"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2012/04/11

indicação de leitura

http://www.lpm-blog.com.br/?p=8358

30. Tudo sobre uma utopia generosa

 


Por Ivan Pinheiro Machado*


No início dos anos 80, a ditadura já agonizava. A juventude que protestou nas ruas, que apanhou da polícia, passou a viver a euforia de uma abertura democrática. A plenitude só voltaria em 1985 com o fim da era dos generais. Já no começo dos anos 1980, na agonia da ditadura, a imensa pressão da sociedade constrangia o regime e abrandava a repressão. Já não se escondiam os crimes cometidos pela polícia política embaixo do tapete da repressão. A censura prévia fora derrubada aos poucos, pela tenaz resistência da imprensa e pelo repúdio de todas as instituições brasileiras com credibilidade.

Um dos livros da "Biblioteca Anarquista" que agora está na Coleção L&PM POCKET


A  “série Anarquista”, publicada pelas L&PM Editores, surgiu nesta época e neste contexto. Éramos muito jovens no final dos anos 70 e início dos anos 80. O ambiente cultural saía das trevas da ditadura e as idéias explodiam. Sem sermos anarquistas, militantes ou simpatizantes, nós resolvemos desafiar o conservadorismo da direita e os preconceitos da esquerda, criando uma série que expusesse o pensamento anarquista na sua plenitude, sem cerceamento. Expor para o conhecimento de todos esta utopia generosa de um estado sem governo, onde o homem exercesse a sua plenitude sem ser obrigado a obedecer regras estritas da política. Foi um trabalho sério e pioneiro, onde os melhores autores simpatizantes como Oscar WildeTostói ou ideólogos do anarquismo como Proudhon, Kropotkin, Bakunin, Malatesta e Woodcock tiveram suas obras publicadas criteriosamente num conjunto que foi batizado de “Biblioteca Anarquista”.

Sempre atual, sempre polêmico, o pensamento anarquista, através de sua desvairada utopia, penetrou nos corações dos jovens exatamente pelo seu lado mais generoso (sempre esta palavra) e, se foi inviável como aplicação doutrinária e política, contribuiu para a formação de uma visão humana e plural da sociedade. Já no século XXI, a L&PM Editores, através da sua coleção L&PM POCKET reeditou a “Biblioteca Anarquista”. Para completar, “Grandes escritos anarquistas”, do teórico americano George Woodcock, será republicado em 2012.

*Toda terça-feira, o editor Ivan Pinheiro Machado resgata histórias que aconteceram em mais de três décadas de L&PM. Este é o trigésimo post da Série Era uma vez… uma editora.

2012/04/02

extraindo conceitos



SEGUNDA-FEIRA, NOVEMBRO 21, 2005


TESES SOBRE PROUDHON


I


A Filosofia consiste em fazer da vida um constante combate contra a ignorância.


Fazer  filosofia é fazer o mundo. Fazer o mundo modificando-o. Só se toca o real transformando-o. O mundo é um todo organizado com sentido. Só então filosofar é interpretar, filosofar é criar, é construir. A filosofia tem um teor englobante. A pergunta que se coloca bem à nossa frente neste momento é a pergunta pelo como. Não posso compreender uma pessoa que não seja disciplinada.

 O domínio político, o domínio ideológico, esmaga o nosso viver que naturalmente quer ser livre e não estar sujeito a categorias formais desta espécie. A filosofia, como eu a entendo, estabelece um fosso com o político. A filosofia é obra. Fazer filosofia implica realizar uma obra nem que isso seja a vida de um homem.

A obra de filosofia está de acordo com a frase latina:  “Opus artificem probat” [ A obra revela o artista]. A obra mostra o artífice. A primeira verdade ontológica é que a verdade do ser é limitado pelo seu corpo.

Um bilhão de pessoas não sabe ler nem escrever. Dois bilhões de pessoas não têm acesso a energia eléctrica. Mais de metade da população mundial não tem acesso a água potável. Três bilhões de pessoas vive com dois dólares por dia. Um bilhão e meio vive com um dólar. Vinte por cento da população mundial não ultrapassará a barreira dos 40 anos. Quase dois bilhões é o valor anual, em contos, que os americanos gastam em cosméticos. Mais quinhentos milhões que a quantia estimada para que toda a população mundial pudesse ter acesso à educação básica.

