"O anarquismo defende a possibilidade de organização sem disciplina, temor ou punição, e sem a pressão da riqueza."

emma goldman

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2009/05/31

extraindo conceitos


O texto de Morris (1884), que se segue logo abaixo, tem tudo haver com o crescente número de desempregados, pois este movimento da economia capitalista não se limita só às conseqüências direta da crise do sistema financeiro americano.
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Portanto nos cabe o direito de 'desejar' alternativas para o atual ‘mundo do trabalho’, que caminha inexoravelmente – com a ajuda extraordinária da micro-eletrônica – a passos largos para à exclusão/ eliminação de parte considerável (4/5) da presença humana no processo produtivo...
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Quanto ao trabalho, ele será, em primeiro lugar, útil e, portanto, digno e honrado; pois não haverá a tentação de fabricar apenas brinquedos inúteis, já que não teremos mais homens quebrando a cabeça para descobrir novas formas de gastar dinheiro supérfluo.
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E, conseqüentemente, não teremos também os "organizadores da produção" que, pensando apenas no lucro, prestam-se a toda a espécie de tolice, desperdiçando sua inteligência e energia a imaginar ardis para ganhar dinheiro sob a forma de quinquilharias que eles próprios desprezam.

Ninguém produzirá artigos de qualidade inferior; não haverá uma população constituída por milhares de pessoas pobres, criando um mercado para artigos que ninguém desejaria comprar, se não fosse obrigado a fazê-lo; todos disporão de meios para comprar artigos de primeira qualidade e saberão rejeitar tudo aquilo que não for realmente excelente. .

Produtos grosseiros e de baixa qualidade continuarão a ser fabricados para serem usados por um período limitado de tempo, mas proclamarão abertamente sua inferioridade; não haverá falsificações.
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Além do mais, as melhores e mais engenhosas máquinas serão utilizadas sempre que necessário, mas serão utilizadas apenas para facilitar o trabalho do homem; e na verdade, nem poderia ser diferente, num sistema de trabalho tão organizado como o que estamos imaginando...
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Ora, tendo sido eliminada a fabricação de bens inúteis, sejam eles os nocivos artigos de luxo destinados aos muito ricos ou as vergonhosas imitações para os pobres, e estando nós ainda de posse das máquinas que eram antes usadas com o único objetivo de extorquir lucros, mas que agora passaram a ser empregadas exclusivamente para tornar mais fácil o trabalho humano, segue-se que cada operário poderá trabalhar menos.
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Ainda mais porque até lá teremos eliminado todos os indivíduos que não trabalham e mais aqueles que apenas fingem trabalhar, de modo que cada membro da nossa fábrica terá sua jornada de trabalho bastante reduzida. Para sermos exatos, digamos que cada operário deverá trabalhar apenas quatro horas por dia.
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Depois, poderemos admitir que será lícito ao artista – isto é, a todo aquele que exerce um tipo de atividade agradável e não servil – pretender que em nenhuma fábrica todo o seu período de trabalho – até mesmo as quatro horas obrigatórias – se limite apenas à tarefa de controlar as máquinas.
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Fica, portanto, assegurado que pelo menos algumas formas de atividade – e aqui me refiro àquele trabalho necessário e na verdade compulsório – serão agradáveis.
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O controle das máquinas não exigirá um período de aprendizado demasiado longo e mais: em nenhum caso será permitido que o operário permaneça durante todo o seu período de trabalho – por menor que este possa ser, como já vimos anteriormente – a controlar o funcionamento de uma determinada máquina.
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Na nossa fábrica, o trabalho realmente estimulante, aquele que pode se constituir por si só uma fonte de prazer será uma forma de arte.
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Assim, sob um tal sistema, o trabalho deixará de ser uma forma de escravidão, pois todas as atividades que puderem ser consideradas opressivas e incômodas serão realizadas por turnos e distribuídas de tal forma que deixarão de se constituir num peso, transformando-se até numa espécie de descanso entre uma e outra atividade mais estimulante ou artística.
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leia mais, saiba mais:
http://www.anarko.hpg.ig.com.br/00010.html

2009/05/28

extraindo conceitos


A autoridade que atomiza a sociedade sob o peso de uma uniformidade inorgânica, disfarçadas de organização, e a solidariedade espontânea que constrói na base dos órgãos vitais da vida associada, cujo processo culmina na liberdade, são os dois pólos opostos da vontade de poder, natural no homem.

