Sejamos críticos, como já o fez o anarco-individualista alemão Max Stirner (Bayreuth, 25 de outubro de 1806 – Berlim, 26 de junho de 1856) com a sua ‘sociedade dos egoístas’ ao afirmar que:
“O objetivo dos governos é sempre o mesmo:
limitar o indivíduo, domesticá-lo, subordiná-lo, subjugá-lo”.
fonte:
http://www.4shared.com/document/JH5xscFE/Verso_Final_Nov_2010.html


"... somos todos responsáveis por tudo
e por todos perante todos,
e eu mais do que os outros..."
Fedor Dostoievski
(uma citação do romance ‘Os irmãos Karamazoff’)
Além de um conceito filosófico aprisionado em páginas e mais páginas de papel, já foi o desejo de muitos indivíduos, principalmente daqueles que estavam subjugados a alguma lei coercitiva, norma anacrônica ou a uma limitação qualquer que lhes tolhia os movimentos físicos e/ ou de pensamento...
Alguém fez a pergunta que não queria calar e que se fazia necessária: o que vem a ser liberdade?
É óbvio que mil e umas serão as respostas sobre tão especulativo tema, que pode ter uma infinidade de texturas nos infinitos campos de pesquisa do conhecimento humano.
Indo da pureza de sentimento de uma mente que é ligada a transcendência espiritual buscando superar os instintos primários de sobrevivência da espécie até ao mais sacana e inescrupuloso dos capitalistas na sua sanha desmesurada em amealhar a maior quantidade de riquezas possível para estocar em proveito próprio do seu ego carente.
E ele – o empresário empreendedor/ capitalista inescrupuloso – o faz sem o menor pudor ético, filosófico ou moral, pois é a sua escolha de ser/ viver a natureza competitiva, acumulativa e conseqüentemente destrutiva.
E para esse modo especifico de se viver uma experiência existencial que não aceita trabalhar com os limites que minimizam as interferências prejudiciais ao ritmo de renovação do meio ambiente.
Escolha que prioriza ajuntar coisas para se mostrar forte e poderoso diante de terceiros, mesmo sabendo que será quase impossível encontrar um ‘dia tal’ para sentar e saborear tudo o que se colecionou durante o seu curto período de existência física entre os pobres mortais explorados e surrupiados nestes atos de ganância econômico-financeiros.
Sem buscarmos contextualizar no nosso cotidiano o que queremos vivenciar com a prática da liberdade, viveremos várias vidas para encontrar uma resposta. E à cada interrogação, em cada uma dessas vidas teremos mil e uma respostas diferentes.
Na verdade o que estamos construindo é uma eterna repetição e sem nenhuma perspectiva de sair desse círculo vicioso no qual estamos habituados a viver: escolas de submissão, religião patriarcal, família nuclear e outras tantas experiências afins.
Um caminhar que não acrescenta nenhum sentido prático para as vivencias de um sem número de indivíduos, que não querem se submeter aos algozes de plantão, vendedores de ilusões e travestidos de salvadores de almas, corpos e mentes neste mundo midiático de promessas virtualmente vazias de propósitos.
A liberdade de ir e vir, defendida com unhas e dentes pela burguesia esclarecida – altamente qualificada e especializada – e enriquecida na exploração do trabalho alheio, deve está ligada diretamente ao exercício da igualdade para que todos tenham como exercitar o direito de trabalhar, habitar, comer, vagabundear, estudar, curar-se etc.
Digo mais, devemos por em prática vivências coletivas onde a dignidade e o respeito entre iguais sejam praticados, pois só assim esta conquista da liberdade se fará presente na existência pessoal e cotidiana de todos.
E para se chegar até lá é necessário termos como meta primordial organizarmo-nos em lutas que rompam com o instrumento de dominação ideológico da burguesia: o Estado político, que a tudo absorve, molda, adestra e destrói nos cotidianos individuais e coletivos!!
Liberdade, portanto, só quando pular do papel – mundo das idéias – e for de encontro à vida para ser vivida coletivamente por todos e por cada um sem amo ou senhor...
fonte:
winter disse...Cursei um ano de Ciências Sociais na UFF, depois abandonei o curso, mas lembro-me perfeitamente de uma aula de Ciência Política I, em que o Prof. Ferraz disse com todas as letras: todas as pesquisas eleitorais são falsas com exceção da primeira e da pesquisa de boca de urna: a primeira, para medir de fato as intenções e - a partir daí - influenciá-las; a última, para não tirar a credibilidade do Instituto de pesquisa.
É fogo...
Quem quiser outras visões críticas sobre nossa sociedade visite: comunidadeeditoria.blogspot.com
01/06/2008 16:18:00
Anuraghi disse..."Falamos isso, pois para se chegar a determinados resultados os institutos se utilizam das “médias aritméticas” como critérios de amostragem e para analisar os dados coletados de métodos muito pouco convincentes, que são postos em prática para determinar, persuadir e construir ‘verdades’ que só interessa ao poder constituído e seus apaniguados."
Cursei dois anos de Mestrado em Ciência da Arte na UFF e tenho condições de dizer que ciência não se faz com médias aritméticas. Ciência se "faz" com os números de cima hoje em dia...
Ou se vota com os de cima ou se luta com os de baixo.