Vinte por cento da população dos países ricos, que atualmente, consome oitenta e quatro por cento dos bens mundiais, tinha, em 1960, trinta vezes mais rendimentos que vinte por cento da população dos países mais pobres. Em 1997, esta diferença subiu para setenta e quatro vezes.

Segundo as contas oficiais seriam necessários cem mil milhões de dólares para acabar com a fome e dar condições mínimas a todos os pobres do mundo. Número verdadeiramente assombroso, sobretudo se for mencionado como um dado absoluto. Mas se dissermos que a fortuna dos 7 homens mais ricos do mundo chegava e sobrava para pagar este valor exorbitante, que pensar disto?


Estes dados são demasiado importantes para termos qualquer tipo de dúvidas sobre a situação aviltante que o mundo capitalista criou e continua a criar apesar dos discursos altissonantes de justiça social, direitos humanos e outras expressões vazias de sentido porque não há comparticipação na realidade social onde vivemos e onde sentimos
leia mais:


2012/03/19

extraindo conceitos

Teses sobre Proudhon


por  Francisco  Trindade


O capitalismo domina majestaticamente as nossas vidas a todos os níveis, e esse é sem dúvida, um dos principais aspectos caracterizadores deste final de século vinte. As possibilidades de regressar ao que surge hoje como uma idade de ouro desapareceram e o capitalismo regressou de certa maneira ao seu modo de funcionamento natural, caracterizado pelas desigualdades, a desordem, a insegurança social, as guerras, a fome e o desinteresse em relação ao ambiente. Mas esse passo atrás faz-se a partir de conquistas sociais e de potencialidades tecnológicas qualitativamente diferentes em relação a todas as épocas anteriores. Hoje, seria possível assegurar a cada um condições de existência correctas, e é por essa razão que a estabilização do capitalismo na base do seu funcionamento actual é impossível.


Neste contexto, não é absurdo considerar a prazo a retoma de um movimento social que poderia beneficiar das condições tanto conjunturais como estruturais que se podem prever para os próximos tempos. Tendo em conta a persistência das falhas de fundo do sistema, cujos limites os trabalhadores têm experimentado, e que mesmo os governos acabam por reconhecer como tais, encontramo-nos de certa maneira numa situação de tábua rasa, em que as ilusões em parte desapareceram, e em que se torna possível avançar com exigências opostas às do sistema econômico dominante. Deste ponto de vista, pode dizer-se que estão reunidas as condições para o movimento social passar, pelo menos em certos sectores, de uma atitude de defesa, mitigada por certa desmoralização, à afirmação positiva de reivindicações e de exigências dirigidas ao sistema e ao seu modo de funcionamento. 


Saudações proudhonianas 
Até breve 
Francisco Trindade 

2012/03/05

extraindo conceitos


terça-feira, 18 de agosto de 2011

Matildes Regina Pizzio Tomasi[1]


“Defensor da igualdade, falarei sem ódio nem cólera, com a independência própria do filósofo, com a calma e a segurança do homem livre. Pudesse eu, nesta luta solene, levar a todos os corações a luz que me ilumina e mostrar, pelo êxito do meu discurso, que se a igualdade não pôde vencer pela espada é porque deve vencer pela palavra!”
 (Proudhon)


Nas diferentes fases da história sempre vimos alguns povos se sobrepondo a outros, exercendo domínio e destruindo culturas. Atualmente não é diferente, ainda vemos as grandes potências econômicas interferindo e estabelecendo regras para o modo de produção nas diversas Nações Mundiais. Portanto, continuam dominando e subjugando os mais fracos. Para barrar esta inversão de valores, na qual os menos esclarecidos acabam por legitimar e ceder soberania às culturas imperialistas acredita-se em uma educação libertária, na qual o sujeito possa reconhecer-se como indivíduo autônomo e senhor de sua própria vontade.

Inicialmente é necessário descontruir falsas ideias e conceitos pré-estabelecidos que tomem como verdade, por conta de uma educação direcionada a criar cidadãos obedientes e limitados aos padrões de uma sociedade individualista. Precisamos abolir toda e qualquer instituição que condiciona o indivíduo, rejeitando os seus valores e princípios e criar uma nova forma de ver a realidade na qual estamos atuando. Até que ponto as nossas atitudes são decorrentes de nossa vontade ou daquilo que é esperado de nós? Somos realmente livres e donos de nossos desejos ou marionetes do capitalismo? Autores como Kropotkin e Proudhon são referenciais e esclarecedores a estas questões. Pois eles apresentam teorias que contradizem o sistema individualista e desenvolvimentista do qual estamos inseridos.