Não se deseja voltar a explicar a história, como no cristianismo primitivo, como uma luta entre Deus e Satanás; mas é necessário reconhecer a importância – por demasiado tempo esquecida – que o elemento divino e o demoníaco (ou, se preferir, o elemento humano e o bestial) têm no coração e na ação dos homens.

Tudo bem. Pode-se dizer que o socialismo tem sua mesma base neste aspecto sadio da vontade de poder, cujo instrumento é a associação que multiplica ao infinito as projeções do esforço individual.
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Hoje, as exigências da vida material, habilmente exploradas por uns poucos que se fazem donos das consciências comprando-as com o indispensável pão, representam para os demais uma barreira insuperável, que os amontoa na ignorância e na miséria.
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Dando aos produtores e aos consumidores a posse coletiva dos meios de produção e dos meios de consumo, o socialismo liberta as comunidades humanas do predomínio obsessivo do fator econômico, transformando a cobiça hostil em esforço comum de exploração das riquezas naturais.

O socialismo é, por isto, a verdadeira libertação do indivíduo, libertação esta que vimos iniciar-se (já que a luta, a aspiração, já são uma libertação) através de muitas tentativas insurrecionais e através do movimento operário e do cooperativo, duas formas diversas – facilmente degeneráveis, mas sãs nas suas fontes – da defesa da vida e da dignidade da pessoa contra o sistema do benefício capitalista ["que criam para si ou protegem nos outros posições economicamente privilegiadas"].

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* excerto do livro
....O CAMINHO
Até o Socialismo sem Estado.
Em cada passo a realidade da meta,
.......................................................de Luce Fabbri.
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Editora Achiamé (Rio de Janeiro)

2009/05/26

extraindo conceitos

Minha Pátria é o Mundo Inteiro...

Aos primorosos cuidados da editora lisboeta Livraria Letra Livre vem a público – para nosso deleite – a tese de doutoramento do ‘compa’ Samis*.

Esta é uma pesquisa historica sobre o militante Gregório Nazianzeno Moreira de Queirós (1878-1920) apresentada à Universidade Federal Fluminense (UFF) em 2006. E que se transveste, agora, em livro: “‘Minha Pátria é o Mundo Inteiro’: Neno Vasco, O Anarquismo e o Sindicalismo Revolucionário em dois Mundos, 455 págs.; Lisboa/ Portugal; 2009.
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Alexandre nos alerta, em seu resumo da tese, que este meticuloso trabalho biográfico “[...] tem como objetivo analisar a trajetória pessoal e política do anarquista português Neno Vasco.
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Este libertário, ao atuar no movimento operário no Brasil e em Portugal, contribuiu sobremaneira para a formação do patrimônio teórico que caracterizou a corrente geralmente identificada como sindicalista revolucionária e dos setores anarquistas vinculados à mesma.
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Além disto, a investigação permite entender as sociabilidades políticas, caracterizadas pela ausência de hierarquias ou ascendência intelectual de determinado grupo étnico sobre o contingente de militares brasileiros.”
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Em um outro momento de reflexão [“Pavilhão Negro sobre Pátria Oliva: sindicalismo e anarquismo no Brasil”. In: História do Movimento Operário Revolucionário; São Paulo/ Brasil; Editora Imaginário; 2004] sobre a efervescência do nascente movimento operário do início do século XX, o Samis traz a tona que o enfrentamento direto ao Capital – e às suas bases de sustentação ideológica (o Estado e a Igreja) – é de maior importância na construção de uma consciência transformadora dessa situação de exploração desumana promovida pelo capitalismo à época.
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E que através da Ação Direta – pela assídua militância anarquista no movimento operário, com sua postura claramente revolucionária – se pôde constatar que “foi, sem sombra de dúvidas, o sindicalismo revolucionário o responsável pelo primeiro vetor social conseguido pelos anarquistas nos grandes centros brasileiros.
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Como queria Malatesta, os anarquistas deveriam entrar em todos os campos que suscitassem as contradições do capitalismo, e lá fazer com que funcionassem da forma ‘mais libertária possível’. No meio sindical a orientação não era diferente.”

