"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2009/02/22

pipoca & celulóide

“Eu aprendi, a vida é um jogo, cada um por si,

e Deus contra todos”.

Nathália Geraldo

· Santos (SP) · 3/10/2008

A letra de “Homem Primata” da banda Titãs teria que ser reformulada, se fosse escrita hoje em dia, devido à nova onda de programas de responsabilidade social de empresas: Deus pode até estar contra todos, mas a propaganda empresarial, como se pudesse salvar o negro que sofre as conseqüências de uma abolição da escravatura mal-feita, diz que é “cada um por si, e o projeto de inclusão social por nós”.

Por nós, classe média, classe alta e classe baixa. Já que apoiar entidades assistencialistas garante nossa limpeza moral e alguns momentos de felicidade para os moradores de rua ou para pobres da periferia.

Porém, inevitavelmente, seguimos o conceito selvagem de “cada um por si”, visto que há um sistema econômico predominante no qual o consumo excessivo é incentivado e o individualismo é palavra de ordem. Esse é o discurso social lógico no qual os valores são flexíveis. E isso interfere nos atos de solidariedade, assunto do filme “Quanto vale ou é por quilo?”, de Sérgio Bianchi.

No filme, as personagens representam as classes sociais de onde partem, e por esse motivo, há relativização do que é certo ou errado. Assim, o “fazer o bem” tem significado diferente para as senhoras que ajudam nas ONGs e para o bandido que seqüestra um empresário, fazendo justiça social com as próprias mãos.

O motivo dessa variação de pontos de vista é contextualizado historicamente sendo apresentados casos do período escravocrata retirados do Arquivo Nacional (RJ). A intenção do diretor Sérgio Bianchi em dramatizar a História com atores que também representam as situações do mundo atual faz com que a comparação e a sensação de “nada muda no Brasil” sejam inevitáveis.

É assim que Sérgio Bianchi apresenta sua análise crítica em torno da relação pobre-responsabilidade social-boa imagem para a empresa ou para o indivíduo.

Quanto vale ou é por quilo?” mostra como a sociedade brasileira, caracterizada pela transferência de responsabilidade do interesse público para o privado, torna mercadoria aquele que ajuda. A postura positiva para a obtenção de retorno. Em última análise, mostra a hipocrisia. A batalha entre minorias e maioria, sendo que os primeiros são domesticados por aqueles que são bons, por meio da filantropia.

O filme não ameniza os contrastes das classes sociais; as interliga em torno dos problemas sociais, formando núcleos que mantém o status quo de doar e receber. Marketing social, apoio do cliente-cidadão que, sem questionar, confia nos projetos sociais promovidos pelas empresas e uma possível teia de corrupção, são as respostas lucrativas que uma empresa do Terceiro Setor pode receber.

Os valores são altos, as festas que reúnem os grandes doadores, grandiosas, mas a exclusão social combatida é questão para o mundo virtual, onde se torna um espetáculo a miséria de qualquer canto.

leia mais, saiba mais:

http://www.overmundo.com.br/overblog/analise-do-filme-quanto-vale-ou-e-por-quilo

2 comentários:

Anônimo disse...

“Mais valem pobres na mão, do que roubando.”

Vinícius A.C. disse...

Assistência social e assistencialismo são sinônimos. Não são, entretanto, para indivíduos e profissionais reformistas, empossados nos cargos governamentais, lotados nos espaços de poder ou integrantes das revisionistas linhas nas fileiras da pseudo ou cripto esquerda, aparelhados ou não. As ditas "políticas assistenciais" são portanto, formas de controlo social mediante a gestão da miséria com parcas e pontuais aplicações de recursos, ou seja, distribuição de migalhas (que caem das mesas da perniciosa e "fausta" burguesia) para o controlo das massas. A domesticação ou catequização do pobre pela filantropia ou caridade, mero capítulo da famosa historieta que retrata a dialética do opulento/miserável, subproduto do sistema sócio-político-econômico capitalista, onde a "problemática social", "caso de polícia", advém da desigualdade na esfera da produção, na relação entre capital e trabalho, segundo análise da Teoria do Valor-Trabalho. As expressões "paz social", "promoção da coesão social", "harmonia social", "intermediação de conflitos", etc. perquiridas pela assistência social, agentes do Estado burguês e da "privataria" do Terceiro Setor, constituem-se simplesmente num estratagema de preservar/salvaguardar as instituições sociais, o maldito Estado e o capital de surtos espamódicos de violência que engendrariam convulsões sociais e consequencialmente a revolução social.