Para Kropotkin a sobrevivência de toda e qualquer espécie, seja no reino animal ou vegetal, inclusive a humanidade, se deu através da ajuda mútua. Por se ajudarem mutuamente as espécies criaram condições adequadas para resistirem a intempéries da natureza e aos ataques de animais ferozes. Que o instinto natural do ser humano é de solidariedade e fraternidade, sentindo-se melhor quando pode ajudar o próximo e contribuir para que o mesmo possa estar numa situação mais confortável. Apresenta estudos de pequenas comunidades na Europa e na Rússia, nas quais algumas famílias se organizaram em forma de mutirão, para atenderem as necessidades do coletivo a até mesmo as individuais. Tornando-se autossuficientes e capazes de coordenarem os trabalhos coletivamente para o bem comum da sociedade, inclusive atividades que seriam de responsabilidade do Estado, como manutenção de praças, pontes, estradas. Cita também como exemplo as grandes Catedrais Medievais, como obra de uma comunidade na qual todos participaram de alguma forma para a realização da mesma. Observamos que durante idade média, as obras de arte não eram assinadas por pertencerem à comunidade. O hábito de assinar as obras ocorreu no alvorecer da modernidade, quando o homem antecipa algumas das características modernas, o individualismo.

Para Proudhon a natureza humana é constituída de uma força embrutecida e dominadora, a qual precisa ser exercida e testada. Que o primeiro combate do homem foi com a natureza, por oferecer as condições ideais para testar sua coragem, paciência, virtude e o desprezo pela morte. Assim, segue por toda a história, sempre criando situações de guerra, pois a guerra atribui um sentido de justiça ao vencedor, ou seja, ele tem direitos sobre os vencidos. Ações que legitimam a guerra, a escravidão e o poder. Quando se apropria do poder, o homem, usa e abusa, cria uma série de medidas possíveis de garantir o sucesso e a continuidade do mesmoConstituem-se formas de governo com a finalidade de manter a ordem na sociedade, consagrando e santificando a obediência, tornando-se absoluto e intransferível.

O governo tem nas mãos tudo o que vai e vem, o que se produz e se consome todos os negócios dos particulares, das comunas e dos departamentos; ele mantém a tendência da sociedade em direção ao pauperismo das massas, à subalternização dos trabalhadores e à preponderância sempre maior das funções parasitárias. Pela polícia, ele vigia os adversários do sistema; pelo exército ele os destroça; pela instrução pública ele distribui, na proporção que lhe convém, o saber e a ignorância; pelos cultos ele adormece o protesto no fundo dos corações; pelas finanças ele paga, em prejuízo dos trabalhadores, os custos dessa vasta conjuração. (PROUDHON, 1979, p. 54).

Para Proudhon as práticas de governo estão fundamentadas nos seguintes princípios: na perversidade original da natureza humana; na desigualdade essencial das condições; na perpetuação do antagonismo e da guerra; na fatalidade da miséria. Pois o governo, enquanto Estado e coordenador de todas as atividades humanas, apropria-se de tudo o que lhe convém, inclusive das instituições de ensino, controlando-as para que os saberes sejam mantidos como uma forma de poder restrito a um pequeno e seleto grupo de intelectuais. O que proudhon mais questiona e se posiciona contra é o princípio de autoridade e diz que é impossível que haja qualquer forma de governo sem a autoridade, pois a autoridade é o próprio governo em exercício, e para abolir um é preciso abolir o outro.

Kropotkin defende que precisamos fazer uma revolução de costumes e valores. Afirma também que ninguém pode ser dono de nada, pois todas as riquezas do mundo foram adquiridas e construídas com o esforço de muitos. Até mesmo os conhecimentos tecnológicos e científicos pertencem à humanidade, porque enquanto alguns tinham tempo livre para se dedicarem a o estudo, muitos trabalharam para sustentá-lo. E que enquanto alguns enriquecem, a grande maioria se encontra em situação de pobreza e miséria. E que é possível sim, criar uma sociedade onde todos possam trabalhar pelo bem comum e compartilhar as riquezas conquistadas. De acordo com os seus cálculos, cada pessoa precisaria trabalhar 4 horas por dia num período máximo de 25 anos, para suprir todas as suas necessidades, não precisará trabalhar para produzir excedente e nem para alimentar a máquina pública em seus diversos setores burocráticos. O que lhe daria tempo livre para se dedicar as atividades que julgar prazerosas ou ampliar seus conhecimentos nas áreas de seu interesse.