Para adquirir estas obras (informe-se primeiro sobre os custos por exemplar e, também, com as despesas de postagem) faça contado direto com à Faísca Publicações Libertárias através do seguinte e-mail:
vendasfaisca@riseup.net.

*Alexandre Samis é professor, historiador do movimento anarquista-sindicalista e militante da FARJ (Federação Anarquista/ Rio de Janeiro)

2009/05/24

visões antropofágicas



Instituto Socioambiental de Valéria,
uma experiência de inserção societária e resistência...


el__brujo


O Instituto Socioambiental de Valéria (ISVA) está localizado num bairro periférico de Salvador/Bahia, com todas as suas carências e necessidades próprias destas populações marginalizadas pelo sistema produtivo (capitalismo) com seus baixos salários e o subemprego, e pelo Estado com a força física da coerção policial.

Citamos para esclarecimento do desleixo que ocorre nessas áreas de exclusão social, a falta de intra-estrutura nas áreas de saúde, educação, lazer, transporte, saneamento básico etc. Estamos falando do bairro de Valéria, mas esta leitura pode, e deve, ser ampliada para os bairros circunvizinhos: Águas Claras, Boca da Mata, Palestina, Pirajá etc.

O ISVA é um Centro de Estudos em Ecopedagogia e Agroecologia Urbana, objetivando a educação integral (manual e intelectual) e o cooperativismo baseado na economia solidaria, assegurando, assim, a sustentabilidade de atividades ecoprodutivas. Em resumo o ISVA desenvolve a prática de Autogestão Social, onde o exemplo é a melhor forma de educação, pois nada se impõe ao outro.

Neste espaço societário se integram algumas atividade de elevação do caráter humano e da auto-formação de uma postura solidaria no convívio social, tais como:

a.- Cursos sobre permacultura, agricultura natural, artesanatos etc;

b.- Feira Comunitária (escambo) realizada pelos ‘vizinhos’ do sítio, com produtos naturais, artesanato, palhaços, objetos usados, poesias e guloseimas maravilhosas;

c.- Biblioteca Comunitária Prof. José Oiticica, com oficinas de leitura para os pequenos, estimulando-os na experiência lúdica de apreender;

d.- CineClub de Valéria/Isva, com projeções à cada quinze dias de temas polêmico que exercitam a reflexão política com a ajuda da sétima arte (cinema & debate);

e.- além, é claro, do Tanque, onde todos que buscam fugir do calor se deleitam em sua água aconchegante; o lugar é o preferido das crianças e jovens que populam o espaço mais prazeroso do sítio...

O ISVA [institutovaleria@ig.com.br] conta com a ajuda voluntária em qualquer uma dessas áreas de atuação ou outras quaisquer que você deseje desenvolver, pois a nossa maior força é a consciência de que só o apóio mútuo, e não o assistencialismo apregoado pelas igrejas e o Estado, fará a diferença na transformação do indivíduo, que deve buscar a sua inserção na coletividade da qual faz parte e de onde sairá o referendo para suas atividades cotidianas.

2009/05/21

por e-mail


PROUDHON


Há dois séculos atrás, em 15 de janeiro de 1809, na cidade de Besançon na França, nasce Pierre-Joseph Proudhon, um menino que no seio simples de uma família de artesãos, trabalhou como vaqueiro, saiu do campo ainda jovem para o oficio de tipógrafo, onde daria início a suas leituras, ganhou uma espécie de bolsa de estudos, mas foi duramente perseguido por sua produção intelectual.

