"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2011/01/06

visões antropofágicas



DOMINGO, 12 DE DEZEMBRO DE 2010


Resenha: Discurso da Servidão Voluntária

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Há alguns posts atrás algum de nossos visitantes comentou sobre o livro Discurso da Servidão Voluntária, de Étienne de La Boétie. Pedi a um dos nossos mais assíduos colaboradores (comentando em nossas postagens) que fizesse uma resenha sobre o livro, e ele aceitou a sugestão. Hoje trazemos aqui essa colaboração feita com exclusividade para este blog.

Vejam ai. E até a Quarta-Feira que vem.



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el__brujo

Os séculos XV e XVI são marcados pela expansão territorial; novas fronteiras são abertas e surgem novos ‘povos’ com perfis civilizatórios que colocam em xeque o modo de vida do mundo dito conhecido.
O mundo ocidental e a sua busca incansável pela autoridade referendada sempre no UM; seja ele o deus monoteista na religião, seja o estado absolutista na ciência política e/ ou a escritura como a única verdade crível no mundo do conhecimento (só vale o que está escrito, seja na lei secular, na fé ou na ciência).
Indo um pouco mais além, podemos afirmar que esses ‘mundos’ ao entreolharem-se se declararam – logo de imediato – como inconciliáveis e antagônicos nos seus desenvolvimentos civilizatórios...
Nesse instante o choque civilizatório se fez presente e perdurou pela opressão dos mercadores de especiarias (temperos aromáticos), sedas, chás, alucinógenos, metais e cristais preciosos etc.


Visto que a autoridade – tão querida aos ocidentais – não se permitia ao luxo do convívio com a liberdade sem adjetivações; fortalecendo, por isso, a ingerência protetora da lei, da fé e ou da ciência nas relações societárias.
Étienne de La Boétie (1º. de novembro de 1530 — 18 de agosto de 1563) escreve, entre os 16 ou 18 anos, seu panfleto/ ensaio sobre o ‘discurso da servidão voluntária’.


E nele tenta encontrar respostas para a questão da submissão a que o homem ocidental se submetia cega e voluntariamente, e que dessa submissão retirava para si prazeres e regozijos como súditos do rei, da lei e de deus.


Como nos esclarece La Boétie:


“Da razão que nasce conosco ou não, o que é uma questão debatida a fundo pelos acadêmicos e abordada por toda a escola dos filósofos, por ora não pensaria falhar ao dizer o seguinte:


há em nossa alma alguma semente natural de razão que, mantida por bom conselho e costume, floresce em virtude e, ao contrário, freqüentemente sufocada, aborta, não podendo enfrentar os vícios sobrevindos.”


Faz-se necessário, portanto, interrogarmos por que se aceitar prestimosamente a dominação do UM (deus, rei e/ ou a lei) contra todos (indivíduo ou coletivo)?


Visto que, nas palavras de La Boétie,


"É natural no homem o ser livre e o querer sê-lo; mas está igualmente na sua natureza ficar com certos hábitos que a educação lhe dá"


Isso se dá, portanto, através da negação/ servidão do indivíduo pela educação que lhe é imposta, que passa a comungar, idolatrar e referendar a concentração do poder político e, também, o financeiro nas mãos de alguns poucos.


E esses poucos beneficiários do poder concentrado tomam para si, como uso restrito, a função tecnológica de governamentalidade, isso através da normalização das relações de poder entre a autoridade constituída e a sociedade, e desta consigo mesma:


organizar, administrar e, portanto, dominar – disciplinar e controlar – a sociedade; perpetuando esta forma de exploração ad infinitum.


É premente que tentemos, como afirma o cientista político Edson Passetti (PUC - São Paulo), “...compreender o mal imanente à autoridade e recuperar a confiança na liberdade.”


Liberdade esta sem os adjetivos limitadores de sua expressão máxima, como nos indica o pensamento político do jovem estudante francês, La Boétie:


"Decidi-vos a não servir mais, e serei livres."
O autor da resenha é também editor do blog O Homem Revoltado.

2010/11/24

extraindo conceitos

    • Discurso da Servidão Voluntária

    • Étinne de La Boétie

  • Tradução de casemiro linarth
  • PreçoR$ 12,90


    • Poucos anos antes de morrer, aos 32 anos, Étienne de La Boétie (1530-1563) deixou em testamento seus escritos a Montaigne, o qual, mais tarde, destacou os méritos nos Ensaios e em várias cartas, apontando este autor como um dos homens mais importantes daquele século.


      O prestígio de La Boétie vem desta pequena obra — Discurso da servidão voluntária —, em que afirma que é possível resistir à opressão sem recorrer à violência: a tirania se destrói sozinha quando os indivíduos se recusam a consentir com sua própria escravidão.


      Como a autoridade constrói seu poder principalmente com a obediência consentida dos oprimidos, uma estratégia de resistência sem violência é possível, organizando coletivamente a recusa de obedecer ou colaborar.


      Foi com essa idéia que se construíram inúmeras lutas de desobediência civil no século XX, e a mesma idéia levou, entre outros motivos, à queda pacífica de muitas ditaduras.


      *#*

      sinopse:


      Escrito em meados do século XVI por um jovem de apenas 18 anos, este ensaio foi consideradp como "o mais forte e vibrante hino à liberdade jamais escrito". La Boétie indaga sobre as razões pelas quais as pessoas se submetem à tirania de um governo, concluindo que o motivo principal da existência deste último reside nas próprias pessoas, no seu espírito de servidão voluntária.


      Assim, comprova, por meio de argumentos incisivos e exemplos referenciais, o estado de servidão em que se encontra a maioria dos homens de seu tempo. É uma obra profundamente motivada pelo momento histórico em que está inserida. Reflete, discute e se dirige à realidade francesa da época em que foi escrita, em tempos de sofrimento.


      comentário:


      Este livro contribui para a importante renovação da sensibilidade intelectual e politíca que se nota em seu século [XVI]. O principal mérito de La Boétie é o de haver inaugurado a inteligibilidade e a transparência, que constituem, ao lado da liberdade do povos, a maior conquista do ser humano.

2008/11/09

camarada

(tavarish),

A felicidade deixou de ser um ‘conceito’ para tornar-se uma ‘necessidade’ fisiológica, tal qual a fome, a sede etc.

É o império dos ‘bobos da corte’ com seus guizos barulhentos, fitilhos multicoloridas e um gélido sorriso porta fresca (cool & gate), que plasticamente está estampado ad infinitum, isto em rostos sem identidade coletiva e/ ou despersonalizado da sua individualidade.

Bobos acéfalos da corte do rei/deus/tio sol/javé/sam, que circulam enfileirados, tal qual escravos/estudantes/operários, por corredores multicoloridos em busca do preenchimento, via consumo de quiquinlharias, babilaques e balangandas demodês, do seu vazio existencial....

Em tempo, recomendo, aos diletos amigos, o

discurso sobre a servidão voluntária,

de
étienne de la boéttie:

é o povo que se sujeita, que se corta a garganta, que, podendo escolher entre ser subjugado ou ser livre, abandona a liberdade e toma o jugo, que consente no mal, ou antes, o persegue”.

É assim que os homens nascidos sob o jugo, depois alimentados e educados na servidão, sem olhar para a frente, contentam-se em viver como nasceram, sem pensar em ter outro bem, nem outro direito senão o que encontraram, tomando como natural sua condição de nascença”.

.: tavares:.