"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2012/01/10

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Subject: Comuna de Paris


Caríssimos, 

aí vai o endereço da TV Petroleira para a qual o  "compa"    alexandre  samis  concedeu uma entrevista sobre a Comuna de Paris.



obs: 
programa Contra Ponto:

http://itv.netpoint.com.br/sindipetro/principal.asp?id=75



por Peter Kropotkin


No dia 18 de março de 1871, o povo de Paris levantou-se contra o governo que desprezava e detestava e declarou que Paris era agora uma cidade independente, livre e dona do seu destino. 

Essa derrubada do poder central aconteceu sem a costumeira encenação teatral que normalmente acompanha as revoluções. Não houve tiros e o sangue não chegou a correr sobre as barricadas. 

Quando o povo armado saiu às ruas, os governantes fugiram, as tropas abandonaram a cidade e os funcionários civis refugiaram-se apressadamente em Versalhes, levando tudo o que podiam. O governo se evaporou como uma poça de sangue estagnado em meio à brisa da primavera e no dia 19 de março Paris se viu livre da sujeira que a havia maculado, sem que tivesse corrido quase nenhuma gota de sangue de seus filhos. 

Entretanto essa mudança assim obtida deu início a uma nova era na longa série de revoluções pelas quais os povos começavam a trocar a servidão pela liberdade. 

Sob o nome de "Comuna de Paris", nasceu uma nova idéia que havia de se tornar o ponto de partida para revoluções futuras. Como acontece sempre, essa idéia não tivera origem no cérebro de um indivíduo isolado, nem era fruto das reflexões de um filósofo. Ela surgiu do espírito coletivo, nasceu no coração de toda a comunidade. 

Mas a princípio era algo vago e muitos daqueles que agiram e deram suas vidas para defendê-la não a viam com os mesmos olhos com que hoje a vemos. Eles não percebiam o alcance da revolução que haviam criado ou as possibilidades do novo conceito que acabavam de pôr em prática. 

Só depois é que começaram lentamente a entender suas conseqüências. Só mais tarde, quando começaram a refletir sobre o novo conceito é que ele se tornou mais claro e preciso e a beleza, justiça e importância dos resultados obtidos puderam ser avaliados. [...]  

Assim, a Comuna de Paris, fruto de um período de transição, nascida sob a mira das armas prussianas, estava destinada a desaparecer. 

Mas pelo seu caráter eminentemente popular ela deu origem a uma nova série de revoluções e pelas idéias que lançou tornou-se a precursora de todas as revoluções sociais. 

O povo aprendeu a lição e, quando surgirem mais uma vez na França os protestos das comunas revoltadas, ele já não esperará que governo tome atitudes revolucionárias. 

Quando tiverem se libertado dos parasitas que os devoram, tomarão posse de toda a riqueza social disponível de acordo com os princípios do comunismo anarquista. E quando verem abolido totalmente a propriedade privada, o governo e o estado, irão se organizar livremente, de acordo com as necessidades indicadas pela própria vida. 

Rompendo as correntes, derrubando seus ídolos, a humanidade marchará em direção a um futuro melhor, desconhecendo senhores e escravos, e venerando ainda os mártires que pagaram com seu sofrimento e o seu sangue naquelas primeiras tentativas de emancipação que iluminaram a nossa marcha pela conquista da liberdade. 


fonte:
George Woodcock:
Grandes Escritos Anarquistas. Rio Grande do Sul, LPM Editores, 1977 

2011/10/24

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A Comuna na História: 
de Paris a Kronstadt


27 de outubro – 18:00 horas

Conferencistas:
Alexandre Samis (Pedro II)
Marly Vianna (UNIVERSO)
Massimo Sciarretta (UNIRIO)

Apresentação:

Angela Martins (UNIRIO) e Carlo Romani (UNIRIO)


17:30 – Projeção de Louise Michel y la Comuna de Paris (TV Arcoiris)


18:00 – Conferência:  A Comuna na História: de Paris a Kronstadt


21:00 – Lançamento do livro de Alexandre Samis,  Negras Tormentas.


Auditório Paulo Freire CCH – UNIRIO Av. Pasteur, 458 Urca


Apoio Núcleo de Investigação Social – NIS / UFF

2011/10/03

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o Federalismo e o Internacionalismo na Comuna de Paris”

Conforme colocado pelo professor Wallace dos Santos de Moraes na orelha do livro, a presente obra “deve ser saudada com uma grande festa, tanto pela comunidade acadêmica como pelos leitores em geral”


Ele continua: 


“O leitor do século XXI deve colocar três grandes questões sobre a Comuna de Paris: 


1) Como foi possível realizá-la? 


2) Como foi seu desenvolvimento? 


3) Qual foi seu legado? 