O que é a Propriedade?, publicado em 1840, foi o primeiro ensaio entre muitas outras obras polêmicas escritas por esse pensador, que influenciou grupos de trabalhadores na luta em defesa da Autogestão, do Federalismo e da Liberdade. Passados 200 anos seus escritos continuam servindo de ferramenta para a emancipação social, para aqueles que reconhecem esse homem como “O Pai da Anarquia”.

A realização de um “COLÓQUIO 200 ANOS DE PROUDHON” visa apresentar este pensador aos setores dos movimentos sociais e comunidades acadêmicas que se interessem por ter contato com a vida e a obra de Proudhon, explorando diversos temas como:

“Proudhon e a Dialética”,

“O mito da classe produtiva em Proudhon”,

“A Contribuição de Proudhon para o Brasil”,

“Crítica à Propriedade pelo Movimentos Sociais”,

“Proudhon e a Franco-Maçonaria”,
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“Proudhon e Educação”.

INFORMAÇÕES
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Arquivo de Memória Operária do Rio de Janeiro
Tel: 2224-8965 r. 250 (Marcos Santana)


CERTIFICADOS
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Serão conferidos certificados aos que se inscreverem no colóquio.

INSCRIÇÕES
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As inscrições serão realizadas nos dias do colóquio.

PROGRAMAÇÃO
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O evento será realizado nos dias 26 e 27 de Maio de 2009, com quatro mesas temáticas distribuidas em dois dias seguidos, uma terça- feira e uma quarta-feira.
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26 de maio, terça

Biblioteca Central da UNIRIO, Sala de Multimidias
Av. Pasteur, 436. URCA

09h às 12h

Milton Lopes
Robledo Mendes da Silva Silvério

Augusto Moura Soares de Souza

14h às 17h
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Angela Maria Souza Martins

Leo Vinicius Maia Liberato
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27 de maio, quarta

Sala Evaristo de Moraes Filho (109)/IFCS- UFRJ
Largo de São Francisco, 01. Centro

09h às 12h

Milton Lopes: “A Contribuição de Proudhon para o Brasil”

Robledo Mendes da Silva: “Proudhon e a Franco-Maçonaria”

Silvério Augusto Moura Soares de Souza: “Proudhon e Educação”

14h às 17h
Angela Maria Souza Martins: “Proudhon e a Dialética”

Leo Vinicius Maia Liberato: “O mito da Classe Produtiva em Proudhon”

Rafael Borges Deminicis: “Crítica à Propriedade pelos Movimentos Sociais”

PARTICIPANTES
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DAS MESAS
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Angela Maria Souza Martins
Profa Dra. da UNIRIO/NEB-NEPHEB

Leo Vinicius Maia Liberato
Pós-Doutorando Universidade de São Paulo

Milton Lopes
Jornalista, CIRA-Brasil, NPMC, GEA-NEC-UFF

Rafael Borges Deminicis
Mestrando Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro, UENF (Membro fundador do GEA-NEC-UFF)

Robledo Mendes da Silva
Mestrando em Educação UNIRIO/NEB-NEPHEB,Membro do NPMC e CIRA-Brasil

Silvério Augusto Moura Soares de Souza
Mestre em Educação UNIRIO/NEB-NEPHEB

COMISSÃO
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ORGANIZADORA
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NEB-NEPHEB/UNIRIO
AMORJ/IFCS/UFRJ

2009/05/17

seminário ferrer y guàrdia -- 100 anos

... com este pequeno extrato – que se segue logo abaixo e copilado do livro "AN-ARQUIA: Uma visão da história do movimento libertário em Portugal", do “compa” Edgar Rodrigues – prestamos a nossa modesta homenagem póstuma a esse militante anarquista, pesquisador e historiador das questões sociais no Brasil e em Portugal.
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Na Espanha, Francisco Ferrer y Guardia por fundar a Escola Moderna em 1901, esteve preso, acusado de autor intelectual do movimento grevista com o qual nada tinha e acabou condenado à morte e fuzilado no Castelo de Montjuich, em Barcelona.