Portanto para que o homem possa exercer sua liberdade, precisa livrar-se destas instituições enganadoras, que prometem coisas que jamais irá cumprir. A Igreja promete salvação e vida eterna; a Escola promete conhecimento, que jamais teremos, pois, está regulamentado pelo Estado e tem a função de disciplinar e educar as crianças para se tornarem cidadãos obedientes e contribuintes; O Estado por sua vez promete proteção e garantia de direitos; o Capitalismo que promete a realização de todos os sonhos. Porém todas estas formas de sedução contém dentro de si o princípio da autoridade. Elas sempre negarão a liberdade e a igualdade, farão com que os homens se digladiem para tomar o poder e permanecer no comando.  Jamais obedecerão aos princípios de justiça, pois estes foram modificados, para criar o direito à propriedade.



Referências Bibliográficas:

KROPOTKIN, Piotr. Ajuda Mútua: um fator de evolução.  Tradução Waldyr Azevedo Jr. Ed. A Senhora: São Sebastião. 2009.

KROPOTKIN, Piotr. A conquista do pão.  CEL – Célula de Entretenimento Libertário - célula BPI – Biblioteca Pública Independente. 2006.

AVELINO, Gilvanildo Oliveira. Anarquismos e governamentalidade. PUC-SP. São Paulo; 2008.



[1] Acadêmica do 4º semestre do curso de Licenciatura em História da UFFS/ Campus Erechim - 2011
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in: 


terça-feira, 18 de agosto de 2011

2011/02/05

visões antropofágicas

OS DESPOSSUÍDOS VÃO À LUTA!


por  el_brujo

Uma onda tsunâmica de revoltas (manifestações e motins de ação autônoma)  vêem percorrendo o velho, e também, o velhíssimo mundo:

da Grecia para a Tunísia; da Tunísia para o Egito; do Egito para a Jordânia, o Iêmen, a Argélia, etc.

Revoltas sem donos, ou mandatários, ou messias salvadores da pátria mãe dos endinheirados...

Revoltas que buscam por ar puro, pois as ditaduras que teimam em perpetuar-se por mais de três décadas sufocando a vida, a criatividade e a singularidade dos indivíduos (sujeitos) que não se assujeitam à servidão voluntária ou imposta pela opressão do Capital, do Estado e/ ou Teológica.

Revoltas que expõem a força da sua beleza nos burburinhos  do  cotidiano das escadarias, praças, avenidas, ruas, vielas e esquinas:


espontaneidade, autonomia, autodisciplina, consciência de sua alienação, tesão, solidariedade, vontade de potência, autodeterminação, etc.; que visam principalmente o exercício das práticas de liberdade.

E os gananciosos "senhores dos anéis"  interrogam boquiabertos:

quem são esses tais "terroristas revoltos"?

Uma miríade de anônimos, pessoas comuns do nosso dia-a-dia; e que migram para os centros urbanos, transitando ao vento em busca da própria sobrevivência:

são homens e mulheres que dizem não às hierarquias de gênero; os pobres excluídos e albergados nas periferias; jovens estudantes e/ ou trabalhadores; desempregados etc.

"A vontade e o desejo" dos revoltosos estão “transformando a face da região [sul da Europa e norte da África], dando arrepios aos mandarins de Washington (E.U.A/norte) e Tel Aviv (Israel)" [José Antonio Gutiérrez D. (Anarkismo.net: 01.02.11)]

Diante  dessas revoltas espontâneas que, sem destino ou futuro predeterminado,  vagueiam soltas — por hora!?  nos mares do mediterrâneo, Pierre-Joseph Proudhon (1809 — 1865) nos interrogaria:

o “que nos falta para realizarmos a obra que nos foi confiada?

Uma só coisa:

A prática revolucionária!... 

O que caracteriza a prática revolucionária é que ela já não procede por pormenor e diversidade, ou por transições imperceptíveis, mas por simplificações e por saltos.


Anônimo disse...



"É o começo de uma nova era, as massas estão se sublevando e a sua liberdade está em jogo, as tiranias tombam... Sem dúvida estamos a assistir ao nascimento de um mundo novo."

Mazen Kamalmaz, da Síria - editor do blog anarquista árabe 



http://www.ahewar.org/m.asp?i=138
5/2/11