A obra de Samis trata dessas questões de forma magistral, respondendo-as sempre no plural, isto é, chamando a atenção para os diversos fatores que influenciaram na possibilidade, na necessidade e nos resultados da eclosão da Comuna. 


Para além disso, aquele que se debruçar sobre a obra terá a oportunidade de conhecer a gênese desse episódio nos seus aspectos mais longínquos. Com efeito, o leitor é presenteado com o conhecimento da história política e social francesa do século XIX por meio da narrativa dos fatos, e também conhece o rico debate entre seus intérpretes. 


Ademais, a história da Associação Internacional dos Trabalhadores e o grande debate entre anarquistas, marxistas e outras correntes políticas são passados em revista. A partir destas discussões, a Comuna de Paris é inserida em seu contexto. É esse o grande mérito do autor, diferenciando-se de outros que a tratam por si mesma, como se tivesse nascido do nada. 


No livro de Samis, a eclosão da Comuna é vista como resultado de todo um acúmulo de lutas e questões sociopolíticas que estavam na ordem do dia na Europa no século XIX. Assim, o autor, com propriedade — apropriando-se do conceito de autoinstituição de Castoriadis –, nega que a Comuna tenha sido a última revolução plebeia e também a primeira revolução proletária. 


Ela é posta no seu devido lugar: 


como evento autônomo e coberto de idiossincrasias. Para o bem do leitor e da teoria, trata-se de uma pesquisa que discute muito mais do que aquilo que se propõe — e que é ainda mais abrilhantada pelo prefácio de René Berthier, francês e estudioso do tema.” 


Publicado nesse ano que marca os 140 anos da Comuna de Paris, Negras tormentas, “o livro, hoje”, considera Moraes, “é a principal referência sobre o estudo da Comuna de Paris já publicado no país”.


livro editado pela  HEDRA

2011/08/08

extraindo conceitos

Negras tormentas, 


por Alexandre Samis



Conforme colocado pelo professor Wallace dos Santos de Moraes na orelha do livro, a presente obra “deve ser saudada com uma grande festa, tanto pela comunidade acadêmica como pelos leitores em geral”. Ele continua:

“O leitor do século XXI deve colocar três grandes questões sobre a Comuna de Paris:

1) Como foi possível realizá-la?

2) Como foi seu desenvolvimento?

3) Qual foi seu legado?

A obra de Samis trata dessas questões de forma magistral, respondendo-as sempre no plural, isto é, chamando a atenção para os diversos fatores que influenciaram na possibilidade, na necessidade e nos resultados da eclosão da Comuna. 


Para além disso, aquele que se debruçar sobre a obra terá a oportunidade de conhecer a gênese desse episódio nos seus aspectos mais longínquos.

Com efeito, o leitor é presenteado com o conhecimento da história política e social francesa do século XIX por meio da narrativa dos fatos, e também conhece o rico debate entre seus intérpretes. 


Ademais, a história da Associação Internacional dos Trabalhadores e o grande debate entre anarquistas, marxistas e outras correntes políticas são passados em revista. 


A partir destas discussões, a Comuna de Paris é inserida em seu contexto. É esse o grande mérito do autor, diferenciando-se de outros que a tratam por si mesma, como se tivesse nascido do nada.

No livro de Samis, a eclosão da Comuna é vista como resultado de todo um acúmulo de lutas e questões sociopolíticas que estavam na ordem do dia na Europa no século XIX. 


Assim, o autor, com propriedade -- apropriando-se do conceito de autoinstituição de Castoriadis --, nega que a Comuna tenha sido a última revolução plebeia e também a primeira revolução proletária. 


Ela é posta no seu devido lugar: como evento autônomo e coberto de idiossincrasias.

Para o bem do leitor e da teoria, trata-se de uma pesquisa que discute muito mais do que aquilo que se propõe -- e que é ainda mais abrilhantada pelo prefácio de René Berthier, francês e estudioso do tema.” 


Publicado nesse ano que marca os 140 anos da Comuna de Paris, Negras tormentas, “o livro, hoje”, considera Moraes, “é a principal referência sobre o estudo da Comuna de Paris já publicado no país”.

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Alexandre Samis é doutor em História pela Universidade Federal Fluminense e professor do Colégio Pedro II. É autor dos livros Clevelândia: anarquismo, sindicalismo e repressão política no Brasil (Imaginário/Achaimé, 2002) e Minha pátria é o mundo inteiro: Neno Vasco, o anarquismo e o sindicalismo revolucionário em dois mundos (Letra Livre, 2009).

René Berthier é pesquisador francês, especialista em temas clássicos do socialismo e autor de diversos livros. No Brasil é autor de Poder, classe operária e “ditadura do proletariado” (Imaginário/Faísca, 2010) e Marxismo e anarquismo (Imaginário, 2011).