Contrariando os inquisidores espanhóis, as idéias de Ferrer voavam como uma revoada de pássaros invadindo nações, atingindo sorrateiramente as camadas mais evoluídas, intelectuais e operários, tocando-lhes a sensibilidade, penetrando em seus cérebros.

O proletariado [...] recebeu os ensinamentos de Ferrer com entusiasmo. Pela primeira vez era-lhe apresentado um autêntico hino de Amor e de Paz, em forma de ensino, partindo dos bancos escolares, com explicações como estas: "Não se educa integralmente o homem disciplinando a sua inteligência, esquecendo seus sentimentos e desprezando sua vontade. O homem na unidade do seu funcionamento cerebral, é complexo, tem várias facetas fundamentais, é uma energia que vê, afeto que repele ou recebe, concebendo voluntariamente e tornando em atos as leis do organismo do homem, que abre um abismo onde precisa existir, uma saudável e bela continuidade. E sem dúvida, elemento favorável ao divórcio entre o pensar e o sentir.

Muitos deles serão, indubitavelmente, potentes em suas faculdades mentais, possuindo riqueza de idéias, até compreendem a orientação real, dentro de um conceito formoso, que prepara a ciência da vida, do indivíduo e dos povos. Mas, com todas as suas desatenções egoístas, e as próprias conveniências dos seus fins... tudo isto mesclado com uma levedura de sentimentos tradicionais, formam uma camada impermeável em volta de seus corações, para que não se infiltrem neles idéias progressistas, e não se convertam num jogo de sentimentos propulsores, imediato determinante da conduta do homem"
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Estas idéias fizeram desabar sobre a cabeça de Ferrer todas as maldições da Igreja, todo o rancor da burguesia [...]!

[...]

As idéias de Ferrer vieram alertar professores, contagiar estudantes e intelectuais, suscitar discussões e debates. Nem todos aceitavam integralmente suas idéias pedagógicas, mas todos foram sacudidos por essa nova aurora! Uns contestavam, outros defendiam os métodos da Escola Moderna. As deformações seculares e os ensinamentos "oficiais" opunham-se à sua total aceitação, mas atingidos e contagiados pelas idéias do professor anarquista, muitos começaram a pedir a renovação do ensino da escola.

Jovens intelectuais, alinharam-se na defesa do ensino renovado e vieram colaborar na imprensa anarquista, Deolinda Lopes Vieira, escrevendo sobre "educação integral". E o Dr. Egas Muniz afirmando: "A Escola Moderna, há-de ser o tipo para que hão-de tender as escolas do futuro".

[...]

As idéias do pioneiro, do idealizador e fundador da Escola Moderna, afetavam a "segurança do Estado", abalavam as velhas estruturas, punham em "perigo" as mistificações da Igreja e derrubavam a fé! E, baseadas nesses interesses mesquinhos, o governo espanhol chamou seus escribas e ordenou-lhes que encontrassem "meios legais" para matar Francisco Ferrer!


leia mais, saiba mais:
http://www.nodo50.org/insurgentes/textos/educa/04culturalibertaria.htm

2009/05/15

por e-mail

Nota de falecimento de Edgar Rodrigues

por Centro de Cultura Social -
-- São Paulo,
15 de maio de 2009


Informamos com profunda tristeza o falecimento do escritor anarquista, militante e associado do Centro de Cultura Social, Edgar Rodrigues.

Sua morte se deu por volta das 20h de ontem, 14/05, devido a uma parada cárdio-respiratória. O corpo será cremado entre sábado e domingo sem cerimônia, como era a vontade de Edgar.

Autor de dezenas de obras e centenas de artigos sobre a história e as idéias anarquistas no Brasil e em Portugal, Edgar foi o maior e o mais importante difusor da cultura libertária desde o final dos anos 1960 quando publicou, sob a ditadura militar, a trilogia tornada clássica e indispensável em nossos dias: “Socialismo e Sindicalismo no Brasil, 1675/1913”, “Nacionalismo e Cultura Social, 1913-1922” e “Novos Rumos, 1922-1945”.

[...]

A jovem geração anarquista que surge em meados dos anos 1980 juntamente com a reabertura do Centro de Cultura Social de São Paulo, certamente não saberia passar sem Edgar Rodrigues. Esta geração lhe é grata pela generosidade com a qual ele sempre soube lidar com o patrimônio cultural do anarquismo e por seu trabalho incansável de resgate da história e da memória anarquista.

Edgar que se foi aos 88 anos estará sempre presente para nós por meio de suas obras, por sua tenra lembrança e por uma vida dedicada ao anarquismo.

Saúde e Anarquia!

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Centro de Cultura Social
Rua General Jardim, 253 sala 22
(metrô república)


2009/05/13

por e-mail

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temas & momentos:
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# mesa sobre conjunturas atuais, condicionamentos e resistências (contribuições libertárias);
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# mesa especifica sobre educação libertária, momento em que se procurará refletir sobre seus pressupostos, implicações, limitações e perspectivas;
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# olhares libertários sobre algumas importantes políticas educacionais que vem sendo implementadas, sobretudo de âmbito nacional;
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# bem como, sobre “estudos de caso” para que se possa dialogar com outras realidades;
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# realização de oficinas e relatos das experiências de processos educativos libertários (escolares e não-escolares, principalmente) que vêm sendo vivenciadas...


leia mais, saiba mais:


http://www.santafe.edu.br/2009/3/7/Pagina506.htm

http://www.29enepe.blogspot.com/

2009/05/10

seminário ferrer y guàrdia -- 100 anos


Neste processo de gestação do seminário, que realizar-se-á em Outubro na cidade do Salvador- Bahia, sobre os cem anos de fuzilamento de Francisc Ferrer i guàrdia pela égide do Estado Espanhol – bem como sob a proteção ‘divina’ da Igreja Católica Apostólica Romana – estaremos disponibilizando n’o homem revoltado alguns textos para tentar inseri-lo, bem como a sua proposta pedagógica não-autoritária, nesse universo prazeroso de permutas entre os prováveis participantes desta empreitada que a nós se apresenta.
Fazemos isto por tratar-se de um pedagogo pouco conhecido nas nossas belas e ensolaradas praias “brasilenas”.

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Para Ferrer, a educação racional opera como mecanismo de defesa contra os preconceitos e a ignorância a serviço do poder político econômico.

A Escola Moderna de Ferrer pratica a co-educação dos sexos, a co-educação das classes. Daí ela não procurar estabelecer novas desigualdades, daí não outorgar prêmios por “excelência” escolar, nem castigos, nem exames em que um se salienta, a média se conforma com a nota de “aprovado” e os infelizes sofrem o opróbrio dos incapacitados até a final exclusão do sistema escolar. São diferenciações extremamente reacionárias.

Na Escola Moderna, procura-se desenvolver as faculdades da infância, sem sujeição a padrões dogmáticos, nem mesmo como síntese de convicções de Ferrer, seu fundador, e de seus professores. A finalidade é tornar cada aluno seu próprio mestre, enfrentando a existência com responsabilidade pessoal.

Nota Ferrer a pressão da chamada comunidade (especialmente pais de alunos) influenciada pela ideologia da letra com sangre entra. Estes solicitavam a ele e a seus professores que infringissem castigos e penas aos seus filhos, enquanto outros criticavam a Escola por não dar oportunidade ao filho para “brilhar” num exame.


*extrato do artigo Francisco Ferrer e a pedagogia libertária, de Maurício Tragtenberg. In: Sobre educação, política e sindicalismo, de Maurício Tragtenberg; Editora Unesp; 2004.


2009/05/07

pipoca & celulóide

VENHA ASSISTIR &
DEBATER SOBRE O FILME


VENHA ASSISTIR &
DEBATER SOBRE O FILME

2009/05/05

pipoca & celulóide


José Henrique Pereira Santos*

Sem dúvida, Machuca [Direção: Andrés Wood, Chile, 2004], figura entre os melhores filmes latino-americanos da última década. Contribuindo muito para a releitura de um período político bastante nebuloso que foi a década de 70.

A história se passa em 1973, quando o país era governado pelo socialista Salvador Allende, marcado por um sensível acirramento da luta de classes. De um lado ocorriam passeatas organizadas pela esquerda – com intensa participação de trabalhadores e estudantes - do outro, passeatas contra o presidente eleito, lideradas pela direita nacionalista e anti-comunista.

Neste contexto, Gonzalo, um garoto de classe média-alta, estudante de um dos colégios de maior prestigio de Santiago, o Saint Patrick, conhece Pedro Machuca, menino pobre que estuda no colégio graças a uma política de concessão de bolsas a pessoas de baixa renda.

Em meio a uma briga na escola, Gonzalo e Pedro Machuca se aproximam, nasce então uma amizade entre os dois garotos. Esta amizade é o tema principal do filme que se desenrola com um pano de fundo que originou no golpe contra o governo de esquerda de Salvador Allende.

Porém, esta aproximação se esbarra na origem distinta dos dois garotos, o rico e o pobre, o conservador e o progressista, mundos diferentes e completamente antagônicos. Ambos são mal vistos pelos seus colegas e as questões de classe inevitavelmente aparecem na relação entre os meninos. É muito interessante a maneira como simples garotos reproduzem a mentalidade do círculo social em que vivem.

Machuca mistura doses de romance com intenso teor de política, configurando-se como um filme bonito e ao mesmo tempo indigesto. Esta dicotomia que nos revela quão contraditória é nossa sociedade.

*Publicado no Recanto das Letras em 25/04/2009


leia mais, saiba mais:


http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdefilmes/1559726

2009/05/03

extraindo conceitos



Até hoje, dizia-se que a televisão tinha três funções: informar, educar e divertir. E a maior crítica que se faz da televisão, enquanto mídia de massa, é essa última função: divertir.

O entretenimento pode ser transformado em alienação, cretinização, embrutecimento; e levar à descerebralização coletiva, ao condicionamento das massas e à manipulação das mentes, principalmente dos jovens.

Hoje o maior receio em relação a Internet é que as três principais funções dessa nova mídia dominante passem a ser: anunciar, vender e vigiar.

Anunciar porque a economia da Internet é essencialmente de natureza publicitária. A cultura da gratuidade da rede só é possível porque anunciantes assumem os custos do funcionamento do sistema, para que este repercuta nas compras feitas pelos internautas.

Vender porque este é hoje o objetivo principal da mídia Internet. [Pois], com a Internet, a mesma máquina – o computador – que permite navegar na rede e entrar em contato com a propaganda, serve diretamente para escolher, pedir, pagar, enfim, comprar o produto ou o serviço em questão.

Por fim, vigiar se torna uma função primordial porque cada manipulação na rede deixa uma marca. Aos poucos, o internauta, sem querer, desenha seu auto-retrato em termos de centros de interesses (culturais, ideológicos, lúdicos, de consumo...).

E, uma vez estabelecido esse retrato, não haverá mais nenhum segredo para os donos da Internet – que saberão o que ele gosta de ler, ouvir, assistir, beber, comer, consumir etc. E poderão manipulá-lo à vontade.

* é diretor do Le Monde diplomatique e professor na Universidade de Paris VII; texto extraído do caderno diplô nº. 01- Le Monde diplomatique

leia mais, saiba mais:


http://diplo.uol.com.br/2001-01,a1280